1ª SEXTA-FEIRA – 6/NOVEMBRO/2015

SaoNunoDeSantaMariaSÃO NUNO DE SANTA MARlA (1360-1431). Herói celebrado como Condestável do reino de Portugal e personalidade decisiva na defesa da identidade nacional na crise que se seguiu à morte do rei D. Fernando (1385), deve ser admirado pelas suas virtudes de santidade: dele sabemos  ter-se dedicado à prática da caridade (por dedicação a socorrer a pobreza envergonhada, logo quando tomou posse das suas terras, por casamento em Cabeceiras de Basto), foi de integridade de carácter nunca desmentida, demonstrando  lealdade ao rei,  a quem serviu, e  fazendo do respeito pelos outros forma de adoração de Deus, nunca esquecendo que n’Ele e na devoção a Maria encontrava  inspiração para as suas acções, mesmo quando eram de carácter militar. Os príncipes de Avis, a começar por D.Duarte, tratavam-no por “santo conde” e  introduziram o processo de canonização em Roma, logo após a sua morte, mas ela apenas foi declarada por Bento XVI, em 2009.

Romanos 15, 14-21 ; Sal 97, 1-4. 13-14 ; Lucas 16,1-8

“O MESTRE  ELOGIOU O ADMINISTRADOR DESONESTO…” (Luc.16,1-8). É surpreendente  ver  este  “senhor”  louvar  a  habilidade de alguém que delapidou o seu património. Talvez ele considerasse que os devedores já nunca conseguiriam reembolsá-lo. Também é possível que, numa primeira versão, tivesse sido Jesus a elogiar a habilidade do administrador desonesto… Face à grande diferença existente entre as dívidas e os bens do proprietário, Jesus até podia aprovar esses pequenos ajustamentos. Ora, na nossa vida, é exactamente  isto mesmo que somos chamados a  fazer. Imaginemo-nos subitamente  colocados perante a realidade da “justiça” da nossa vida: “Como acolhemos a graça de Deus ?  Como respeitámos os mandamentos e, sobretudo, como praticámos o mandamento dO Amor ?” Obviamente que nos será impossível encontrar forma capaz de compensar a  imensidão das faltas cometidas. O único recurso é olhar para a misericórdia de Deus – cujos bens administramos – e pedi-la com muita fé e esperança.

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama,  Edição Bayard, Paris).