IV DOMINGO DO TEMPO COMUM – 31/JANEIRO/2016

aS_ImagemPeregrinaS. JOÃO BOSCO (1815-88). Dotado de memória prodigiosa, inclinado à música e à arte, Dom Bosco tinha uma linguagem fácil, espírito de liderança e foi um grande educador e escritor. Em 1848 fundou o Oratório de S.Francisco de Sales. A seguir ao Oratório surgiu uma escola profissional, depois uma escola básica, um internato, etc. Em 1855 deu o nome de Salesianos aos seus colaboradores. Com a ajuda de STA Maria Domingas Mazzarello, fundou (1872) o “Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora” para a educação da juventude feminina. O papa Pio XI, que o conheceu e gozou da sua amizade, canonizou-o na Páscoa de 1934.

STA MARCELA (410). Nobre romana, discípula de S.Jerónimo. Dedicou-se à oração, à caridade e ao estudo da Bíblia. Morreu com idade avançada, vítima dos visigodos de Alarico, durante o saque de Roma.

Jer.1, 4-5.17-19 ; Sal 70,1-4a. 3-6ab.15ab.17 ; 1Cor.12, 31–13,13 ; Luc. 4, 21-30

“CUMPRIU-SE HOJE ESTA PASSAGEM DA ESCRITURA QUE ACABASTES DE OUVIR” (Lucas 4,21-30). Quem não terá sonhado escutar palavras semelhantes ? Assim, é compreensível a reacção dos ouvintes de Jesus: tudo é possível, Ele é do nosso meio, Ele é nosso e vai realizar para nós o que fez fora daqui conforme a Sua fama apregoa. Mas Jesus suscita interrogações, ligadas à profundidade da Sua palavra e à banalidade da origem. Conhecemos-lhE os parentes, então vamos aproveitá-lO, segurando-O para nos fazer beneficiar dos Seus Dons, sobretudo se vierem de Deus ! Terrível testemunho de uma comunidade que pretende “possuir” o Seu profeta, capturando-O para si mesma! Jesus compreende perfeitamente estas intenções mas recusa deixar-Se capturar. A palavra de Jesus é de abertura e de liberdade. Ele veio proclamar palavras que apontam outro caminho aos grupos que aguardam a libertação. E Ele diz palavras insuportáveis, pois toma o exmpl.de Elias e da viúva, estrangeira de Sarepta, ou ainda o de Eliseu que curou a lepra ao excluído sírio Naaman. Jesus é talvez um provocador, mas Jesus é sobretudo coerente das palavras com os actos. O que Ele vê esboçar-se no coração dos Seus compatriotas – até antes que disso tivessem consciência – sabe que não pode aceitá-lo e que terá – por sua causa – muito que sofrer. Ora, como reage Ele a esta evidência? Com calma soberana: nem com condenação nem com indulgência, aceita-o simplesmente como um facto. Parece quase dizer: “É normal”. Jesus não Se admira ou escandaliza ao ver que o 1º contacto das pessoas consigo não causa um relâmpago de empatia e, ao contrário, desperta sentimentos contraditórios, hesitantes. Jesus aceita tudo isso sem pestanejar: “certamente ides dizer…” Não tenhamos, pois, medo ou vergonha das dúvidas; elas não são recusas. Com simplicidade,  apresentemo-las a Jesus. Tentemos imaginá-lO tão concretamente quanto possível a responder-nos : “Sim, Eu sei, certamente tu vais dizer…” Talvez nos surpreenda o tom estranhamente vivo da Sua resposta : grave, se for de gravidade que nesse momento necessitamos, severa, se a necessidade for de admoestação ou, sorridente, se se for de um sorriso…, a Sua locução é susceptível de assumir todas as nuances…
Acaba amanhã 2/Fev./2016 o “Ano da Vida Consagrada”. Será que essas vidas nos interrogam e provocam? Será que nos deixamos sensibilizar com o apelo da Palavra que nos impele para irmos mais além ?

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.