STO. AMBRÓSIO (340-397). Escolhido como bispo de Milão quando era apenas ainda um mero catecúmeno, Ambrósio tornou-se conselheiro do imperador Teodósio. Teve uma importância determinante na conversão de STO. Agostinho. É Doutor da Igreja.
Isaías 40, 1-5. 9-11 ; Sal 84, 9-14 ; 2 Pedro 3, 8-14 ; Marcos 1,1-8
A VOZ QUE CLAMA NO DESERTO (Marc.1,1-8). A excentricidade de João Baptista pode surpreender quem se detiver só na descrição das suas vestes em pele de camelo ou na sua alimentação à base de mel silvestre e gafanhotos. Ele é profeta e, assim, abala os códigos estabelecidos. A essência da sua mensagem é, antes de mais, um apelo à conversão. Escutêmo-lo! Entre a expectativa prolongada e os sinais de salvação já patentes, a palavra de Deus convida-nos a que assumamos a inevitável tensão da vida cristã : ser vigilantes. Mas não nos equivoquemos nessa atitude. O vigilante não é alguém que se limita a escrutinar o horizonte, completamente passivo e isolado do mun-do, numa espécie de tempo suspenso, entre as profecias do passado e as promessas do futuro. Porque, como sublinha STO. Agostinho, “o futuro e o passado não são nada”. Para ter uma acção pertinente no mundo de hoje, o vigilante terá que se enraízar no presente, único elo à vida real : “O presente do passado, é a memória ; o presente do presente, é a atenção actual; o presente do futuro, é a sua expectativa”. Memória, atenção e expectativa são as três facetas da vida cristã neste tempo do Advento. A memória só tem sentido por transformar a leitura que fazemos do mundo de hoje. A atenção torna mais activo o nosso empenha-mento actual. Sim, os vigilantes, os profetas, os Joões Baptista nossos contemporâneos, assumem toda a sua envergadura quando vivem o tempo presente ! Vigiar, é pois sobretudo assumir a responsabilidade de empreender, de agir hoje para transformar o mundo. Isaías, Paulo e Marcos dizem-no, cada um à sua maneira : trata-se de “consolar o povo”, de “abrir um caminho”, de “tudo fazer” para sermos irrepreensiveis e anunciarmos Aquele que vem, apresentando-O ao mundo contemporâneo. Por isso, mãos à obra! Que o tempo gasto a escrutinar as Escrituras dê frutos, na nossa qualidade de estar no presente e nas nossas múltiplas actividades, para melhor fazer advir O Reino!
“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.
Deverá estar ligado para publicar um comentário.