PRÁTICAS ESPIRITUAIS — A Lectio divina

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PRÁTICAS ESPIRITUAIS

A ‘Lectio divina’
Papa Francisco, Evangelii gaudium, nn. 152-153

Há uma modalidade concreta para escutarmos aquilo que o Senhor nos quer dizer na sua Palavra e nos deixarmos transformar pelo Espírito: designamo-la por «lectio divina».

Consiste na leitura da Palavra de Deus num tempo de oração, para lhe permitir que nos ilumine e renove.

A leitura espiritual dum texto deve partir do seu sentido literal. Caso contrário, uma pessoa facilmente fará o texto dizer o que lhe convém, o que serve para confirmar as suas próprias decisões, o que se adapta aos seus próprios esquemas mentais.

Na presença de Deus, numa leitura tranquila do texto, é bom perguntar-se, por exemplo: «Senhor, a mim que me diz este texto? Com esta mensagem, que quereis mudar na minha vida? Que é que me dá fastídio neste texto? Porque é que isto não me interessa?»; ou então: «De que gosto? Em que me estimula esta Palavra? Que me atrai? E porque me atrai?».

Quando se procura ouvir o Senhor, é normal ter tentações. Uma delas é simplesmente sentir-se aborrecido e acabrunhado fechar-se sobre si mesmo; outra tentação muito comum é começar a pensar naquilo que o texto diz aos outros, para evitar de o aplicar à própria vida.

Acontece também começar a procurar desculpas, que nos permitam diluir a mensagem específica do texto.

Outras vezes pensamos que Deus nos exige uma decisão demasiado grande, que ainda não estamos em condições de tomar. Isto leva muitas pessoas a perderem a alegria do encontro com a Palavra, mas isso significaria esquecer que ninguém é mais paciente do que Deus Pai, ninguém compreende e sabe esperar como Ele. Deus convida sempre a dar um passo mais, mas não exige uma resposta completa, se ainda não percorremos o caminho que a torna possível. Apenas quer que olhemos com sinceridade a nossa vida e a apresentemos sem fingimento diante dos seus olhos, que estejamos dispostos a continuar a crescer, e peçamos a Ele o que ainda não podemos conseguir.

→ PRÁTICAS ESPIRITUAIS — “Guardar o coração’”