II DOMINGO QUARESMA – 16/MARÇO/2014

II DOMINGO QUARESMA – 16/MARÇO/2014

Directo, 11h: Angelus Domini

Directo, 16h30: Visita à paróquia romana de Santa Maria da Oração

Génesis 12,1-4a ; Sal 32, 4-5.18-19. 20. 22 ; 2 Timóteo 1, 8b-10 ; Mateus 17,1-9

AbraaoSaiDeUrUM ITINERÁRIO PESSOAL (Gén.17,1-9). Este 2º domingo da Quaresma anuncia-nos que Deus tem um projecto para cada um. Projecto que pode ser entendido como um peso, mas que é antes, mais uma graça para agarrar e desenvolver no tempo. Por isso, interroguemo-nos sobre qual o caminho a seguir para trabalharmos na nossa conversão e aproximar-nos das exigências evangélicas. As três leituras de hoje propõem-nos a entrada num itinerário pessoal para se chegar ao final da caminhada. Para se viverem bem os 40 dias de oração, de jejum e de partilha, apoiemo-nos na experiência de despojamento interior e de fé confiante de Paulo e dos discípulos.
Sendo a Páscoa o destino da nossa peregrinação, se escolhermos os atalhos arriscamo-nos a falhar a ascése indispensável ao nosso desejo de mudança profunda. Assim, Abraão partiu do seu país e deixou a família para chegar a uma terra de que ignorava tudo. Esta experiência única permitiu-lhe dar resposta à vocação de patriarca na qual O Altissimo Se irá apoiar para Se revelar ao Povo por Ele escolhido. Para Paulo, é a aceitação da graça comunicada por Deus que nos permite ser plenamente cristãos. Se Jesus chamou 3 discípulos para os levar, à parte, sobre a montanha foi para lhes revelar a Sua natureza de Filho de Deus.

Transfiguracao_Teofanes“TRANSFIGUROU-SE DIANTE DELES”(Mat.17,1-9). Cristo não faz o “anúncio” da Sua glória futura ; revela a Sua presente glória de servo: a glória de Deus manifesta-se na Paixão e está completa no Servo morto na cruz abandonado por todos. A transfiguração abrange a vida e a morte de Cristo, ou seja, Deus glorifica-Se não depois (para lá do sofrimento que terá de aceitar na expectativa de outra coisa) mas na própria provação. A Paixão ignominiosa de Jesus – vamos reler a Paixão de S.João – é a Sua exaltação. O desprendimento total de Si encerra n’Ele a plenitude da Vida. A morte de Jesus é a única linguagem que pode traduzir, sem a trair, a Palavra eterna dO Pai: “Tu és O Meu Filho muito amado”. E nós porque estamos sempre a desperdiçar o tempo ? Para orar é raro termos disponibilidade (adiamos ou esquecemos as horas de oração), para fazer um retiro (entenda-se esta palavra como quisermos) tentamos fugir a esse instante e nunca temos tempo para viver verdadeiramente a vida e glorificarmos Deus. Mas não é esta a lógica da Encarnação que deveria ser a única a comandar as minhas relações com Deus: é no mais obscuro do quotidiano banal, talvez nos momentos mais acabrunhantes, que Deus quer manifestar a Sua glória e aguarda o meu louvor…, na aceitação, no abandono, no amor crucificado que diz sim à vontade dO Pai, um sim desde já eterno, sim do re-encontro e reconhecimento. A vida eterna é tecida por cada um destes sins, murmurados, repetidos em cada instante… Mesmo durante o sono ; e o “sono” será melhor se eu, como O Esposo do cântico, vigiar, porque então Ele virá sem eu sequer dar conta disso.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris)

ALGÉS – MIRAFLORES