TERÇA-FEIRA – 14/JUNHO/2016

14jun_NabotMorreApedrejadoSTO. ELISEU ( séc. IX a.C.) Discípulo de Elias, estava a lavrar quando o profeta lhe pôs a capa nos ombros. Recebeu o seu espírito profético quando Elias subiu aos céus num carro de fogo. Morreu no reinado de Joás.

1 Reis 21, 1729 ; Sal 50, 3-4. 5-6a. 11. 16 ; Mateus 5, 43-48

“ORAI POR AQUELES QUE VOS PERSEGUEM…” ( Mat. 5,43-48) . “Amai os vossos inimigos…” Estes pedidos de Jesus não são de modo algum exigências novas. Já, no Levítico, O Senhor nos afirmava : “Sede santos, porque Eu, vosso Deus, sou Santo”. Recordemos que o homem foi criado “à imagem” de Deus. Jesus é O modelo perfeito, completo, da “semelhança” que devemos atingir. Ao amar os inimigos até dar a Sua vida por eles, ao orar na cruz pelos Seus perseguidores, Jesus deixou-nos um ex. que devemos laboriosamente imitar. Porque, pelos sacramentos que jorraram do Seu lado transpassado, tornámo-nos filhos semelhantes a Seu Pai, e completaremos a nossa natureza até ser, plenamente, “participantes da natureza divina”. Quando Jesus nos afirma : “Se saudardes os vossos irmãos que fazeis de extraordinário ?”, dá-nos a entender que para amar os inimigos temos de ir muito para além dos comportamentos habituais. É verdade, mas para isso requer-se um heroísmo sobre-humano. Tentemos pôr-nos no lugar da esposa e filhos de Nabot, morto por Jezabel, mulher de Acab: seria possível amarem Acab e Jezabel a não ser graças a um comportamento verdadeiramente extraordinário? De facto, como será possível às vítimas de assassinato – tão numerosas nos nossos diasamar os perseguidores, sobretudo quando estes não manifestam quaisquer sinais de arrependimento? Para se entrar na perspectiva do Sermão da Montanha é necessário alargar sem medo a nossa visão das coisas e da vida, segundo a Palavra de Jesus e recolocar tudo no centro do mistério pascal: sem minimizar os dramas do mundo, mas dando-lhes a sua verdadeira dimensão face à redenção em Jesus Cristo. Só assim será útil recordar a visão de S. Bento que, ao contemplar um único raio de luz, via o mundo inteiro e a sua história. Sob o olhar da eternidade a vida presente parecerá coisa pouca, pois o verdadeiro valor não é a sua maior ou menor duração no tempo deste mundo. Não! o seu valor autêntico dar-lho-emos nós, ao esforçar-nos por ser perfeitos como O Pai é perfeito, o que implica um amor imenso por todos os homens, incluindo aqueles que consideramos inimigos. “Só amando os nossos inimigos poderemos conhecer Deus e fazer a experiência da Sua santidade” Martin Luther King (1929-1968).

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris. Selecção e síntese: Jorge Perloiro.