DOMINGO DO PENTECOSTES – 15/MAIO/2016

a_PentecostesTodos os anos se reunia grande multidão em Jerusalém porque O Pentecostes era a ocasião de uma das três maiores festas do ano : a festa do dom da Lei a que os judeus chamam “Tora” : “Tinham acorrido a Jerusalém judeus fervorosos, vindos de todas as nações do mundo”. Falar de “todas as nações” é força de expressão, porque na realidade tratava-se de representantes das diferentes colónias judaicas dispersas pela bacia do mediterrâneo: “Partos, Medas, Elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Capadócia, das margens do mar Negro, das províncias da Ásia, da Frígia, da Pamfília, do Egipto e da Líbia próxima de Cirene, Cretenses e Árabes, habitantes da Judeia e Romanos residentes em Jerusalém. Havia Judeus de nascença e também convertidos ao judaísmo, chamados prosélitos”.Toda esta gente sempre que se reunia no Templo de Jerusalém, dava graças pela Aliança oferecida por Deus e evocava as promessas transmitidas pelos profetas, em particular Joel : “Um dia, Deus encher-nos-á a todos com O Seu Espírito e nós seremos renovados por dentro. Então a Sua Lei ser-nos-á absolutamente natural”; “Os corações de pedra tornar-se-ão corações de carne”, segundo a bela expressão de Ezequiel.

Actos 2,1-11 ; Sal 103, 1ab. 24ac. 29bc-31. 34 ; Romanos 8, 8-17; João 14,15-16. 23b-26

“QUANDO CHEGOU O PENTECOSTES ESTAVAM TODOS REUNIDOS… ” ( Act. 2,1-11) . As palavras que Lucas escolhe para relatar nos Actos dos Apóstolos o que se passou naquele dia, evocam irresistivelmente a tradição judaica: o grande acontecimento do “dom da Lei” por Deus a Moisés, as “promessas” dos profetas, e a “Babel” da confusão das línguas. Desde logo, o “ruído”, o “vento forte”, e as “línguas de fogo” são as palavras com que os rabinos, nas sinagogas, narram a manifestação de Deus no Sinai, quando ditou
os mandamentos a Moisés, gravadas nas pedra das tábuas da Lei conservadas na Arca da Aliança. Quanto a Babel, recordemo-nos que já nesta cidade Deus havia feito compreender ao homem que a verdadeira unidade nunca pode atingir-se na uniformidade: no dia do Pentecostes, realizou-se finalmente essa perfeita unidade, a partir de todas as diversidades. Vindos de toda a parte, de culturas, línguas e horizontes diferentes, eles admiravam-se: “Todos os ouvimos proclamar na nossa própria língua as maravilhas de Deus !” Passemos, também nós, da expectativa ao testemunho. A fé missionária dO Pentecostes é o impulso dinamizador das nossas comunidades. Comecemos por ter a coragem de falar de Jesus às pessoas que nos rodeiam. Digamo-lhes, com a linguagem universal do coração e das acções, que Jesus ressuscitado é o tesouro da nossa vida. O Espírito Santo nos suscitará palavras simples e acções vivificadoras que todos compreenderão. Sim, reúnamo-nos disponiveis aO Espírito!

“EU APELAREI AO PAI, E ELE VOS DARÁ OUTRO DEFENSOR (PARÁCLITO) QUE ESTEJA SEMPRE CONVOSCO…” (Jo. 14,15-16.23b-26). Para além dos Actos, outras passagens evangélicas se relacionam, cada uma à sua maneira, com O Pentecostes. Será por isso de estranhar que O Evangelho do dia dO Pentecostes seja a narrativa de um discurso de Jesus aos discípulos, na véspera da Páscoa? S. João escreve esta grande meditação a pensar nas comunidades cristãs, fruto da Páscoa e da pregação apostólica. Ele põe o acento tónico no dom dO Espírito, chamado “outro Defensor”, e recorda os conselhos de “amar Jesus” e “guardar a Sua palavra” para “a vinda” e “a morada” dO Senhor Jesus e dO Pai em casa do discípulo. Por fim, insiste que a “palavra” de Jesus é a palavra dO Pai, e que O Defensor será quem “ensina tudo aos discípulos e os faz recordar” aquilo que Jesus lhes disse. Com a Páscoa abrem-se novos tempos. Agora já não se vê Jesus. Vem um outro Defensor, que é O Espírito Santo Paráclito. Este Espírito, enviado pelO Pai graças à oração e em nome de Jesus, tem por função defender os discípulos e estar sempre com eles. Com O Pentecostes chega o tempo dos discípulos. Eles recebem a missão de amar Jesus e de viverem o Evangelho na seara do mundo, ou seja, de guardarem os Seus mandamentos e as Suas palavras com toda a fidelidade, integralmente. Eles nunca ficarão desamparados : O Sopro divino (Espírito Santo) estará sempre com eles para os defender e confirmar na fé.

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.