DOMINGO DA PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR – 27 / MARÇO /2016

PedroNoSepulcroActos 10, 34a. 37-43 ; Sal 117,1-2.16-17. 22-23 ; Colossenses 3,1-4 ou 1Cor.5, 6b-8 ; João 20,1-9 ou(à tarde) Lucas 24,13-35

CRISTO ESTÁ RESSUSCITADO…! ( João 20,1-9) . Na Vigília da Páscoa, os adultos – homens e mulheres – de todas as origens, pronunciaram solenemente as palavras: “Eu creio”, antes de ser baptizados na fé da Igreja, como a maioria de nós o foi na infância. Domingo após domingo, cada um de nós retoma, por sua vez, estas mesmas palavras que exprimem a novidade cristã.

RETIRARAM O SENHOR DO TÚMULO… Maria Madalena é hoje a figura do crente que saboreia a alegria do reencontro com O Ressuscitado da Páscoa, e volta as costas aos túmulos, exteriores ou interiores. Com os novos baptizados da Páscoa, nós também dizemos: “Pai Nosso”. É a assembleia cristã que se confia a Deus e lhE apresenta ao mesmo tempo a humanidade inteira, cuja vulnerabilidade é hoje tão evidente. De igual modo – nos Actos, da primeira leitura -, Pedro diz: “Nós, somos testemunhas do que Ele fez…” Apesar de só ele falar, foi um grupo de testemunhas, e não um homem isolado, que Jesus escolheu. Com os Ofícios da Semana santa e a grande festa da Páscoa, capacitámo-nos melhor a que ponto o Baptismo e a Eucaristia nos constituem corpo de Cristo. Nós não somos primeiro cristãos individualmente, para a seguir nos juntarmos à assembleia chamada Igreja. Os 2 sacramentos são ao mesmo tempo singulares a cada um e comuns a todos. Mas não somos nós a realizá-lo, apenas O Espírito Santo pode efectuar esta incorporação diversificada nO Ressuscitado. Só Ele nos faz entrar em comunhão com os vivos e os mortos, e sobretudo, nos pode colocar ao serviço do planeta e dos seus habitantes, no seio da nossa casa comum. Que hoje sopre sobre nós este Espírito de liberdade e de alegria! Para os primeiros cristãos – de origem judaica – o facto de Jesus ter ressuscitado no primeiro dia da semana era obviamente promissor ! Depressa compreenderam que deste modo Ele inaugurara uma Nova Criação, onde já não havia lugar para lágrimas nem luto. Por isso os cristãos dos primeiros séculos evitavam, no domingo, orar de joelhos! “O costume de não dobrar os joelhos durante o dia dO Senhor é o símbolo da ressurreição”, explicava STO. Ireneu (séc.ll): ao domingo, anunciamos o dia dO Senhor, dia em que finalmente aconteceu a Nova Criação e se cumpriu o desígnio favorável de Deus. Ainda não tinham compreendido a Escritura que diz: “Ele deve ressuscitar dos mortos”. Porém, não há na Escritura parte alguma que fale explicitamente da Morte e Ressurreição dO Messias. Junto ao túmulo vazio, nem João nem Pedro tiveram uma iluminação que lhes recordasse uma frase esquecida da Escritura. Foi a totalidade do plano de Deus que lhes foi revelado. Como diz Lucas, a propósito dos discípulos de Emaüs: “Os seus espíritos abriram-se à compreensão das Escrituras”. Que viu o discípulo querido para acreditar ? O túmulo vazio, os panos de linho e o sudário enrolado que ganham pleno sentido à luz da Escritura. Deus que não criou a morte, não ia deixar O Seu Filho conhecer a corrupção.

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.