SEXTA-FEIRA – 27/JUNHO/2014

SagradoCoracaoDeJesus_03A FESTA DA TERNURA. O mês de Junho é dedicado ao Sagrado Coração de Jesus e tem por fundamento bíblico a passagem do evangelho de João (19,31-37) relativo ao lado trespassado dO Salvador na Sexta-Feira Santa na cruz. “Do Seu lado trespassado, jorrando o sangue e a água, Ele fez nascer os sacramentos da Igreja”, diz o prefácio da missa desta solenidade. Fixada na sexta-feira seguinte ao 2º domingo depois dO Pentecostes, esta festa poderá ser continuada a celebrar-se, ao longo do ano, nas primeiras  sextas-feiras de cada mês. Foi na capela da Visitação do convento Paray-le-Monial que STA. Margarida Maria Alacoque (festejada em 16/Out.) teve a revelação da profundidade do amor de Cristo por todos os homens. É igualmente em Paray que S. Claude La Colombière, seu confessor jesuíta (festejado a 15/Fev.) tem uma capela.  Temos de admitir serem, por virtude do seu realismo romântico, dificilmente suportáveis a maioria das imagens ligadas a esta devoção. Mas quem se atreverá a dizer que, numa sociedade de violência e de exclusões seja supérfula uma viril “ternura”? Num mundo de competição incessante, quem não reconhecerá a urgência de reintroduzir a mansidão da justiça quer nas relações pes-soais quer entre os povos, e a humildade nos tensos acordos humanos´?  Para se construir a “civilização do amor” pede-se na oração da comunhão da missa de hoje que “Cristo nos ensine a reconhecê-lO nos nossos irmãos”.

Deuteronómio 7, 6-11; Sal 102, 1-4. 6-8.10 ; 1João 4, 7-16 ; Mateus 11, 25-30

“EU SOU MANSO E HUMILDE DE CORAÇÃO…” (Mat.11,25-30).   Quem poderia ter idéia da mansidão e da humildade do coração de Cristo? Este coração, ao mesmo tempo divino e humano, fez-se todo amor ; nele só há obediência e fidelidade aO Pai. Tornando-Se um de nós, nada reteve para Si mesmo e jamais cessou de revelar o rosto de Deus dando-Se totalmente, até à morte, para fazer de nós, pela Sua Ressurreição, viventes que vêm Deus face a face.  Hoje somos convidados a mitigar a sede na fonte de água viva que jorra do coração de Cristo (Jo.7,37-39), a acolher “a ternura do coração do nosso Deus” (Luc.1, 78) que vem visitar-nos, a deixar-nos conduzir pelO Filho até ao mais profundo do mistério trinitário que é comunhão, dom mútuo. Então, qualquer que seja o fardo a pesar sobre nós, tentemos dar resposta ao apelo de Jesus e não O deixar “só”, Ele que nos aguarda e que, na Sua humildade, Se propõe sem Se impôr. Assim, poderemos bendizer Deus no mais íntimo do nosso ser e encontrar repouso.

“Meditações Bíblicas”, tradução das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl.Panorama,  Ed.Bayard, Paris). Recolha e síntese: Jorge Perloiro.