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SEXTA-FEIRA – 9/JANEIRO/2015

STO. ANDRÉ CORSINI (1301-1374). Bispo carmelita; “tinha o dom dos milagres e profecias”

1 João 5, 5-13 ; Sal 147, 12-13, 14-15, 19-20 ; Lucas 5,12-16 

LEVEMOS AOS OUTROS A VIDA RECEBIDA! (1 Jo.5,5-13). O ano 2014 foi difícil e o de 2015 começa cheio de incertezas. Como fiéis de Cristo, somos chamados a ter lúcida esperança. Temos muitas razões para desesperar mas a fé diz-nos que Cristo será O vencedor. Deus não nos abandonará em 2015. Tenhamos a coragem de acreditar mais no Seu testemunho do que no testemunho dos profetas da desgraça. No Filho que nos é dado, nós temos a Vida. Compete-nos levá-la ao mundo. Levemos essa Vida que recebemos, aí onde tantos homens e mulheres pedem uma vida digna: nos hospitais, nas periferias, junto das pessoas encurraladas pelo desemprego. É ao levar a vida recebida que se dá crédito ao testemunho de Deus.

“SENHOR, SE TU QUISERES…” (Lucas,12-16). Duvidaria este leproso da bondade de Jesus? Ele podia muito bem ter evitado a condição (“Se Tu quiseres”), como tantos outros que se tinham satisfeito com um (“Cura-me!”). Todavia, o pedido do leproso é mais justo: em Jesus, reconhece que a omnipotência de Deus (“Tu podes purificar-me”) está indissociada da Sua liberdade soberana (“Se Tu quiseres”). Ora, nós esquecemos isto demasiadas vezes: não compreendemos porquê, se Deus pode tudo, não satisfará Ele todas nossas vontades. Queremos que a Sua omnipotência esteja ao serviço da nossa pequena vontade, esquecendo que Ele é soberamente livre. Tal como este leproso prostrado diante de Jesus a suplicar-lhE, compete-nos fazer aquilo que depende de nós e depois remeter tudo à Sua vontade.

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUINTA-FEIRA – 8/JANEIRO/2015

S. PEDRO TOMÁS (1305-1366). Carmelita, teólogo e bispo. Defensor do dogma da “Imaculada Conceição”.

1 João 4,19–5, 4 ; Sal 72 ; Lucas 4, 14-22a

O ENCONTRO DOS IRMÃOS (1 João 4,19-5,4). Demasiadas vezes, nas nossas comunidades, a fé viva e a solidariedade activa opõem-se estérilmente, ao ponto de se pressentir uma tensão interior entre a nossa fé e as necessidades de solidariedade humana. Nesta passagem da carta de S. João, diz-se que, ao contrário, a qualidade das relações fraternas e a promoção humana são o substracto do encontro com O Senhor. Com efeito, é pelos outros que nós somos conduzidos aO Pai. Amar significa unificar as nossas vidas pela via do encontro dos irmãos, fazendo como O Filho: amar, curar, apoiar.

“CUMPRIU-SE HOJE A PASSAGEM DA ESCRITURA QUE ACABAIS DE OUVIR” (Luc.4,14-22a). Estará Jesus confundido com as datas? Com efeito, não é hoje que Ele é consagrado pela unção dO Espírito Santo, que já sucedera no dia do Seu baptismo. Da mesma forma quando Ele prometer no Calvário ao bom ladrão: “Hoje mesmo tu estarás coMigo no paraíso”. A cronologia continua incerta! Mas o tempo escatológico de Deus não é o nosso tempo cronológico: toda a eternidade está contida neste hoje, no qual o fim já chegou sem, todavia, ficar totalmente cumprido. Neste hoje da sinagoga, a Escritura já se cumpriu, mas ela cumprir-se-á também no hoje do bom ladrão, tal como se cumpre igualmente nas liturgias quotidianas que actualizam a presença de Cristo já, ali mesmo, e nos fazem tender para a Sua manifestação futura… hoje.

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUARTA-FEIRA – 7/ JANEIRO/2015

S. RAIMUNDO DE PENAFORTE (1175-1275). Fundou escolas de línguas orientais ; escreveu o manual “Summa contra gentiles”.

1 João 4,11-18 ; Sal 71, 2.10-11.12-13 ; Marcos 6, 45-52

A ESCOLA DO AMOR (1 João 4,11-18). A fidelidade a Cristo é um encontro quotidiano dO Senhor, com, por e para os outros. Depois de ter reconhecido o dom dO Pai em Jesus Cristo, somos chamados a entrar na dinâmica da Encarnação. Amar é dar-se aos outros, como O Filho Se dá a todos os homens. É descentrar-se de si mesmo para criar lugar ao outro. Amar os outros, é apoiar-se no amor dO Pai e dO Filho para connosco. Este amor divino é uma escola interior que nos transforma dia após dia. A força para amar os desfavorecidos e os marginalizados vem desta relação interior com a dinâmica da Encarnação. No Natal aprendemos a amar-nos uns aos outros.

