SÁBADO – 11/JUNHO/2016

JUN-11_SaoBarnabeACurarOsDoentes S. BARNABÉ, Apóstolo por ter proclamado a proximidade dO Reino de Deus: Reino nos corações e espíritos, por amor. Este anúncio apostólico vem sempre acompanhado de curas milagrosas e milagres, desde a ressurreição dos mortos até à expulsão de demónios. Todo o trabalho é feito gratuitamente. O apóstolo – como O Mestre – deve desposar a pobreza, não ter nada de seu e depender em tudo da providência divina. Estudo de Paolo Veronese Porque, ao anunciar pela palavra o amor concreto e eficaz dO Pai pelos Seus filhos, deve confirmar essa palavra e amor com uma vida de confiança e de completo abandono a tão bom Pai. A providência que o apóstolo anuncia encarna-se na hospitalidade que oferecem os beneficiários do seu labor apostólico. Essa hospitalidade é, ao mesmo tempo, sinal da solicitude divina e de conversão humana. Que o Apóstolo Barnabé nos ensine a viver na “liberdade dos filhos de Deus” – que a aceitação da pobreza dá – e no “amor dos discípulos de Cristo”, que se concretiza na gratuitidade do dom de si próprio.

Actos 11, 21b-26 ; 13,1-3 ; Sal 97, 1-6 ; Mateus 10, 7-13

GRATUITAMENTE (Mat. 10,7-13). Vivemos num mundo em que tudo tem um preço, onde tudo se paga. Até o cuidado dos doentes! Até a educação das crianças! Até a beleza: também ela se paga – nos concertos, nos museus, nas exposições…! Podemos portanto, com facilidade, imaginar por contraste – e não sem alguma nostalgia apaixonada – como, enfim, seria um mundo de verdadeira gratuitidade, apontado aqui por Jesus. Vale a pena exercitar neste sentido a nossa imaginação. Para nos ajudar não necessitamos nem de sábias definições, nem de raciocínios abstractos. Será, sem dúvida, mais eficaz raciocinar a partir das nossas recordações, perguntando com realismo como e quando nos aconteceu receber algo gratuito -pois, graças a Deus, isso chega a todos – ou, o que foi que assim recebemos e qual o efeito que essa dádiva nos causou. A partir daí, se não queremos ficar no domínio das especulações, será útil interrogar-nos também sobre aquilo que – por nossa parte – podemos igualmente dar gratuitamente, e a quem.

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris. Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SEXTA-FEIRA – 10/JUNHO/2016

JUN-10_SantoAnjodePortugalSTO. ANJO ANJO DA GUARDA DE PORTUGAL Na segunda aparição do Anjo, no pino do Verão de 1916 – foram três as aparições do Anjo, um ano antes das aparições de Nossa Senhora – o Anjo revelou-se às crianças como O Anjo de Portugal dizendo-lhes : “Orai ! Orai muito! Os Corações de Jesus e de Maria têm sobre vós desígnios de misericórdia. Oferecei constantemente aO Altíssimo orações e sacrifícios”. “De tudo o que puderdes, oferecei um sacrifício em acto de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores. Atraí assim sobre a vossa pátria a paz. Eu sou o Anjo da sua guarda, O Anjo de Portugal! Sobretudo aceitai e suportai com submissão o sofrimento que O Senhor vos enviar”. A partir daí os pastorinhos repetiam constantemente a oração que o Anjo lhes ensinara na 1a aparição, na Primavera: “Meu Deus, eu creio, eu adoro, eu espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam”. Será que os portuguesas se esqueceram desta Mensagem ou não querem rezar e sacrificar-se pela sua pátria, Igreja e pelo mundo? Não defraudemos os desígnios de Misericórdia de Deus!

Daniel 10, 2a. 5-6. 12-14ab ; Sal 90,1. 3. 5b-6. 10. 11. 14-15 ; Lucas 2,8-13

HÁ VÁRIAS FORMAS DE VER OS ANJOS (Dan. 10,2a-5-6.12-14ab). Deve existir uma forma simples e correcta para escutar Deus a falar. Uma forma que simplifique o nosso coração, que o abra a esse silêncio da “lectio divina” experimentado por milhares de cristãos que nos precederam. Uma forma de deslizar entre eles e de sintonizar o rádio da nossa alma no comprimento de onda das grandes liturgias milenárias, preenchidas com cânticos de serafins e murmúrios de asas revestidas com a fulgurante luz da divindade. A nossa razão sabe que, nestes momentos, deve“desistir”, pois a escada que sobe é demasiado íngreme e também ela necessitará de asas: das asas dos Anjos. Com os olhos fechados sinto esta presença intensa a envolver-me. E um grito sobe dos meus lábios: “Deus, meu Deus, cantar-Te-ei na presença dos Anjos!”: na presença do meu Anjo da Guarda e do Anjo da Guarda de Portugal.

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris. Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUINTA-FEIRA – 9/JUNHO/2016

JUN-09_SaoJoseDeAnchietaSTO. JOSÉ DE ANCHIETA (1597). Natural de Tenerife, Canárias, estudou na Universi. de Coimbra e, em 1551, entrou na Companhia de Jesus. Primeiro professor de latim no Colégio de S. Paulo, cidade que fundou em 1554. Aprendeu Tupi para ensinar os índios na língua nativa. Descobriu que gerar cristãos autênticos requeria tempo, paciência e bondade. Recusava-se por isso fazer baptismos apressados aos índios.

