II DOMINGO DO TEMPO COMUM – 17/JANEIRO/2016

a_BodasDeCanaSANTO ANTÃO (251-356). A sua vida foi relatada por STO. Atanásio de Alexandria, na “Vita Antonii”, em 360. Segundo este, teria nascido em 251, na Tebaida, no Alto Egipto, e falecido em 356, com 125 anos de idade. Cristão fervoroso, com cerca de 20 anos tomou o Evangelho à letra, distribuiu todos os bens pelos pobres, indo de seguida viver no deserto. Os religiosos que se tornam monges e adoptam o modo de vida solitário de Antão, chamam-se eremitas ou anacoretas, opondo-se aos cenobitas que vivem em comunidades.

Isaías 62,1-5; Sal 95,1-3.7-8a.9-10ac; 1Coríntios 12,4-11; João 2,1-11

ENCONTRO EM CANÁ! ( Jo. 2,1-11) . Caná, pequena localidade da Galileia, perto de Nazaré. É ali que Jesus faz o Seu 1o “sinal”. Ir a Caná, é tomar consciência que O Senhor permanece no centro das realidades humanas. Em Caná dá-se o encontro de Deus com a humanidade. No Antigo Testamento, Deus apresenta-Se como O Esposo do Seu povo, esposo dum amor fiel e ciumento que nenhuma decepção consegue demover do Seu projeto de núpcias. Caná, é a revelação da identidade e da missão de Jesus.

ELES JÁ NÃO TÊM VINHO… Ao dizer-nos quem Ele é, Jesus descobre-nos a nós próprios. As seis talhas vazias são o símbolo da Antiga Aliança, mas também dos seis dias da criação, da Tora (lei) de Moisés, da nossa vida quotidiana e de tudo aquilo que precisa ser preenchido e transformado, no sétimo dia, pela graça da ressurreição. Em Caná, Jesus anuncia que a Lei é graça divina e que ela transformará o nosso quotidiano. A compaixão e a oração estão simbolizadas pela oração confiante de Maria: “Eles já não têm vinho…” Assim, as necessidades dos humanos são apresentadas a Deus com confiança. A frase “fazei tudo o que Ele vos disser” simboliza a obediência. Aos criados e discípulos desorientados perante a eminente falta de vinho, Maria pede que façam a vontade de Jesus. É esta a atitude do verdadeiro discípulo : obedecer em tudo ao seu mestre. Finalmente, “encher de água as seis talhas a transbordar”, simboliza o serviço na fé. Os discípulos escutam Jesus e, sem pedir explicações metem mãos à obra. A continuação
dar-lhes-á razão: a obediência na fé é o verdadeiro segredo da fecundidade espiritual. É essa a tarefa da Igreja : ser instrumento dócil da graça superabundante de Deus.

LOUVOR NA PROVAÇÃO. Pai do Céu, eu Te louvo e Te dou graças pelo repouso da noite; Eu Te louvo e Te dou graças pelo novo dia; Eu Te louvo e Te dou graças por toda a Tua bondade e pela Tua fidelidade na minha vida já passada. Tu que me fizeste tanto bem e concedeste tantos dons, ajuda-me a aceitar agora como vindo de Ti aquilo que me acabrunha. Tu não me carregas com um fardo que eu não posso levar. Tu fazes que todas as coisas sirvam para o bem dos Teus filhos. Dietrich Bonhoeffer, pastor e teólogo luterano, enforcado num campo de concentração nazi.

“SEMANA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS ” ( 18 a 24 de Janeiro )
“No começo da “Semana de Oração pela Unidade”, meditemos com o P.Yves Congar sobre as “Bases teológicas da oração pela unidade dos cristãos” : “A oração é o acto pelo qual eu me ajusto à Vontade da salvação de Deus (…) Uma oração pagã procura trazer a divindade até nós; uma oração cristã coloca-se nas mãos de Deus, que nos molda e conduz…” A referência paradigmática será sempre a Oração de Cristo no Jardim das oliveiras, que, ao mesmo tempo, apresentou a Sua súplica e Se abandonou à Vontade dO Pai. O P.Congar continua: “O homem que ora pede e, ao mesmo tempo, oferece-se a Deus para que nele e por ele a Sua Vontade se cumpra, pois ela sempre irá no sentido do bem e da salvação”. Eis o que pode ajudar-nos muito nestes dias em que nos é particularmente proposta a abertura à riqueza das outras Igrejas Cristãs e o aprofundamento da nossa própria Tradição católica. Oremos pois por todas as comunidades cristãs que se defrontam com tantas divisões, antigas e modernas.” Irmã beneditina Emmanuelle Billoteau.

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.