Arquivo da categoria: Início

SÁBADO – 13/SETEMBRO/2014

SaoJoaoCrisostomoS. JOÃO CRISÓSTOMO (354-407). Uma mistura de Demóstenes e de S.João Baptista: assim pode definir-se Crisóstomo (“boca de ouro”, em grego), que foi ao mesmo tempo um excelente orador e profeta intrépido. Nascido em Antioquia numa família rica, após o baptismo aos vinte anos, meteu-se a estudar teologia e exegése e fez-se eremita no deserto. A solidão e a meditação das Escrituras consolidaram-no na fé mas as privações destruíram-lhe a saúde. Ordenado sacerdote, revelou-se prégador excepcional: “o vosso cão está saciado, mas Jesus Cristo morre de fome diante das vossas portas, na forma de um mendigo”. Patriarca de Constantinopla, denunciou a impiedade e corrupção da côrte e morreu no exílio. É  Doutor da Igreja.

1 Coríntios 10,14-22 ; Sal 115, 12-13. 17-18 ; Lucas 6, 43-49

“O HOMEM BOM, DO BOM TESOURO DO SEU CORAÇÃO TIRA O QUE É BOM…”  (Luc.6,43-49).  Com as Suas palavras, Jesus reconhece pois que o homem pode ser bom. Ao jovem rico que O chamara de “Bom Mestre”, Ele tinha todavia respondido: “sómente Deus é bom”. A bondade, formidável tesouro do coração, vem  de Deus; ela é Deus mesmo, fonte de todo o bem. Nós testemunhamos a bondade de Deus ao consentirmos ser habitados pelO Amor. Ao pôr-nos na escola de Cristo, doce e humilde, aceitamos deixar-nos ensinar por Ele e escutar a Sua Palavra, pondo-a em prática. Porque a Sua palavra é a vida : ela é certo que nos perturba, mas molda e transforma os nossos corações para os configuarar ao Seu. O tesouro está a nossa porta para cada um o acolher! Bem alimentados e enraízados em solo firme e fecundo, seremos capazes de vencer todas as tempestades e dar os frutos maravilhosos que Deus nos tem reservado. Purificar, podar, cuidar!  O que o discípulo faz é fruto dum encontro. O diálogo íntimo com Cristo que conduz aO Pai é semelhante ao tratamento duma árvore donde se esperam frutos.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro. 

SEXTA-FEIRA – 12/SETEMBRO/2014

SantissimoNomeDeMariaSTO. NOME DE MARIA. Como era habitual entre os Judeus, Maria provavelmente recebeu o seu nome alguns dias depois do nascimento.  O nome hebraico de Maria significa “senhora” ou “soberana”. Alguns dias após ter festejado a Natividade de Maria, celebramos hoje o seu Santo Nome e confiamo-nos à sua intercessão. O Papa S. Pio X decretou que esta festa fosse a 12 de Setembro, data comemorativa da vitória dos cristãos, comandados por João Sobieski, sobre os turcos que, em 1683, sitiavam novamente Viena. A vitória foi alcançada por intercessão da Virgem Santíssima, invocada pelo seu STO. Nome, à semelhança do sucedido na vitória na batalha naval de Lepanto, em 1571, então invocada como Nossa Senhora do Rosário. A Virgem Maria é, na verdade, “o auxílio dos cristãos” !

                              1Coríntios 9,16-19. 22b-27 ; Sal 83, 3-6.12 ; Lucas 6, 39-42

CAMlNHO DE LUZ  (Luc.6,39-42).  Uma boa visão é indispensável para a vida de todos os dias.  Mas a acuidade visual referida no evangelho não é a do corpo.  Refere-se em especial à clarividência da alma para discernir a verdadeira luz que dissipa todas as trevas. Cristo dirige-Se á nossa vigilância: não arrisquemos deixar cegar-nos por toda a espécie de engodos, certamente atraentes, mas cu-jos clarões são efémeros!   Tenhamos a força de vontade exigente para manter o olhar do coração fixado em Cristo, nosso Mestre, luz interior, doce e penetrante, que nos fará portadores da mesma Luz junto dos irmãos nos caminhos da vida.

UMA QUESTÃO DE OLHAR. O olhar do discípulo deve ser, em primeiro lugar, um olhar interior. A sua visão começa no mais íntimo de si mesmo. A humildade deverá ser a luz dos seus olhos interiores. Humildade diante de Cristo que dá a vida, e diante dos irmãos. Essa forma de olhar é também uma oração, um trabalho para todos os dias. Olhar e contemplar, como Jesus, é ver a acção de Deus em nós e à nossa volta.  É dar constantemente graças pela vida que nos concede, pedindo-lhE perdão e abrindo-nos aos Seus apelos. Será assim o olhar humilde do discípulo de Cristo.  O que cada um julgar ver errado nos outros deve primeiro levá-lo ao exame de consciência, para sua própria conversão. Só desta forma o discípulo exercerá a sua liberdade em perfeita coerência de vida e, com infalível benevolência, tornar-se-á guia de si mesmo.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro. 

QUINTA- FEIRA – 11/SETEMBRO/2014

S. JOÃO GABRIEL PERBOYRE (1802-40). Missionário Lazarista, denunciado por um seu jovem catecúmeno chinês. Por recusar profanar a cruz sofreu um longo calvário e morreu estrangulado no patíbulo, com os membros estirados em cruz.   Foi canonizado em 1996.

