1ª SEXTA-FEIRA – 1/JANEIRO/2016 DlA MUNDlAL DA PAZ

a_SantaMariaMaeDeDeusSANTA MARIA, MÃE DE DEUS. Com a festa da Maternidade divina de Maria, inicia-se o novo ano com ela nos primeiros instantes da nossa Salvação. Esqueçamos os adereços familiares do Presépio e concentremo-nos no texto do Evangelho. Entra-se num curral em que os animais dispõem duma manjedoura e onde – para melhor O protegerem – José e Maria, dispuseram O Menino. Perante isto cresce em nós, com insistência, o sentimento de terem sido esquecidos por Deus. Porém, de repente, chegam os pastores, alegres que gritam assombrados ao verem O Menino: “Olha! Está numa manjedoura, como nos disseram os anjos! Nasceu-nos um Salvador!” Este desfecho inesperado transforma-se num sinal e motivo de alegria divina. No relato dos pastores, Maria e José vêem confirmar-se a intervenção de Deus na sua vida.

Números 6,22-27; Sal 66,2-3.5-8; Gálatas 4,4-7; Lucas 2,16-21

MEDITAR OS ACONTEClMENTOS DE CADA DIA. (Lucas 2,16-21). “Maria guardava todos os acontecimentos e meditava-os no seu coração”, ela não estava centrada sobre si mesma. Quero, no ano de 2016, certamente rico do imprevisto de Deus, adoptar idêntica postura. Em cada dia, desejo reter um facto marcante pela sua simplicidade ou pelo seu lado pouco comum, dando graças e tentando contemplá-lo sob O olhar dO Pai, em diálogo com a Sua Palavra feita carne. Tal como os esquilos, quero colocar no palácio da memória pepitas de luz para as horas sombrias, para quando a minha capacidade de compreender for posta à prova, tal como Maria aos pés da Cruz. Sim, felizes são os que acreditam e esperam pela glória de Deus e a salvação do mundo!

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUINTA-FEIRA – 31/DEZEMBRO/2015

STA. MELÂNlA, A JOVEM (383-439) E se no dia 31/Dez em vez de festejar S. Silvestre (nome dum Papa do séc.IV) celebrássemos STA Melânia, festejada no mesmo dia. O conteúdo da ceia seria sem dúvida mudado porque como vamos ver, Melânia a Jovem, foi um exemplo impressionante do espírito cristão do desprendimento. Todavia, nascera no seio duma das famílias romanas mais ricas e mais ilustres: os Valerii. Filha única de Valerius Publicola e de Albina, fora criada no luxo mas isso não a impediu de ficar intrigada com o caminho de sua avó STA. Melânia, a Antiga, uma “excêntrica” que ao enviuvar se retirara para a Terra Santa. Mas, apesar de herdeira da imensa fortuna dos Valerii não era senhora do seu destino. Assim, aos 14 anos casou com Pinien, igualmente filho de uma família opulenta. Infelizmente os 2 filhos do casal morreram com tenra idade : Melânia convenceu então o marido a adoptar uma vida de pobreza e de oração. Grandes foram os protestos da alta sociedade romana que culparam estes dois “destrambelhados” e a reacção do Senado que vetou a venda dos seus bens! Só a intervenção de Serena, filha do Imperador, possibilitou que eles podessem começar a distribuir a sua fortuna aos pobres. Os Godos de Alarico tinham entrado em Itália e, em 408, Melânia e Pinien deixaram Roma (que seria saqueada em 410) e foram para a África do Norte, onde encontraram STOAgostinho. Mas eles sonhavam com Jerusalém, onde chegaram em 417 depois de uma estadia no Egipto. Os antigos patrícios romanos eram agora modestos peregrinos, mais preocupados com a oração e o recolhimento do que com o fausto e a aparência. Durante alguns anos, Melânia viveu reclusa no monte das Oliveiras, antes de aí fundar, em 431, um convento de religiosas, duplicado após a morte de Pinien com um mosteiro de homens. A vida de STAMelânia a Jovem, ainda que longíqua e radical, ressoa como lembrança do que dizia S. João Paulo II : “Lembra-te, ó homem que és chamado a outras coisas mais além dos bens terrestres e materiais que se arriscam a desviar-te do essencial”.

1 João 2, 18-21 ; Sal 95, 1-2.11-13 ; João 1, 1-16

O ANTI-CRISTO (1 Jo.2,18-21). A primeira carta de João põe-nos em guarda contra o “anti-Cristo”. Quem representará esta figura enigmática, simultaneamente apenas um – o anti-Cristo que “deve vir”- ou vários : “há (…) muitos anti-cristos”, como se diz nesta 1ª carta (2,18)? Representa aquele(s) que se opõe(m) a Cristo, pois quem recusa O Filho recusa também O Pai que Ele revela. O anti-Cristo divide a comunidade, porque é mentiroso e procura desencaminhar-nos,. João exorta-nos a reconhecer que Jesus recebeu a unção dO Messias e, ao confessá-lO como Cristo, a reconhecê-lO também como O Filho, enviado pelO Pai.

