S. VICENTE DE PAULO (1581-1660) . “Servindo os pobres, serve-se Jesus Cristo”, era a profunda convicção de S.Vicente de Paulo, fundador das “Damas de Caridade” (actuais Equipas de S.Vicente), dos “Sacerdotes da Missão” para evangelização dos camponeses e das “Filhas da Caridade” para cuidar dos miseráveis.
Números 11, 25-29 ; Sal 18, 8. 10. 12-14 ; Tiago 5, 1-6 ; Marcos 9, 38-43. 45. 47-48
DISCERNIR OS ERROS ( Sal. 18,8.10.12-14) . “Vamos reler nas nossas bíblias o Sal.18(19), do qual a liturgia de hoje nos propõe um excerto. Ele faz-se eco da experiência pessoal do Salmista e também pode ensinar-nos a viver as nossas vidas e a procurar nelas os traços de Deus para descobrirmos a sua densidade e beleza. Aprendamos a maravilhar-nos com a Criação e com a forma como ela “manifesta a glória de Deus”. Isso implica um olhar contemplativo e algum distanciamento perante as preocupações imediatas. Deixemos que a Palavra e a Sua Lei revistam de sentido e de verdade as relações com nós próprios, com os outros e com Deus. Isto supõe uma convivência assídua num clima de procura e de oração, mas também a confrontação permanente da Palavra com o concreto das nossas vidas, para “discernir os erros” e evitar as armadilhas do orgulho que nos separa de Deus e dos irmãos” (Irmã Emmanuelle Billoteau, beneditina).
O Evangelho deste domingo ( Marc. 9,38-43.45.47-48) constitui um apelo vibrante para construir a unidade apesar das divergências; isto para se manifestar ao mundo, à procura de referências humanas, que Cristo é mais forte que tudo o que semeia a divisão. Todas as leituras de hoje exprimem isso : o profetismo inspirado pelO Espírito de Deus no tempo de Moisés e a capacidade dos discípulos de Cristo para expulsar o Mal ; o que importa é deixar Deus agir, sem colocar obstáculos à Sua graça mesmo quando ela ultrapassa o nosso entendimento. Mais uma vez os milagres acontecem quando o homem se entrega nas mãos de Deus.
“QUEM NÃO ESTÁ CONTRA NÓS ESTÁ A NOSSO FAVOR. ” Esta afirmação de Jesus é um apelo à paz com os irmãos do mundo inteiro, sem receio das diferenças que eles possam representar. Cada vez mais os dirigentes de todo o mundo tentam encontrar soluções que promovam uma melhor convivência e apaz iguem as incompreensões. O papa Francisco apela sem cessar para que se construa esta unidade entre os povos e culturas, no respeito e acolhimento total de cada um, especialmente dos mais pobres. A globalização conduzirá inevitavelmente à mistura das culturas e das formas de viver ; todos temos disto experiência seja no domínio profissional, na família, ou até nas nossas próprias comunidades religiosas. O tradicional regresso, em Setembro, de cada um aos seus afazeres habituais, constitui uma boa oportunidade para se pedir o apoio dO Senhor e ousar que o imprevisto aconteça nas nossas vidas. E porque não sermos, também nós, profetas da unidade? “Numa linguagem forte Jesus declara aos discípulos quais são as prioridades da vida humana. Devemos sobretudo procurar a humilde confiança da fé, tão frágil e todavia tão preciosa. Pouco importa se este cuidado limitar a nossa eficácia apostólica. É preferível ser-se maneta, estropiado, ou zarolho com Deus, do que estar na plena posse de todos os meios de acção sem Ele”. Irmão Richard, Taizé.
Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese Jorge Perloiro.
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