TERÇA-FEIRA – 9/DEZEMBRO/2014

STO. JUAN DIEGO CUAUHTLATOATZIN (1474-1548). Uma “Senhora do Céu” apareceu a S. Juan Diego, identificou-se como sendo a “Mãe dO Verdadeiro Deus”, mandou-o dizer ao bispo que construísse um templo no lugar (N. SRA de Guadalupe), e deixou a sua imagem impressa milagrosamente no seu poncho (sem sinais de deterioração até hoje, apesar de ser de má qualidade, feito de fibra de cacto). Canonizado em 2002 pelo papa S. João-Paulo II.

BTO. BERNARDO MARIA SILVISTRELLl (1831-1911). Bernardo Silvistrelli, passou a ser Bernardo Maria da Cruz após ingressar no Mosteiro dos Passionistas da Escada Santa, adjacente à Basílica de S. João Latrão, em Roma. Como Superior Geral dos Passionistas, fundados por S.Paulo da Cruz (1694-1775), reconduziu-a ao espírito fundacional, cimentando a sua unidade. Foi beatificado por S.João-Paulo II (1988).

Isaías 40, 1-11 ; Sal 95,1-3.10-13 ; Mateus 18,12-24

OBomPastorELE “TRAZ NO SEU CORAÇÃO” CADA UM DE NÓS (Isaías 40,1-11). A nossa resposta ao apelo para proclamarmos a Boa-Nova continua a ser ainda baixa…, muito baixa. Porque somos exortados a elevar a voz ! Mas é-nos muito difícil encontrar as palavras, o tom, o tempo e os lugares certos para falarmos ao coração das “Jerusalém” de hoje. Isaías, neste Tempo de Advento, dá-nos um excelente remédio: “Eis O vosso Deus”; não um Deus que esmaga, que fustiga ou condena, mas um Pai que “traz no Seu coração” cada um de nós. Não fiquemos bloqueados pelos meios: web, manifestações, medias, etc. Estejamos mais atentos, como o profeta, àquilo que dizemos. O nosso Pai é O Bom Pastor que cuida de cada um. Elevemos a voz para cuidar daqueles que O Senhor colocar no nosso caminho. Mas porque permitirá O Pai que nos afastemos d’Ele e façamos pecados? Porque nos quer livres, livres para permanecermos ou não junto d’Ele. Todavia, Ele pode sempre resgatar-nos e então alegra-Se. Tenhamos confiança!

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SEGUNDA-FEIRA – 8/DEZEMBRO/2014

ImaculadaConceicao_PeredaIMACULADA CONCEIÇÃO DE NOSSA SENHORA. Foi a 8/Dez./1854 que se realizou a definição deste dogma, desejado por tantos santos, pedido durante séculos, (nas cortes de 1646, D.João lV coroou a imagem da Imaculada Conceição de Vila Viçosa como rainha de Portugal), mas que Deus reservara para tempos mais recentes. A proclamação foi presidida por BTO. Pio IX, na presença de 50.000 fiéis, milhares de sacerdotes, 40 cardeais, 42 arcebispos e inúmeros religiosos(as) de várias congregações. O papa BTO. Pio IX iniciou com voz grave a leitura do decreto que definia a Imaculada Conceição da Virgem; ao chegar porém à passagem que referia precisamente a Imaculada Conceição, a sua voz enterneceu-se, as lágrimas assomaram-lhe aos olhos e quando pronunciou as palavras decisivas : “Definimos, decreta-mos e confirmamos”, a emoção e o pranto embargaram-lhe a palavra e viu-se obrigado a parar e enxugar as lágrimas que lhe corriam pelo rosto. Naquele momento o Papa BTOPio IX – com a sua inteligência, o seu sentimento e a sua vontade – interpretava o sentir profundo de toda a cristandade, feliz por amar e honrar a mãe de Cristo com um título tão singular, confirmado aliás pelo céu quatro anos mais tarde, (em 1858), nas aparições de N. SRA. de Lurdes a STA. Bernardete: “Eu sou a Imaculada Conceição!”, disse-lhe a Virgem.

