QUINTA-FEIRA – 14/ABRIL/2016

a_BeatoPedroGonzalezTelmoBTO. PEDRO GONZÁLEZ TELMO (1190-1246) . Estudou na Universidade de Palência. Ordenado sacerdote entrou na Ordem dos Dominicanos. Confessor do rei Fernando lll, incitou-o a retomar las hostilidades na Andaluzia e acompanhou-o na reconquista de Córdoba e Sevilha. No regresso evangelizou as Astúrias e a Galiza. Nomeado prior do convento de Guimarães, en Portugal, teve S.Gonçalo de Amarante entre os seus frades. É o padroeiro dos pescadores e navegantes, desfrutando na Galiza de grande devoção popular e invocado nas tempestades do mar como “São Telmo”. Embora não canonizado, Bento XIV confirmou-lhe o culto em 1741.

Actos 8, 26-40 ; Sal 65, 8-9. 16-17. 20 ; João 6, 44-51

NÃO ESTAMOS DESLIGADOS DO MUNDO ( Jo. 6,44-51) . “O pão que darei é a Minha carne …”, palavras que eram para os ouvintes de Jesus, incompreensíveis, inadmissíveis, escandalosas, e suscitaram o afastamento de muitos discípulos. A expressão é violenta. Em grego, a palavra “carne” é terrivelmente concreta. O leitor da cultura judaica sabe que se trata da vida humana na fragilidade da sua finitude, mas João escolhe a palavra mais chocante, ao ponto dos adversários dos cristãos, no séc.ll, falarem de canibalismo. É que João quer evitar-nos a falsa espiritualidade: Jesus não propôs uma forma etérea de participação na Sua vida e mensagem; mas convidou os que acreditam a entrarem concretamente com Ele no dom de si próprios, mesmo na carne entregue à morte. Para nós, 2000 anos depois, são palavras fáceis de entender porque sabemos que Jesus falava da Eucaristia, que vivemos como sacramento recebido pessoalmente, em comunidade eclesial. Mas talvez não sublinhemos suficientemente uma importante passagem do “discurso sobre o pão da vida”: a carne de Cristo é também dada “para a vida do mundo”. Comer o pão eucarístico é acolher, na fragilidade das nossas vidas, as pobrezas e dificuldades dum mundo que Deus quer transfigurar. Deus feito homem está ali para nos acompanhar e sustentar a vida do mundo para lá das nossas comunhões particulares. O pão da vida é-nos dado num universo resgatado por Cristo. Não estamos desligados do mundo, mas sim num mundo-universal, salvo apesar das aparências…

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.