1 Reis 18, 41-46 ; Sal 64, 10-13 ; Mateus 5, 20-26

ABOLIR OU COMPLETAR? ( Mat. 5,20-26) . Em cada um existe a pulsão para nos atacarmos uns aos outros. Encolerizamo-nos, insultamo-nos, matamo-nos! Com os nossos gestos e língua, consciente ou inconscientemente, queremos destruir o outro: basta-nos ver os nossos conflitos, a concorrência nas nossas empresas… O desafio, no Evangelho, não é o de satisfazer as tradições e nor mas humanas, mas o de entrar nO Reino dos Céus. Como ultrapassar, como vencer esta violência interior? Deixando-nos moldar por Aquele que cumpre a Lei: olhando para Cristo, a nossa vida pode transformar-se-á. Atrevamo-nos a abrir-lhE a porta do nosso íntimo, pois é assim que se entra nO Reino.

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris. Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUARTA-FEIRA – 8/JUNHO/2016

JUN-08_BeataMariaDoDivinoCoracaoBTA. MARIA DO DIVINO CORAÇÃO (1863-99). Alemã, fundadora da “Congregação de N.S. da Caridade do Bom Pastor” no Porto, imolou-se em vida pelos pecadores, pelos sacerdotes, pela Igreja, e por Portugal. “Muitas vezes na minha doença, quando tinha desejo de morrer, Jesus dizia-me duma imagem de N. SR. dos Passos: “Então, queres que Eu leve sózinho a Cruz de Portugal?”. Morreu em 1899, três dias antes da Consagração do Mundo ao Sagrado Coração de Jesus que Jesus lhe pedira para transmitir ao Papa Leão XIII e que este, por fim, realizou em 11.06.1899 , classificando-a anos mais tarde, como “o acto mais grandioso do meu Pontificado”. Está sepultada em Ermesinde, na Igreja do SAGRADO Coração de Jesus.

BEATO TIAGO BERTHIEU (1838-96). Padre jesuíta francês martirizado pelos rebeldes malgaches por recusar apostatar em Madagascar. Foi fuzilado e o corpo atirado ao rio. O Papa Bento XVI canonizou-o em Outubro de 2012 .

Reis 18,20-39; Sal 15,1-2a. 4.5.8.11; Mateus 5,17-19

ABOLIR OU COMPLETAR? (Mateus 5,17-19) . Desta vez, Jesus já não nos fala, como até aqui, no Seu tom mais geral de ensino : apresenta-nos o próprio coração do Seu projecto: “Eu vim para…” Ora, isto é precisamente aquilo que alguém pode dar de mais importante, de mais pessoal e de mais íntimo. Será pois integrados neste modelo que dever emos procurar escutá-lO. Jesus fala-nos da “Lei e dos Profetas”, sendo este um “campo de trabalho” de onde Ele jamais Se deixará desviar nem um pouco. Aliás, continua o Seu discurso com uma declaração geral, à qual os verbos, sem qualquer complemento, dão uma amplitude e uma força incomparáveis: “Eu não vim abolir, mas completar”. Esta é, sem dúvida, a definição mais geral e mais acutilante que jamais foi dada do Seu papel histórico. Ela deveria servir-nos de modelo e bitola – guardadas as devidas proporções – para avaliar os nossos pequenos empreendimentos. Sobretudo se alguma vez nos competir a temível responsabilidade de apreciar mos a acção da Igreja.

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris. Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

TERÇA-FEIRA – 7/JUNHO/2016

JUN-07_BeataAnaDeSaoBartolomeuBTA. ANA DE S. BARTOLOMEU (1549-1626). Primeiro foi secretária de STA. Teresa d’Ávila e trabalhou depois na implantação dos carmelos reformados em França e na Flandres. Foi beatificada em 1917 pelo papa Bento XV.

1 Reis 17, 7-16 ; Sal 4, 2-5. 7-8 ; Mateus 5,13-16

“AOS OLHOS DOS HOMENS… ” ( Mat. 5,13-16) . Será que devemos – ou podemos mesmo legitimamente desejar – “brilhar diante dos homens”? A reacção virtuosa, ou apenas honesta, será responder mos com indignação: “Claro que não!” Como compreender então que Jesus faça disto um mandamento? Muito simplesmente lendo o texto até ao fim.., pois nele se precisa – apesar de quase sempre ser citado truncado – : “Eis como a vossa luz deve brilhar aos olhos dos homens: de forma que, ao ver as vossas boas obras, prestem glória ao vosso Pai dO Céu” (Mat.5,16). Não há aqui nenhum encorajamento à vaidade; é só um aviso severo a advertir-nos: “Não vos enganeis nas intenções!”, e que nos coloca uma questão nada inocente: “Quando agis qual é o vosso desejo mais profundo? A vossa glória ou a glória de Deus?” Não se segue Cristo por Si-mesmo. Quer se trate do sal ou da luz, estes dois elementos não se destinam a si-mesmos: não se salga o sal nem se ilumina a luz. É grande a tentação de praticar a própria religião apenas por si mesma, numa sociedade tão individualista. O Evangelho convida-nos a ultrapassar esta visão restritiva. Somos nós que salgamos e iluminamos o mundo. Antes mesmo da Paixão, Jesus dá aos discípulos esta orientação essencial : não se segue Cristo apenas por Si-mesmo. Porque Ele vem para todos os homens, cada um de nós é chamado também a destinar-se a todos. Esta orientação faz-nos participar na própria missão de Jesus. Sejamos, tal como E le, para os outros. É isto que salga e ilumina! “Tornai-vos naquilo que sois…!” Nós somos sal, então salguemos a terra , nós somos luz, então brilhemos!

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris. Selecção e síntese: Jorge Perloiro.