Génesis 3, 9-15. 30 ; Sal 97,1-4 ; Efésios 1, 3-6.11-12 ; Lucas 1, 26-38

“EM JESUS CRlSTO, DEUS ESCOLHEU-NOS…” (Efés.1,3-6.11-12). Os comentadores da benção mor que abre a Carta aos Efésios interrogam-se: este “nós” inicial designará todos os homens, ou sobretudo o povo escolhido, Israel, primícias da humanidade que Deus quer finalmente adoptar? Ou ainda aqueles que, desde o princípio, acreditaram e esperaram em Cristo, os cristãos, primeiros convocados na Igreja de uma reunião universal? O “vós também”, nos versículos subsequentes, dá a entender que a carta se dirige também a outros grupos para lhes anunciar igual participação no desígnio de Deus. A hesitação é significativa e confirma pelo menos uma certeza: quando Deus escolhe alguns como Sua “parte”, Suas testemunhas, é para atingir, sempre mais longe, a totalidade da humanidade.

“ELE SERÁ GRANDE E CHAMAR-SE-Á FILHO DO ALTíSSIMO…” (Lucas 1,26-38). Elevação ou rebaixamento? Nós temos a tendência para opôr estes dois movimentos, enquanto que, para O Senhor, um passa pelo outro. Assim, O Verbo de Deus rebaixa-Se ao assumir a nossa carne e, por isso mesmo, Ele é reconhecido Filho dO Altíssimo: “Ele rebaixou-Se…e por isso Deus O exaltou” (Filip.2,8-9). A Imaculada Conceição parece também elevar Maria acima das outras pessoas , mas ao ser assim elevada, preservada do pecado (o pecado é aquilo que separa o homem de Deus e os homens entre si), Maria fica ainda mais próxima de nós e por isso rebaixada. À semelhança de Cristo e de Maria, compreendamos que O Senhor nos eleva rebaixando-nos, e nos rebaixa elevando-nos. Talvez esta seja uma forma de entendermos melhor a virtude da humildade que o mistério feliz da Anunciação nos convida a meditar.

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

Novena da Imaculada Conceição – 9.º dia – 7/DEZEMBRO

Maria, antagonista de satanás
“Mulher vestida de sol”

Do Apocalipse de São João (Apoc 12,1-6)

Depois, apareceu no céu um grande sinal: uma Mulher vestida de Sol, com a Lua debaixo dos pés e com uma coroa de doze estrelas na
cabeça. Estava grávida e gritava com as dores de parto e o tormento
de dar à luz.
Apareceu ainda outro sinal no céu: era um grande dragão de fogo com sete cabeças e dez chifres. Sobre as cabeças tinha sete coroas e,
com a sua cauda, varreu a terça parte das estrelas do céu e lançou-
as à terra. Depois colocou-se diante da Mulher que estava para dar à
luz, a fim de lhe devorar o filho quando ele nascesse. Ela deu à luz
um filho varão. Ele é que há-de governar todas as nações com ceptro
de ferro. Mas o filho foi-lhe arrebatado para junto de Deus e do seu
trono. E a Mulher fugiu para o deserto onde Deus lhe preparou um
lugar [um refúgio].

“Imagem fiel da perfeição”

Como podemos ajudar ainda aquela que, exaltada acima de todas as
criaturas terrestres e celestes, se ornou a Mãe de Deus e reina
eternamente no Céu?
Ela é a Rainha do céu e da terra, é a Mediadora de todos nós,
através das suas mãos se derrama sobre a terra toda a graça. O que é que devemos, portanto, desejar para esta ilustríssima e dulcíssima
Senhora? Senhora Rainha, nos Vos desejamos com todo o coração e com toda a alma que tomeis posse o mais depressa possível e de forma total dos nossos corações e dos corações de todos e de cada um sem excepção.
Reina sobre todos nós e em todos nós reina não só durante esta nossa peregrinação terrena, mas também nos séculos dos séculos eternamente no Céu!
A Imaculada: eis o nosso ideal. Aproximarmo-nos d’Ela, tornar-nos
semelhantes a Ela, permitir que Ela tome posse do nosso coração e de todo o nosso ser, que Ela viva e opere em nos e por meio de nós, que Ela mesma ame a Deus com o nosso coração, e que nós lhe pertençamos sem qualquer restrição… Que a Sua vida se enraíze cada vez mais em nós, dia a dia, hora a hora, momento a momento, e isso sem qualquer limitação.

