SEGUNDA-FEIRA – 30/MARÇO/2015

MariaUngeComPerfumeOsPesDeJesusIsaías 42, 1-7 ; Sal 26, 1-3. 13-14 ; João 12, 1-11

A ALEGRlA DO SENHOR (Isaías 42,1-7 ). Os cânticos do servo dO Senhor (lsaías 42, 49, 50, 52 e 53) acompanham os três primeiros dias da Semana Santa e a solene primeira leitura de Sexta-feira Santa. É reconfortante, nesta Segunda-feira Santa, ouvir Deus a dizer que pôs “toda a Sua alegria” no Seu servo que “proclamará o direito e a verdade”. Durante esta semana de maquinações, de traição máxima, de cobardia definitiva, é neces-sário recordar o que Cristo diz aos Apóstolos na noite da a Ceia: “Vós ides chorar (…) mas a vossa tristeza converter-se-á em alegria (…) e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria.” (Jo.16,20.22). Jesus vai morrer e, todavia, Ele tem alegria porque ela tanscende já a morte.

UM PERFUME CARO, DE NARDO PURO (Jo.12,1- 11). A cena mostra-nos 3 amigos de Jesus: Marta, a mulher prática, a quem nada (salvo talvez a ressurreição do irmão) impede fazer bons cozinhados; Lázaro, ressuscitado e cheio de apetite; e Maria, a mística, a única a ter entendido o significado profundo da ressurreição do seu irmão: “Jesus é a Ressurreição e a Vida, quem acreditar n’Ele viverá”. Teria ela guardado este perfume para os dias de perseguição que há muito se anunciavam, na eventualidade de Jesus morrer? Seja como for, ela hoje sabe que este perfume não será derramado sobre um cadáver, pois -em todas as circunstâncias- Jesus é a Vida. Ele é O ungido dO Senhor e O Espírito de Deus está n’Ele; os melhores perfumes não são dignos de ser derramados n’Ele. Nestes dias que precedem imediatamente as festas pascais, Maria de Betânia convida-nos ao entendimento espiritual dos mistérios cuja celebração preparamos. Vamos comemorar o destino de quem O Pai ungiu e enviou; a morte e ressurreição deste Filho resumem tudo o que Deus quer dizer ao nosso mundo. Na verdade, este é o momento da chamada final de atenção, do dom total, da firmeza e da ternura de Deus. Que Maria de Betânia nos prepare para isso!

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye. Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

DOMINGO DE RAMOS – 29/MARÇO/2015

DomingoDeRamosProcissão de entrada: Marcos 11,1- 10

Missa: Is. 50, 4-7 ; Sal 21, 8-9.17-18a.19-20. 23-24 ; Filipenses 2, 6-11 ; Marc.14,1–15, 47

MISÉRIA DO HOMEM E GRANDEZA DE DEUS (Marcos 8,1-11). As numerosas personagens que intervêm no relato da Paixão de S. Marcos manifestam profundamente algo da miséria do homem, dos seus limites, dos seus pecados : Judas que trai O Mestre com um beijo; os fariseus felizes por terem morto um inocente; Pilatos e Herodes que se desembaraçam de Jesus a fim de atrair sobre eles o favor do povo ; Pedro que jura não O conhecer ; os soldados que se entregam à violência gratuita ; a multidão que passa fácilmente das aclamações às acusações. Mas não esqueçamos que é Jesus quem está no centro da cena. É n’Ele que temos que fixar o nosso olhar. É Ele a quem João e Maria Madalena, assim como numerosos discípulos, escolheram seguir, no silêncio. Jesus entrega-Se em amor, ao preço da Sua vida. Assim, O Deus do amor e da vida mostra-Se no rosto dum homem agonizante, abandonado por todos. O Deus da justiça manifesta a Sua identidade na condenação dum inocente. É um Deus fraco em vez de forte, vítima em vez de triunfante, servo em vez de rei. Na Sua Paixão e morte, Jesus revela a grandeza de Deus. No fundo, no cristianismo, a vida gera-se no sofrimento, ela surge na morte. Celebrar a Paixão dO Senhor, é, em cada ano, descobrir a proximidade inverosímel de Deus no caminho da nossa vida.

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye. Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SÁBADO – 28/MARÇO/2015

Ezequiel 37, 21-28 ; Jeremias 31,10-13 ; João 11, 45-56

CRISTO VAl MORRER POR TODOS NÓS (João 11,45-56). O evangelho de hoje interessa-se pelas consequências do milagre de Jesus da ressurreição de Lázaro. Elemento decisivo para decidir a Sua morte pelo Conselho supremo dos fariseu e sumo-sacerdotes. Se Ele não morrer “todos irão crer n’Ele e virão os romanos e destruirão o nosso Lugar santo e a nossa nação.” (João 11,48). O Sumo Sacerdote Caifás profetizou então, inconscientemente, a verdadeira natureza desta condenação antecipada à morte: um só, Cristo, vai morrer, não apenas pela nação mas por todos nós. A hora de Cristo que se aproxima rapidamente, ligação indissociável entre a Sua Paixão e Ressurreição, é que vai criar, por Ele e n’Ele, “a unidade dos fihos de Deus dispersos”.

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SEXTA-FEIRA – 27/MARÇO/2015

Drawing (8)Jeremias 20, 10-13 ; Sal 17, 2-7 ; João 10, 31-42

“VÓS SOIS DEUSES…” (João 10,31-42 ). Aos adversários, que O acusavam de Se identificar com Deus e por isso O queriam lapidar, Jesus dá esta réplica espantosa : “Está escrito na Lei : Vós sois deuses!” A Palavra que recebestes ao longo da vossa História Santa e na qual ainda meditais, não vos terá tornado semelhantes a esse Deus que nunca cessou de vos falar ? Sereis vós apenas homens, vós que tendes familiaridade com Deus ? Deus – que Se dirige a vós – não vos terá deixado a Sua marca? Passais ao lado da Palavra que invocais ; não vos deixais divinizar, e assim, não sabeis reconhecer Aquele que Se encontra entre vós e, mais que qualquer um, está transfigurado “pela” e “na” Palavra. De facto – de uma outra maneira – Jesus diz-nos que o argumento mais forte para a Sua divindade é a nossa própria divinização. Estamos transfigurados e Ele é O transfigurante. E, dito isto, Continue a ler SEXTA-FEIRA – 27/MARÇO/2015