I DOMINGO DO TEMPO DA QUARESMA – 14/FEVERElRO/2016

STOS. CIRíLO e METÓDIO (séc. IX ). Naturais de Tessalónica, estes dois irmãos anunciaram o Evangelho às populações eslavas na sua própria língua : o eslavo, criando inclusive um alfabeto específico: o cirílico. Em 1980 o papa S.João-Paulo ll proclamou-os co-padroeiros da Europa, a par com S. Bento de Núrsia.

Deuteronómio 26,4-10; Sal 90,1-2.10-15; Romanos 10,8-13; Lucas 4,1-13

CONFESSAR A SUA FÉ (Deut. 26,4-10). Nexte texto apresenta-se o gesto ritual duma liturgia celebrada no templo de Jerusalém : oferenda dos 1 OS frutos da terra. O gesto vem acompanhado duma confissão de fé expressa sob a forma de relato. Memorial da salvação de Deus, ele recorda as diversas etapas vividas por
Israel: errância nómada, estadia no Egipto, escravidão, clamor a Deus, Sua intervenção e dom da terra prometida sem a qual o gesto litúrgico não poderia fazer-se. Neste contexto, o memorial não se limita à mera “lembrança” do passado: trata-se, sobretudo, do ofertante se deixar invadir pela gratidão perante um Deus que escuta a oração, liberta da escravidão e guia por caminhos de felicidade. Neste 1o domingo da Quaresma, tempo de preparação da celebração da Páscoa de Cristo e baptismo dos catecúmenos, eis-nos reenviados ao percurso cristão: da errância interior até à terra prometida do nosso coração habitado por Deus, passando pelo desenraízamento do mal e da idolatria que nos impedem de realizar plenamente a vocação de criaturas de Deus. A confissão de fé do Deuteronómio, lida, meditada e interiorizada, suscita a nossa através do relato da própria vida: relato da nossa relação com Deus, que nos “liberta do poder das trevas para nos introduzir no reino dO Seu amado Filho” (Col.1,13). Para readquirir o entusiasmo que já tive – e reassumir o meu Baptismo – tenho que descer ao deserto de mim mesmo e aí redescobrir Cristo e os meus irmãos. Como STA. Teresinha intuiu, o reino não está no cimo dos céus, está no fundo do meu coração e tenho que fazer -me pequeno, que descer do alto das minhas suficiências para encontrar a “criança” que é Jesus, a dizer-me: “O Reino de Deus está em ti, podes construir a paz !”. Será este o programa da minha Quaresma.

“ESTÁ ESCRITO…” (Lucas 4,1-13). Curioso diálogo este, entre dois interlocutores que utilizam o mesmo argumento: “Está escrito!” Porém os seus objectivos divergem claramente. Jesus procura na Escritura a vontade de Deus: “Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” – lê-se no Deuterónimo – enquanto o diabo só intenta separar O Filho dO Pai. Em grego, o seu nome significa exactamente isso : é o “diábolos”, ou seja “aquele que divide”. Pode portanto retirar-se, de imediato, uma primeira lição: é possível ler-se a Escritura de uma maneira “diabólica” sempre que tentamos separar-nos de Deus em vez de O aproximar de nós. Todavia nada, nem ninguém, pode separar O Filho de Seu Pai. Onde está o segredo ? “Jesus foi conduzido ao deserto pelO Espírito para ser tentado pelo demónio” (Mat.4,1-11). É O Espírito que que O conduz, é Ele que lhE sopra as respostas. Há pois uma Boa Nova para todos os fiéis de Cristo ao longo dos séculos: o mal é vencido porque o demónio é forçado a retirar-se… “Então, o demónio deixou-O até um certo tempo.” A tentação é o elemento sempre presente na vida dos homens. A seguir vem a rejeição ou a adesão e, por fim, a materialização do desvio. Daí que seja tão importante cada um estar vigilante e atento aos pensamentos desorientadores que lhe possam surgir no espírito. Tal como Cristo fez, é bom que os quebremos de imediato, opondo-lhes por exemplo uma jaculatória ou um versículo da Palavra de Deus. Todavia, o melhor remédio contra a tentação – sob todas as formas – está na oração e na abertura fraterna a todos os irmãos.

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.