Rezemos uma dezena segundo as intenções da Virgem Imaculada, Mãe de Deus.
— Pai nosso
— 10 Ave Maria
— Glória

Petição da Graça

Ó Deus, que na Imaculada Conceição da Virgem preparastes uma digna morada para o vosso Filho, e a preservastes de toda a mancha de pecado, concedei-nos, por sua intercessão a graça que Vos pedimos… (petição).

Oremos:
Pai Santo, Vós sois o Deus justo e misericordiodo, que disperde os soberbos e exalta os humildes; Vós elevastes Maria Imaculada acima dos anjos, onde reina gloriosamente e intercede por todos os homens, advogada da Graça, e Rainha do Universo. Dai-nos, Senhor, a graça de louvar e exaltar sempre o Rei dos reis e o Senhor dos senhores e a Virgem Maria vossa humilde serva. Amen.

II DOMINGO DO ADVENTO 2014-2015 – 7/DEZEMBRO/2014

STO. AMBRÓSIO (340-397). Escolhido como bispo de Milão quando era apenas ainda um mero catecúmeno, Ambrósio tornou-se conselheiro do imperador Teodósio. Teve uma importância determinante na conversão de STO. Agostinho. É Doutor da Igreja.

Isaías 40, 1-5. 9-11 ; Sal 84, 9-14 ; 2 Pedro 3, 8-14 ; Marcos 1,1-8

SaoJoaoBaptistaNoDesertoA VOZ QUE CLAMA NO DESERTO (Marc.1,1-8). A excentricidade de João Baptista pode surpreender quem se detiver só na descrição das suas vestes em pele de camelo ou na sua alimentação à base de mel silvestre e gafanhotos. Ele é profeta e, assim, abala os códigos estabelecidos. A essência da sua mensagem é, antes de mais, um apelo à conversão. Escutêmo-lo! Entre a expectativa prolongada e os sinais de salvação já patentes, a palavra de Deus convida-nos a que assumamos a inevitável tensão da vida cristã : ser vigilantes. Mas não nos equivoquemos nessa atitude. O vigilante não é alguém que se limita a escrutinar o horizonte, completamente passivo e isolado do mun-do, numa espécie de tempo suspenso, entre as profecias do passado e as promessas do futuro. Porque, como sublinha STO. Agostinho, “o futuro e o passado não são nada”. Para ter uma acção pertinente no mundo de hoje, o vigilante terá que se enraízar no presente, único elo à vida real : “O presente do passado, é a memória ; o presente do presente, é a atenção actual; o presente do futuro, é a sua expectativa”. Memória, atenção e expectativa são as três facetas da vida cristã neste tempo do Advento. A memória só tem sentido por transformar a leitura que fazemos do mundo de hoje. A atenção torna mais activo o nosso empenha-mento actual. Sim, os vigilantes, os profetas, os Joões Baptista nossos contemporâneos, assumem toda a sua envergadura quando vivem o tempo presente ! Vigiar, é pois sobretudo assumir a responsabilidade de empreender, de agir hoje para transformar o mundo. Isaías, Paulo e Marcos dizem-no, cada um à sua maneira : trata-se de “consolar o povo”, de “abrir um caminho”, de “tudo fazer” para sermos irrepreensiveis e anunciarmos Aquele que vem, apresentando-O ao mundo contemporâneo. Por isso, mãos à obra! Que o tempo gasto a escrutinar as Escrituras dê frutos, na nossa qualidade de estar no presente e nas nossas múltiplas actividades, para melhor fazer advir O Reino!

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.