IV DOMINGO DO ADVENTO – 20/DEZEMBRO/2015

a_VisitacaoASantaIsabelS. DOMINGOS DE SILOS (1073) . Domingo de Silos foi pastor na juventude e mais tarde, após ser presbítero, retirou-se como eremita. Grande figura beneditina, deu nova vida ao mosteiro de Silos, próximo de Burgos, de que foi abade durante 30 anos. Taumaturgo, tornou-se famoso pelas acções que empreendia para resgatar do cativeiro os prisioneiros cristãos dos mouros. Depois da morte, o seu túmulo transformou-se num lugar de peregrinação.

Miqueias 5,1-4a; Sal 79,2-3.15-16.18-19; Hebreus 10,5-10; Luc.1,39-45

“O DIA EM QUE CONCEBERÁ AQUELA QUE DEVE DAR À LUZ… ”( Miquei. 5,1-4a) . Para sentir todo o sabor destes versículos, será bom reler o livro completo de Miqueias cujo nome significa: “Quem como Deus?” Através da escrita deste profeta esboça-se uma resposta a esta pergunta. Assim, Deus é Quem pode responder à infidelidade e ao arrependimento de Israel (e à nossa) com uma intervenção decisiva. Tal como fez maravilhas ao dar vida a uma criação abundante e boa a partir do caos primordial (Génes.1), Ele pode criar de novo a “Belém-Efrátá, tão pequena, entre as famílias de Judá”. Porque apraz a Deus agir a partir do “nada” e do “pouco”. David não era o último dos irmãos? (1 Samuel 16) . Ora é precisamente de um novo David que se está a falar neste oráculo, de um messias que é rei, de um pastor que garante a paz e a unidade do Seu povo. O silêncio e o abandono aparente de Deus não são definitivamente a Sua última palavra nas nossas roturas da Aliança. A tradição cristã vê neste texto o anúncio do nascimento de Jesus (Mat.2 , 6 ), após séculos em que Deus Se calara: “Já não vemos os nossos sinais, já não existem mais profetas, e ninguém sabe até quando isto durará…” (Sal.73 , 9). Um tempo de prova para os crentes mas também para aprofundarem o desejo, e se purificarem. Como viver esta expectativa ? Retornando à revelação, para alimentar a fé e a esperança de que Deus irá cumprir o que prometeu? Tomando Deus à parte, como o salmista, e perguntando-lhE: “Quanto tempo, ainda, Senhor?” (Sal.12 , 13) , ou na indiferença, nas distrações, na hiperactivdade, fabricando “bezerros de ouro” ? (Êx.32) . Seja como for, contemplemos os humildes começos de Cristo e os “hábitos” de um Deus tão próximo da vida na sua fragilidade. Com Maria e Isabel deixemo-nos habitar pelO Espírito para receber aquela alegria que ninguém nos poderá arrebatar.

“BENDITA ÉS TU ENTRE AS MULHERES…” ( Luc. 1,39-45) . A alegria é o sentimento que domina esta cena VISITAÇÃO A STA. ISABEL do encontro de Maria e Isabel. Alegria do Precursor, que estremece à aproximação dO Messias. Alegria de Isabel, que reconhece em Maria a mãe dO Salvador. E a alegria de Isabel é também a alegria do povo de Deus, presente diante da maternidade divina de Maria : ao acolher O Salvador, ela é a imagem da Igreja. Na primeira vez que Maria foi chamada Mãe de Deus (séc. lV ),S TO Atanásio pôde dizer: “O Verbo assumiu a carne da Virgem Maria, e fez-Se homem”. A cena da Visitação faz-nos descobrir Maria como terreno do reencontro.
Por ter sido nela que Deus Se tornou homem, ela é “a Teotokos”, Mãe de Deus. Sim !, Maria, tu és bendita entre todas as mulheres!

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye. Selecção e síntese: Jorge Perloiro.