“JESUS OBRIGOU OS DISCíPULOS…” (Mar.6,45-52). Como compreender que Aquele que chama livremente os Seus discípulos possa assim forçá-los, tanto mais que esta obrigação significava separarem-se d’Ele e arriscarem-se a ficar sós no meio do mar! Quando, em plena tempestade, os discípulos vêem Jesus a caminhar sobre as águas, “fazendo menção de passar adiante”, então começam a gritar. Deus é um grande pedagogo. Quando nos obriga, é para nos tornar livres. Quando somos submetidos às provações, quando parece que Deus está ausente e até nos ignora, Ele ouve o nosso clamor e diz-nos: “Confiança! Sou Eu, não tenhais medo!”

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

TERÇA-FEIRA – 6/JANEIRO/2015

1 João 4,7-10; Sal 71, 2. 3-4ab. 7-8; Marcos 6, 34-44

RECONHECER O DOM (1 João 4,7-10). O amor fica frequentemente um sentimento vago ou emoção efémera. A sua palavra fica calada. Sem dúvida nós esquecemos demasiado depressa o tesouro da Palavra. A carta de S. João é antídoto para a dificuldade de nos apercebermos do amor. Os fiéis de Cristo não devem buscar primeiro um sentimento, mas verem o amor de Deus manifestado em Jesus. Para um cristão, o amor começa ao receber o que O Pai lhe dá totalmente. Então, os seus sentimentos, as suas emoções, as suas relações ficam transformadas. Sim, o amor começa com o reconhecimento do dom. Amar, é receber a vida que Deus quer dar-nos.

“ELE COMEÇOU A ENSINÁ-LOS DEMORADAMENTE…” (Marcos 6,34-44). Se Jesus tivesse falado menos, talvez a hora não estivesse tão avançada… Se Ele não tivesse proclamado longamente a Sua Boa Nova, a multidão não teria ficado faminta diante d’Ele… O milagre da multiplicação dos pães – manifestação dos dons superabundantes de Deus à nossa dependência d’Ele – surge portanto como consequência da Sua longa prégação. Nós temos disso experiência: quanto mais longamente frequentamos a palavra de Deus mais ganhamos consciência que temos fome, que nos falta o alimento; e então mais O Senhor nos pode cumular com os Seus dons. Escutar longamente a palavra para termos fome do Pão da vida, não é precisamente o que nós fazemos em cada Eucaristia?

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SEGUNDA-FEIRA – 5/JANEIRO/2015

S. JOÃO NEPOMUCENO NEUMANN (1811-1860). Natural da Boémia, este redentorista tornou-se o arcebispo de Filadélfia onde revelou grande zelo apostólico e “dedicação aos pobres, jovens e orfãos”, edificando mui-tas igrejas, escolas e orfanatos. Foi canonizado pelo BTOPaulo Vl, em 1977.

BTO. PEDRO BONILLI (1841-1935). Sacerdote durante 35 anos em Spoleto, foi o fundador das “Irmãs da Sagrada Família”.

1 João 3,22–4,6; Sal 2,7-8.10-11 ; Mateus 4,12-17. 23-25

RetirouSeParaAGalileia_Tissot“ELE PERMANECE EM NÓS…” (1 Jo.3,22–4,6). Numa época complexa em que vale tudo, em que é difícil escolher e comprometer-se, S. João vem despertar-nos. A sua leitura é um correctivo a todos os “falsos profetas” de 2015. O acontecimento da vinda dO Filho, na nossa carne, é o encontro decisivo da humanidade. Que O filho Se dê, Se rebaixe e permaneça entre nós, eis o que determina a história e o sentido das nossas vidas. Compreende-se porquê os “falsos profetas” O recusam: o consumo e o hedonismo determinam-os, esta ou aquela “grande” política ou científica orienta por completo a sua existência… Tudo o que pedir a Deus, Ele concede-mo, se eu for fiél aos Seus mandamentos. Isto pode ser um grande obstáculo onde “tropeçam” muitos cristãos sinceros, quando confrontados com as dificuldades. STO. Agostinho marca claramente a diferença entre o “acolhimento favorável” para a nossa salvação e a “satisfação” dos nossos desejos: “Aprende a orar a Deus, entregando-te ao médico para Ele fazer o que julge ser bom. A ti bastará declarar a doença, a Ele aplicar o remédio… Fica em paz: a caridade pede e Deus escuta. Ele pode não fazer o que tu queres mas realiza sempre o que te é necessário”. A Epístola de João apela a reconhecermos que O Filho é O vencedor e O maior, pois Ele permanece em nós e dá-nos O Seu Espírito.

“JESUS RETIROU-SE PARA A GALlLElA…” (Mateus 4,12-17.23-25). Será que Jesus, O Filho de Deus Omnipotente, teve medo? Com efeito, o anúncio da prisão de João Baptista, cujo destino adivinhava, fê-lO voltar à Galileia. Em várias ocasiões, Aquele que Se deixará prender na Sexta-feira Santa, evitou expôr-Se demasiado. Porque Ele não Se sentia preparado, ou sobretudo porque os homens ainda careciam do Seu ensino e exemplo? Quer preservando a Sua vida quer dando-a, Jesus tem apenas uma única finalidade: “Proclamar o Evangelho dO Reino e curar todas as doenças”. Assim procede Ele também connosco, Deus entrega-Se, Deus esconde-Se, Deus está presente, Deus está ausente, mas tem em vista apenas a realização do Seu único desígnio: manifestar-Se aos homens para os salvar.

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.