O sofrimento, um mistério que interpela o Homem

CONVITE

Encontros «Porque o Verbo Se fez carne».

Um tempo de beleza, de escuta, de contemplação, de testemunho, de oração. Na Imagem do Pai em Cristo Jesus se encontra a verdade do Homem.

Quarta-feira, 29 março 2017

Às 9 da noite, para que todos possam vir.

Pe. António Figueira

25 mar 2017

50X70-BEATO-ANGELICO-ANUNCIAZIONE-50702SOLENIDADE DA ANUNCIAÇÃO DO SENHOR

do Ofício:

SEGUNDA LEITURA

Das Cartas de São Leão Magno, papa
(Epist. 28 a Flaviano, 3-4: PL 54, 763-767)  (Sec. V)

O mistério da nossa reconciliação

   A humildade foi assumida pela majestade, a fraqueza pela força, a mortalidade pela eternidade. Para saldar a dívida da nossa condição humana, a natureza impassível uniu-se à nossa natureza passível, a fim de que, como convinha para nosso remédio, o único mediador entre Deus e os homens, o homem Jesus Cristo, pudesse ser submetido à morte como homem e dela estivesse imune como Deus.
Numa natureza perfeita e integral de verdadeiro homem nasceu o verdadeiro Deus, perfeito na sua divindade, perfeito na sua humanidade. Por «nossa humanidade» queremos dizer a natureza que o Criador desde o início formou em nós e que Ele assumiu para a renovar.
Mas daquelas coisas que o Enganador trouxe e o homem enganado aceitou, não há nenhum vestígio no Salvador; nem pelo facto de se ter irmanado na comunhão da fragilidade humana Se tornou participante dos nossos delitos.
Assumiu a forma de servo sem mancha de pecado, elevando a humanidade, não diminuindo a divindade: porque aquele aniquilamento pelo qual o Invisível se fez visível, e o Criador
e Senhor de todas as coisas quis ser um dos mortais, foi uma condescendência da sua misericórdia, não foi uma quebra no seu poder. Por isso Aquele que, na sua condição divina, fez o homem, assumindo a condição de servo fez-Se homem.
Entra portanto o Filho de Deus na baixeza deste mundo, descendo do trono celeste, mas sem deixar a glória do Pai; é gerado e nasce, de modo totalmente novo.
De modo novo, porque, sendo invisível em Si mesmo, torna-Se visível na nossa natureza; sendo incompreensível, quer ser compreendido; existindo antes do tempo, começa a viver no tempo; o Senhor do Universo toma a condição de servo, obscurecendo a imensidão da sua majestade; o Deus impassível não desdenha ser um homem passível, o imortal submete-Se às leis da morte.
Aquele que é Deus verdadeiro é também verdadeiro homem; e não há ficção alguma nesta unidade, porque n’Ele é perfeita respectivamente a humildade do homem e a grandeza de Deus.
Nem Deus sofre mudança com esta condescendência da sua misericórdia, nem o homem é destruído com a elevação a tão alta dignidade. Cada natureza realiza, em comunhão com a outra, aquilo que lhe é próprio: o Verbo realiza o que é próprio do Verbo, e a carne realiza o que é próprio da carne.
A natureza divina resplandece nos milagres, a humana sucumbe nos sofrimentos. E assim como o Verbo não renuncia à igualdade da glória paterna, assim também a carne não perde a natureza do género humano.
É um só e o mesmo – não nos cansaremos de repeti-lo – verdadeiro Filho de Deus e verdadeiro Filho do homem.
É Deus, porque no princípio era o Verbo, e o Verbo estava em Deus, e o Verbo era Deus; é homem, porque o Verbo Se fez carne e habitou entre nós.

Via Sacra Vicarial – Domingo, 12 Março 2017 – 16:00 – Outurela

No II Domingo da Quaresma, 12 de Março, às 16:00, realiza-se a Via Sacra Vicarial na paróquia de OUTURELA.
Divulguemos e participemos, para meditar na Paixão do Senhor.

«Ele foi trespassado por causa das nossas culpas
e esmagado por causa das nossas iniquidades.
Caiu sobre ele o castigo que nos salva:
pelas suas chagas fomos curados.»

Is 53, 5
Na imagem: Via Sacra vicarial realizada anteriormente na paróquia de Queijas.

Família de Afrin

Há uma semana partilhei com os membros da equipa mais directamente activa no acolhimento da Família de Afrin e na ajuda às questões do dia a dia. Hoje vi que toda a comunidade paroquial faz parte do mesmo acolhimento. Vi que foi a palavra e o gesto do Papa Francisco que nos levou a acolher. Vi como é grande e magnífico o dom da paz, como disse Nossa Senhora: «Rezem o terço todos os dias, para alcançarem a paz para o mundo e o fim da guerra».

Pe. António Figueira

Ontem, Quinta-feira, dia semanal do Sacerdócio e da Adoração do Santíssimo Corpo de Cristo na Cruz Quebrada, cheguei de bicicleta para a missa às 9 da manhã ao mesmo tempo que chegava o Senhor Sobhi, empurrando como que a embalar suavemente o seu pequeno neto Jane no carrinho de bebé. Àquela hora da manhã era ainda mais evidente o sentimento embevecido de ternura deste avô que num lugar de paz subia a rampa sem esforço e cheio de esperança no futuro que transportava à sua frente. Ao chegar a entrada, parou e usou o tapete para entrar em casa sem pó nos pés. Eu ia atrás dele. Naquele momento caí em mim: eu nunca tinha usado o tapete daquela maneira, como sinal de respeito. Tudo se refez naquele instante e ergueu-se à minha frente a bela imagem do acolhimento que vocês têm sido como um abraço respeitoso e autêntico, nem imposto, nem formal. Revi e revivi os primeiros encontros no ano anterior, a comunidade, o Santo Padre, a procura de recursos, como quando se prepara o nascimento de um bebe (Jesus nasceu numa manjedoura), os contactos, os contratos, a chegada, a primeira ida a casa, a segunda, a terceira, as crianças da escola, as da catequese, os seus desenhos e mensagens, os sorrisos e olhos francos do Sobhi, da Zanoub, da Fatme e do Jane. Na entrada da Igreja o avô explicou-me: o Jane, quando acorda, já diz «scola», «scola». Mais sorrisos e alegria. Há um ano, onde estava? E como estava esta família ? Dou graças a Deus, e acredito que Ele também esteja contente (há festa no Céu) com o que este grupo de acolhimento semeou, plantou e está a cuidar. Na semana passada, quando estive lá em casa para os acompanhar no luto pelo irmão do Senhor Sobhi, falei em Fátima, nos pastorinhos, e disse que o Papa vem a Portugal. Nós te agradecemos, Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, que desde o nascimento desta terra a tornaste meta, berço e lugar de Paz. Ajudai-nos a ser dignos do chamamento do Vosso Filho. Dai-nos a graça de Vos reconhecermos em Fátima. Intercedei junto do Vosso Filho para que se possam reencontrar em breve e os possa ver como um só o pai e a mãe do pequeno Jane. Ele precisa disso para não crescer como parte quebrada de um todo. Isto o pedimos, para a glória de Deus Pai. E a vós, e às Vossas famílias, abençoe Deus todo poderoso Pai, + Filho e Espírito Santo. Amen.

pe. António figueira