BTO. ROLANDO DE MÉDICIS (1330-1386). Viveu vinte seis anos como eremita numa floresta perto de Parma, entregando-se inteiramente à contemplação, em linha directa com os Padres do deserto.
NOSSA SENHORA DAS DORES O pensamento de Maria aos pés da Cruz tem ajudado muito os cristãos de todos os tempos a encontrarem um sentido para os sofrimentos.
Hebreus 5, 7-9 ; Sal 30, 2-6. 14-16. 20 ; João19, 25-27 ou Lucas 2, 33-35
“ELE SUBMETEU-SE EM TUDO…” (Heb.5,7-9). O texto da Carta aos Hebreus evoca o relato do Getsémani: angústia e súplica de Jesus perante a morte terrível que O espera. Ora, diz-nos o autor, Jesus foi salvo da morte ; para lá do visível, o Seu pedido foi atendido por Deus “porque Ele Se submeteu em tudo”. O texto grego aqui interpretado é um pouco diferente; fica melhor traduzido “por causa da Sua piedade”. A palavra utilizada, da cultura greco-romana, designa um respeito profundo , um justo distanciamento observado face à divindade. Ela representa um tipo de relação em que cada um reconhece plenamente o lugar e a decisão do outro. A permuta entre Jesus e O Pai leva ao extremo a atenção mútua, num laço tão forte que atravessa a morte.
A COMPAIXÃO,CRITÉRIO DO AMOR AUTÊNTICO (Jo.19,25-27). Talvez nos sintamos incomodados nesta festa, porque desconfiamos de qualquer exaltação do sofrimento. Procuremos então decifrar o que ela nos dá para meditação. Assim, a correcta compreensão do sofrimento humano – o de Cristo e o de Sua mãe – interpela o mundo ocidental com a sua propensão para o esconder ou o realçar. Quanto á dimensão da compaixão, que consiste sofrer com o outro, acompanhamo-lo no seu caminho de dor, ela é-nos apresentada como critério do amor autentico: de Maria pelo Seu Filho e pelos membros do seu Corpo de que Ele é a cabeça.
“MULHER, EIS O TEU FILHO…” (João 19,25-27). Em algumas palavras simples realiza-se um acontecimento inaudito : Maria, a Mãe de Deus, torna-se a Mãe da Igreja. Com O Senhor da Vida crucificado, entramos num mistério duma vida maior do que a maternidade humana. Maria está ali em compaixão com O seu Filho, “só no maior sofrimento”, e então que cumpre-se a abertura sobre o infinito do mistério de Deus. A Páscoa já está ali! Nunca esqueçamos que com Cristo a morte foi aniquilada de uma vez por todas, e que a Ressurreição teve lugar. Quando formos, com a humanidade, mergulhados no mistério da dor, deixemo-nos penetrar pela certeza de que a vida é vitoriosa. A Mãe dO Crucificado, a Mãe dO Ressuscitado, a nossa Mãe, ensinar-no-lo-à pouco a pouco.
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