TERÇA-FEIRA – 10/MAIO/2016

Actos 20,17-27; Sal 67,10-11.20-21; João 17,1-11a

A TAREFA DO SENHOR ( Actos 20,17-27) . O discurso de Paulo aos anciãos de Éfeso mostra a atitude missionária de quem é movido pelO Espírito Santo. Aquele que anuncia Cristo não é proprietário daqueles a quem é enviado, mas dá-se por inteiro a cada um. Será que podemos dizer, como Paulo, que nada descurámos para anunciar todo o desígnio de Deus ? Mas, não nos culpabilizemos. O que o Apóstolo nos diz, é que, quando anunciamos o Evangelho, não somos obrigados a ter êxito : essa é uma tarefa dO Senhor. Não lhE roubemos o Seu povo e acção. Em contrapartida, não negligenciemos nada que seja útil para o anúncio do Seu Evangelho.

“GLORIFICA-ME JUNTO DE TI, PAI… ” ( Jo. 17,1-11a) . Jesus acabara de terminar a Sua última conversa com os discípulos. Estarão eles, ali junto d’Ele ? O evangelho de João nada diz. Mas o relato continua, como se tudo tivesse começado após O Seu regresso aO Pai. A prisão de Jesus só vem depois. Não, não é final de uma existência. É o início da Páscoa. Jesus, apesar de Se dirigir aO Pai dizendo “Eu”, não está sózinho nesse “eu”. Todos estamos com Ele. É este sem dúvida o significado do “Glorifica O Teu Filho!” A missão de Jesus cumpriu-se : “Eles sabem que tudo o que Tu me deste vem de Ti”. Por isso, apesar de continuar a haver traição abandono e crucificação, Ele já não é agora o único a poder dizer “Pai”. Começou um mundo novo.

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SEGUNDA-FEIRA – 9/MAIO/2016

a_SantaMariaDomingasMazzarelloSTA MARIA DOMINGAS MAZARELLO (1837-81) . Esta italiana, foi a fundadora do Instituto das Filhas de Maria auxiliadora, ramo feminino dos Salesianos. Tinha o carisma da alegria serena, irradiando contentamento e atraindo outras jovens para se dedicarem à educação da mulher. Canonizada em 1951.

S. PACÓMIO (292-348) . Nasceu no Egipto numa família pagã e converteu-se ao ver, no exército romano, o comportamento misericordioso dos cristãos. Depois de sair foi viver no deserto junto de STO Antão o eremita, e agrupou à sua volta outros eremitas incitando-os a viver juntos. Tornou-se por isso pai do cenobitismo, forma de monaquismo comunitário com um chefe “Abade”.

Actos 19,1-8 ; Sal 67, 2-7 ; João 16, 29-33

VIVER DO ESPíRITO ( Act. 19,1-8) . O Espírito Santo é frequentemente maltratado na vida espiritual, ou porque é totalmente ignorado ou por ser muito mal compreendido. A pergunta que Paulo faz aos cristãos de Éfeso é-nos, hoje, dirigida. Sem dúvida que recebemos os sacramentos do Baptismo e da Confirmação, mas será que vivemos dO Espírito que nos foi dado? Ser fiel a Cristo, é viver dO Espírito que faz a comunhão dO Pai e dO Filho. O sinal dessa vida, é a fecundidade do crente! Um cristão não é estéril! Pelo dom das línguas, ele fala a cada um, aí onde estiver, pelo dom da profecia ele estimula o seu círculo. Não enterremos portanto O Espírito : Ele torna-nos fecundos no mundo.

“EU NÃO ESTOU SÓ, PORQUE O PAI ESTÁ COMIGO… ” ( João 16,29-33) . Será que os discípulos compreenderam finalmente Jesus? Agora, Ele fala abertamente… Sem dúvida eles acolhem melhor a mensagem de Jesus. Mas não passa duma resposta proclamada. Falta-lhes vivê-la : “Eis que vem a hora – e já chegou – em que sereis dispersos e Me deixareis só…” Onde estará então o “Nós acreditamos que Tu saíste de Deus” ? Jesus pode dizer-lhes : “Não !, Eu não estou só. O Pai está coMigo”. No evangelho de João, a cruz não é apenas sofrimento e morte, ela também é ressurreição e regresso aO Pai. Os discípulos terão de sofrer, mas Jesus garante-lhes : “No mundo encontrareis angústias, mas tende confiança, Eu venci o mundo!”. E Deus é fiel.

