DOMINGO DA EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ – 14/SETEMBRO/2014

Números 21,4b-9 ; Sal 77,1-2. 34-38 ; Filipenses 2, 6-11 ; João 3,13-17

SalveCruzGloriosaLeitoDoMeuRedentorA CRUZ, CAMINHO DE VIDA. “Aquele que foi crucificado na carne, Nosso Senhor Jesus Cristo, é verdadeiro Deus, Senhor da glória e Um da Santa Trindade”(2º Concílio de Constantinopla, junho 553). Sentimos vertigens perante semelhante afirmação! Um da Santa Trindade foi crucificado na carne. “Porque Deus amou tanto o mundo que lhe deu O Seu Filho Único”. Sobre a Cruz joga-se de forma definitiva o dom do amor. O acontecimento da morte de Jesus faz passar a cruz, instrumento de suplício, ao estatuto de Cruz, instrumento de salvação de todos os homens. Este acontecimento impõe-se à reflexão e precede-a:“Eles hão-de olhar Aquele que trespassaram”. Por Jesus Se ter entregue nela absolutamente ao amor dO Pai, Único a poder fazê-lO viver, a Cruz tornou-se a porta do Céu.  Da acção da morte, em que o homem tantas vezes é cúmplice, Deus faz jorrar, por Cristo e n’Ele, uma vida mais forte que morte.  Por isso, o caminho que Cristo seguiu tor-nou-se caminho da vida para o homem pecador. A Cruz fala ao mesmo tempo do amor extremo, com que Deus ama os homens – “Não existe maior amor do que dar a própria vida por aqueles que se amam” – e do amor de oferenda, em que o homem pode amar a Deus e ao seu irmão. S. Paulo podia então exclamar : “A linguagem da Cruz, de facto, é loucura para os que se perdem, mas para os que se salvam, para nós, ela é potência de Deus”.  Cada um de nós pode dizer com ele: “Para mim, que nunca me glorio senão na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, que fez do mundo um crucificado para mim, e de mim um crucificado para o mundo”. Cristo é a vinha. Ábside da Basílica de S.Clemente em Roma,  próxima do Coliseu, está ornada com um magnífico mosaico do séc.XII. A imagem alia a  qualidade artística à densidade teológica. Sobre o fundo dourado da ábside, a cruz cria uma abertura que liga a Terra às esferas celestes. Jesus está morto na cruz mas permanece numa atitude de oferenda.  A aceitação da Sua vida, entregue por Si, está significada pela mão dO Pai que lhE estende a corôa da vitória : Aquele que “se esvaziou de Si mesmo, tomando a condição de servo”, “Deus O exaltou” (Filipenses 2,6-11). A árvore da morte tornou-se árvore da vida. Da cruz nasce uma fonte impetuosa donde saiem quatro rios onde os veados vêm beber.  Na sua base cresce uma imensa vinha cujas inúmeras vergônteas cobrem o espaço. Os frutos são múlitplos, mas a imagem convida-nos a não esquecer a sua origem: “Eu sou a vinha, e vós, os sarmentos. Aquele que permanece em Mim e em quem Eu permaneço, esse dará muito fruto, porque fora de Mim nada podeis fazer” (João15, 5).

“DEUS AMOU TANTO O MUNDO…” (Jo.3,13-17). Jesus explica a “descida do céu/subida ao céu” dO Filho do homem.  Duas razões são apresentadas: o amor imenso de Deus pelo mundo e o envio dO Filho de Deus a este mundo, ligadas entre si. É por Deus amar tanto o mundo que lhe enviou O Seu filho.  O objectivo último do que aqui é dito é“a vida eterna” do crente nO Filho único de Deus e “a salvação do mundo”. A morte (“perecer”) opõe-se à vida eterna, e o “julgamento” à salvação.   O Filho do homem, que desceu do céu, é O único a ser elevado ao céu. A Sua necessária elevação recorda a elevação da serpente de bonze por Moisés no deserto. Esta elevação tem como consequência o dom da vida eterna a todo o homem que acreditar n’Aquele que foi elevado. Se Nicodemos, no relato, tem dificuldade em entender, os cristãos depois da Páscoa reencontram no evangelho de João este cate-cismo.  O Ressuscitado é reconhecido como correspondendo às figuras dO “Filho do homem” e dos “filhos de Deus” das Escrituras. A elevação evoca a da Cruz;  ela significa a exaltação de Jesus junto dO Pai celeste.  A meditação das Escrituras permite apreender o imenso amor de Deus pela humanidade. A vinda de Jesus para o meio de nós é bem representativa desta revelação do amor de Deus ; mais ainda, para os cristãos ela coroa esse amor infinito que as Escrituras mostram.  “Crer” é a palavra chave do evangelho de João. Crer em Jesus, é reconhecê-lO como O enviado de Deus, que cumpre as Escrituras, que nos mete pela Sua elevaçâo na vida eterna. João recorda-nos que Jesus tinha plena consciênia da Sua intimidade com Deus Pai e que Ele deu a Sua vida até a fim por fidelidade.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.