1 Coríntios 8, 1b-7.11-13 ; Sal 138, 1-3. 13-14ab. 23-24 ; Lucas 6, 27-38  

A CONSClÊNClA FRACA (1 Cor.8,1b-7.11-13). Paulo utiliza aqui uma palavra rara no mundo grego seu contemporâneo: a “consciência” aparece no 1º século nos autores judeus, talvez por influência do estoicismo (Cícero e Séneca viam nela o sentimento interior que cada um tem da sua inocência ou culpabilidade). Para Paulo, a consciência é a faculdade de discernimento, honesto e pessoal, do  bem e do mal.   Ela permanece relativa à evolução e ao avanço espiritual de cada pessoa, e não poderá em nenhum caso ser apresen-tada como um absoluto.   Deve ser respeitada, mesmo quando pareça não estar suficientemente esclarecida. Que o crente, por mais esclarecido que seja, evite perturbar um irmão no seu caminhar hesitante : Deus é quem o conduz!

ELE PEDIU O PERDÃO PARA OS SEUS INIMIGOS (Luc.6,27-38). Amar é um verdadeiro combate. Perante o mal, a atitude do discípulo de-verá ser de rotura.  Responder ao mal com o bem é pôr um final nessa marcha de ódio para dar lugar à misericórdia, à caridade, à vida. Amar assim será sempre um combate: único que vale a pena travar. No dia 11 de Setembro,  data dos atentados perpetrados em 2001 nos Estados Unidos e que ficará marcada com ferro em brasa na memória colectiva, é-nos particularmente difícil escutar Jesus a dizer : “Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam…” Mas, e se ao excesso de violência, a única resposta possivel for o excesso de amor ?  Não se trata de justificar o injustificável, mas de acreditar num Deus capaz de ultrapassar o mal com a superabundância da Sua misericórdia. Contemplar Jesus na Cruz, ouvi-lO pedir perdão aO pai para os carrascos, revela-nos o rosto dO Absolutamente-Outro que não cessa de nos surpreender. Tentemos amar assim gratuitamente, graciosamente, como Deus nos ama. É esse o combate dO Pai, que nos chama a imitá-lO.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUARTA-FEIRA – 10/SETEMBRO/2014

S. NICOLAU TOLENTINO (1245-1305). Este italiano entrou muito jovem nos “Eremitas de STO. Agostinho”. “Tinha o segredo das palavras animadoras” e passou os últimos 30 anos da sua vida no mosteiro de Tolentino (região de Marcos), dedicado ao ensino do catecismo.

1 Coríntios 7, 25-31 ; Sal 44, 11-12.14-17 ; Lucas 6, 20-26

BEM-AVENTURADOS OS POBRES  (Luc.6,20-26). Há alguns anos o mosteiro dominicano de Ligugé participou na criação duma casa de acolhimento para pessoas sem domicílio fixo.  A finalidade era permitir a essas pessoas repousarem algum tempo até encontrarem uma possibilidade de saírem do seu círculo infernal. Podiam permanecer até seis meses, ocupando-se na actividade regular duma vida em grupo.  Esta experiência foi emocionante, de tal maneira possibilitou avaliar quanto a partilha essencial- com as nossas novas e diversas pobrezas – faz parte da natureza humana, e está na origem da autêntica felicidade. Sim, felizes os pobres, pois O Reino dos céus pertence-lhes. Nesta partilha que é mais fácil aos que nada têm a perder, encontra-se a verdadeira felicidade dO Evangelho de Deus.  Ouçamos hoje este convite para sair de nós mesmos, deixando viver em nós o dom de Deus, inclusivé quando ele não é recebido ou é até rejeitado pelos que nos rodeiam.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro. 

TERÇA-FEIRA – 9/SETEMBRO/2014

S. PEDRO CLAVER (1589-1654). Jesuíta catalão, nascido junto a Barcelona. Partiu para a Colômbia onde durante 40 anos se dedicou, em Cartagena, a evangelizar e a cuidar dos escravos negros deportados para a América.

1Coríntios 6, 1-11 ; Sal 149, 1-6a. 9b ; Lucas 6,12-19

UmaForçaSaiaDeleORAÇÃO E ESCOLHA (Luc.6,12-19). No momento importante da escolha dos apóstolos, Jesus retira-Se para orar. Reza afastado dos homens, na montanha, só toda a noite, junto dO Pai.  E convida-nos a também entrar nessa grande oração da co-munhão gratuita, da contemplação da grandeza de Deus e da Sua glória. A oração de Jesus une-O a Deus, une-O à vontade dO Pai. Deste modo Ele faz a escolha dos apóstolos segundo a vontade de Deus.  Entre o grupo dos discípulos, Jesus previlegiou doze – em referência às doze tribos do povo da aliança – e por seu intermédio coloca os fundamentos da Sua Igreja. A seguir, tal como Moisés outrora no Sinai, Jesus desce da montanha onde permanecera unido a Deus, de regresso à numerosa multidão cosmopolita atraída pela Sua palavra e pelo Seu poder de curar. A oração de Jesus impulsiona-nos à acção e à missão evangelizadoras.  Falamos com frequência dos “milagres” de Jesus. Porém, os evangelhos não usam a palavra “milagre”, eles falam de “dunamis”, “acto de poder, ou de força”. É o caso de hoje. Jesus é a força e poder de Deus, a agir no mundo e a fazê-lo renascer: o Seu contacto cura-nos!

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.