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

DOMINGO DA ASCENSÃO DO SENHOR – 8/MAIO/2016

a_AscensaoDIA MUNDIAL DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

Actos 1,1-11 ; Sal 46, 2-3. 6-9 ; Efésios 1,17-23 ; Lucas 24, 46-53

“ ELEVOU-SE AO CÉU À VISTA DELES… ” ( Act. 1,1-11) . No relato da Ascensão nos Actos dos Apóstolos, tal como em diversas passagens do Novo Testamento, há um certo desfasamento entre a atitude dos discípulos e os ensinamentos de Cristo. Cristo entrou noutra dimensão da existência, numa existência gloriosa à qual estamos prometidos. Dessa existência inacessível aos sentidos, só é possível falar por imagens. A imagem do céu, ou seja, daquilo que nos ultrapassa infinitamente. A imagem de homens vestidos de branco, resplandecentes(anjos), descidos ao nosso mundo manchado pelo pecado, a recordar-nos que continua a existir – que é possível – a inocência total para se poder ver O Deus da absoluta pureza. Neste relato é evidente a dissintonia entre a atitude dos discípulos e o ensino de Cristo. Até no momento da separação, quando Jesus dá as últimas instruções, os Apóstolos insistem em pôr a questão da instauração duma realeza em Israel. Ainda que isto nos cause alguma perplexidade, a Igreja quis conservar estas dissintonias e manter o conjunto integral das Escrituras que recebeu. Desde o ínício do chamamento por Jesus nas margens do lago até ao dia da Ascensão, os discípulos só muito parcialmente entenderam a missão que lhes era confiada e tiveram muita dificuldade para pôr em marcha o evangelho que deviam anunciar. Mas, quer na traição de Pedro, quer na disputa violenta entre Pedro e Paulo, quer na oposição de Paulo e Tiago, estas dissintonias foram conservadas, transmitidas e meditadas ao longo dos séculos pela Igreja. Em vez de as apagar piedosamente para – numa apresentação mais suave – se salvaguardar a novidade evangélica, os cristãos entenderam que as tensões internas das Escrituras, testemunham ainda com maior realismo, a força divina que não tem a sua origem em nós. Somos testemunhas dO Ressuscitado até nestes desvios e tensões. Só O Espírito Santo pode renovar a vida e inscrever decisivamente na história O Evangelho da misericórdia.

“ERGUENDO AS MÃOS, ELE ABENÇOOU-OS… ” ( Luc. 24,46-53) . No evangelho de Lucas, a última vez que os discípulos vêem Jesus vivo é quando Ele é entregue aos judeus. É no Livro dos Actos que, simbólicamente, Lucas fala dos 40 dias antes da Ascensão. Mas na tarde da ressurreição, Jesus aparece aos discípulos e diz-lhes: “Vós sois as testemunhas destas coisas…” Tinham arrancado Jesus à Sua missão. Hoje, é Ele a enviar-nos a proclamar a Sua ressurreição a todas as nações. Sem que haja sombra de tristeza no adeus. Jesus é arrebatado ao céu, abençoando os discípulos, e estes regressam a Jerusalém cheios de alegria. E mantinham-se no Templo bendizendo a Deus.

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

1º SÁBADO – 7/MAIO/2016

Actos 18, 23-28 ; Sal 46, 2-3. 8-10 ; João 16, 23b-28

“ DEUS É O REI DE TODA A TERRA ! ” ( Sal. 46,2-3.8-10) . Este Salmo leva-nos a considerar o dom da ciência que através do mundo, da natureza e da graça nos faz perceber e contemplar a infinita sabedoria de Deus, a Sua omnipotência e bondade e natureza íntima. Deste dom, diz S.João da Cruz : “É um dom contemplativo cujo olhar penetra, como o dom do entendimento e o da sabedoria, no próprio mistério de Deus”. Mediante tal dom percebemos os com toda a clareza que – a criação inteira, o movimento da terra e dos astros, as acções rectas das criaturas e tudo quanto há de positivo no curso da história – tudo veio de Deus e para Deus se ordena. É uma disposição sobrenatural pela qual participamos da ciência de Deus, descobrimos as relações que existem entre todas as coisas criadas e o Seu Criador, e em que medida e sentido elas estão ao serviço do fim último do homem.

“SE PEDIRDES ALGUMA COlSA EM MEU NOME… ” ( Jo. 16,23b.28) . Orar e amar, eis o programa de vida do discípulos de Jesus: fundamento da vida cristã, da vida em Cristo, da vida de Cristo em nós. Orar por ser amado, orar para amar, orar porque se ama. É a “fé-adesão” a Cristo que suscita nos discípulos este impulso do coração para O Senhor Jesus e para O Seu Pai, no Seu sopro santo que se chama “oração”: “O Pai ama-vos porque vós Me amais”. É dO próprio Cristo-Jesus que nos vem este dinamismo inerente ao acto de orar, porque Ele é a autêntica vida dO Amor de Deus na nossa carne. Assim orar e amar não são duas coisas distintas, mas um único movimento, uma mesma realidade: orar é um acto de amor do qual a fé em Cristo nos torna capazes, amar e orar equivale à própria respiração de Cristo em nós, ao orar colocamo-nos precisamente no centro da vida Trinitária. Que a nossa oração seja autêntica respiração da alma, a fim de se poder transformar em amor para com O nosso Mestre e nosso Deus, Pai, Filho e Espírito Santo. Deixemo-nos invadir pelo amor divino, encarnado e comunicado em Cristo, e tornar-nos-emos seres de pura oração!

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.