TERÇA-FEIRA – 21/ABRIL/2015

S.TO ANSELMO (1033-1109). Grande teólogo, tornou a abadia beneditina de Bec-Hellouin (Normandia) num centro espiritual de renome em que a norma era a mansidão, a bondade e a alegria. Primaz de Inglaterra, arcebispo de Canterbury. É Doutor da Igreja.

S.CONRADO DE PARZHAM (1818-1894). Durante quarenta anos, ele foi o porteiro do convento capuchinho de Nossa Senhora d’Altoting, na Baviera). Diz-se que “Ele acolhia todos, como se cada um fosse o próprio Cristo a bater à porta”.

Actos 7, 51–8,1a ; Sal 30, 3cd-4. 6ab. 7b. 8a.17. 21ab ; João 6, 30-35

“SENHOR DÁ-NOS SEMPRE DESSE PÃO.” (Jo.6,30-35). Tal como a Samaritana que pedia a Jesus para lhe dar a beber da água viva, a multidão pede hoje o pão que não se esgota… Jesus não critica esse desejo, mesmo que seja necessário purificá-lo, transformá-lo. Muitas aspirações dos homens são sinais de uma vida espiritual, de uma procura do absoluto, de uma busca de Deus. Elas não conduzem sempre explicitamente a Deus e, por vezes, parecem até afundarem-se no que lhE é contrário (p. ex., os tipos de vício que escravizam). Saber descobrir mesmo nos vícios uma verdadeira sede, uma verdadeira fome, mesmo que ela não seja superada, é olhar para as pessoas com amor, é vê-las a partir daquilo que elas têm de maior, de mais alto. É por aí que Jesus começa. O Seu discurso sobre o pão da vida abrange todo o mistério da Encarnação e da Redenção. Na terra o homem não encontra alimento com facilidade e, por mais que se esforce, por mais que trabalhe, não consegue saciar a sua fome ; para isso é necessário O alimento novo que vem do céu. É isto que Jesus quer fazer compreender aos discípulos. A incompreensão em que Ele esbarra não vem apenas do mal-entendido das palavras, mas sobretudo do facto dos homens desconhecerem a sua verdadeira fome. É preciso despertá-los e abrir-lhes as portas obstruídas pelos apetites exclusivamente terrestres. Para o conseguir, Cristo irá pagar com a Sua vida. E será igualmente por isso que o diácono Estevão é apedrejado até à morte por homens com apetites apenas terrestres, sem que tal diminua neles a eficácia dos desígnios divinos de salvação. “Eu sou o pão da vida, diz-nos sempre O Senhor…

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.