“O MUNDO NÃO O RECONHECEU…” (João 1,1-16). No patamar do novo ano, como reler os 365 dias deste que termina? Falo-emos apenas isolados? Será arriscado. Os acontecimentos penosos podem-nos levar ao desencorajamento, à depressão, ao remorso. Mas pode também reler-se este nosso ano à luz do amor. Como um Pai terno (Luc.15,24), como uma mãe amorosa (Is.49,15) ou como um amigo benevolente (Jo.15,15), O Senhor coloca-Se e permanece ao nosso lado. Enquanto desfiamos os acontecimentos alegres e dolorosos das nossas vidas, Ele impele-nos à acção de graças e à confiança. À recordação dos nossos desvios Ele trás a Sua compaixão. Entraremos então em 2016 com o pé direito! O passado, composto por S.João neste evangelho, soa como um balanço, que faz o presente resultar de uma acção anterior. Por isso, ao passar de um para outro ano é bom perguntar-nos se, no que hoje termina, teremos reconhecido Jesus como “O Verbo feito carne que habitou entre nós” (Jo.1,14). Se assim foi, vivemos a vida de Deus e estamos próximos da santidade. Mas se fomos “mundanos” e não tivermos reconhecido Jesus como O Messias, então, teremos que progredir. Este exame de consciência deve ser o trampolim que nos mova à santidade. O final do prólogo de S.João lembra que tal só é possível em Cristo, O Verbo que nos faz reconhecer O Pai. Este maior conhecimento de Cristo é graça que temos de pedir uns pelos outros.

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUARTA-FEIRA – 30/DEZEMBRO/2015

a_AProfetizaAnaRecebeJesus1 João 2,12-17; Sal 95,7-10; Lucas 2,36-40

“A GRAÇA DE DEUS ESTAVA N’ELE…” (Luc.2,36-40).Na última sexta-feira celebrámos com alegria o nascimento dO Nosso Salvador. Que ela perdure para além da oitava do Natal e se prolongue por toda a vida. Para isso, decalquemos a nossa acção do comportamento da profetiza Ana. Pouco sabemos de Ana, ícone da presença junto dO Senhor. Se escrutinarmos o texto de Lucas, veremos que depois da sua viúvez na flor da idade, ela recebeu sem dúvida reconforto na oração. Sua oração tornou-se, com certeza, permanente intercessão pelos que, como ela, passaram pelo crisol das privações. Senão porque proclamaria ela “os louvores de Deus” a todos os que esperavam “a libertação de Jerusalém”? Como deveria ser grande e comunicativo o seu entusiasmo à vista dO Filho dO Seu Senhor! De facto, Ana é uma figura da Igreja que testemunha Cristo: ela “não se afastava dO Templo”, ela “servia Deus dia e noite”, ela proclamava os louvores e “falava do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém”. Juntemos a nossa voz à voz de Ana! Louvar, celebrar e servir são os três pilares da vida cristã que nos ajudam, sem dúvida, a ter bons propósitos para o novo ano.

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

TERÇA-FEIRA – 29/DEZEMBRO/2015

a_AApresentacaoNoTemplo1 João 2,3-11; Sal 95,1-3.5b-6; Lucas 2,22-35

CAMINHAR NA LUZ, COMO JESUS (1 Jo.2,3-11). A tradição judaica chama “Halakhá” ao conjunto de leis e regras que organizam a vida diária e a tornam recta diante de Deus. Ora este termo vem do verbo “marchar”. Os autores gregos do Novo Testamento não hesitaram em traduzi-lo pelo verbo bem concreto: peripatein, “caminhar, passear-se” (que permitiu chamar “peripatéticos” aos discípulos de Aristóteles). João convida os cristãos a uma regra de vida. Mas regra que já não é a Lei ou a tradição mas modo como Jesus agiu e falou, viveu e foi morto.

“AGORA, Ó SENHOR…” (Luc.2,22-35). Simeão é o ícone da expectativa, de uma santa paciência. Há muito tempo que ele aguarda a Consolação de Israel. À vista de Jesus, nO qual reconhece O Messias, solta uma exclamação que lhe sai do mais profundo da alma. Simeão, piedoso velho do tempo de Jerusalém, é o primeiro judeu a acreditar na divindade de Jesus: até os pais estão espantados. Podemos compreendê-los: “a apresentação dO Senhor” era só um dever de culto a cumprir. A consagração desta criança prevista pela lei, reveste-se com o testemunho de Simeão, que “viu a salvação”, duma outra envergadura,. Jesus é mais do que um profeta, Ele é a Salvação, e O Seu nome (Deus-salva) aponta já essa identidade salvadora. Se a Igreja canta em cada noite o cântico de Simeão é para dar testemunho da fé neste mistério : porque “os nossos olhos viram a Salvação”, podemos “repousar em paz”.

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.