SEGUNDA-FEIRA – 15/DEZEMBRO/2014

BTO. JOÃO HENRIQUE CARLOS STEEB (1773-1856). Sacerdote alemão, de família luterana, converteu-se aos 18 anos. Fundou, em Verona, com Luísa Poloni, o “Instituto das Irmãs da Misericórdia” inspirado em S. Vicente de Paula, para assistir os doentes deficientes e ensinar os jovens. Este instituto está em Portugal desde 1971. O seu lema é: “caridade, humildade e simplicidade”.

SantaVirginiaBracelliSTA. VIRGíNIA BRACELLI (1587-1651). Após a morte do marido, esta Genovesa consagrou-se ao serviço dos orfãos, dos velhos e dos doentes e, depois, renunciando aos seus bens, participou, como auxiliar das “Cem senhoras da Misericórdia”. No ex-convento do Monte Calvário fundou a obra “Nosso Senhor do Refúgio do Monte Calvário”. Canonizada em 2003 por S.João-Paulo II.

Números 24, 2-7.15-17a ; Sal 24, 4bc-9 ; Mateus 21, 23-27

UMA AUTORIDADE QUE LIBERTA (Mat.21,23-27). A que autoridade confiamos as nossas vidas? À autoridade do poder, do parecer, do dinheiro? Ou à autoridade de Deus? Sem dúvida que a autoridade de Deus pode causar-nos medo. Se nos entregarmos a ela, que acontecerá à nossa liberdade, projectos e interesses? Todavia, a autoridade de Deus não é senão amor, bondade e benevolência. Ela faz-nos crescer. Colocarmo-nos sob a tutela dO Pai, dO Filho e dO Espírito, é acolher em nós mesmos um amor transbordante. A sua autoridade liberta-nos das zonas de sombra e torna-nos mais humanos, não só com os outros mas também com nós próprios. Em definitivo, a autoridade de Deus é a bitola de uma felicidade inexpugnável.

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

III DOMINGO DO ADVENTO – 14/DEZEMBRO/2014

SaoJoaoDaCruzS. JOÃO DA CRUZ (1542-91). Monge carmelita que, com 25 anos e sacerdote recém-ordenado, empreendeu com STA. Teresa d’Ávila, apesar de fortes oposições, a reforma dos Carmelos feminino e masculino. Mais tarde foi preso, pelos antigos carmelitas (ramo masculino) que não queriam a reforma. Passou 9 meses na prisão, tratado com extrema dureza. João costumava pedir a Deus 3 coisas: que não o deixasse passar um só dia sem sofrimento, que não o deixasse morrer ocupando um cargo de superior e que lhe permitisse morrer humilhado e desprezado. Foi bem atendido! Vivia numa ascese tão grande que a saúde se ressentia. Os escritos de João da Cruz (por ex: “O Cântico espiritual, e a “A Noite obscura”) tornam este místico um grande poeta da língua espanhola, com textos que relatam a “união esponsal da alma com Deus”, como o meio mais seguro, escreve ele, para se entrar no caminho pascal de Cristo.

Isaías 61,1-2a. 10-11 ; Lucas 1, 46-50. 53-54 ; 1 Tessalonicenses 5, 16-24 ; João 1, 6-8. 19-28

UMA ALEGRIA PARADOXAL (ls.61,1-2a.10-11). Podem discernir-se duas partes nestes versículos de Isaías. A primeira está centrada na boa nova transmitida pelo enviado de Deus, com as suas promessas de cura, de libertação, de felicidade. A segunda fala da resposta jubilosa da comunidade a este anúncio: “Eu estremeço de alegria nO Senhor…” Trata-se portanto da relação de Deus com o Seu povo, ou seja da Aliança. O contexto do 3º Isaías (capS 56 a 66) refere-se ao tempo, logo após o regresso do exílio, com as fatais decepções.  Israel não se engana na resposta e reconhece que Deus foi verdadeiramente pródigo nos seus benefícios: talvez Ele não lhe tivesse dado a vida que imaginara, resolvendo todos os seus problemas, mas dera-lhe certamente o essencial. O Senhor renovou a Sua Aliança, como sugere a imagem dos esponsais, e deu a Israel razões bastantes para ele lhE responder com justiça, louvando-O e sendo justo com os outros. E nós, que esperamos de Deus? A graça da renovação da nossa relação com Ele e com os nossos semelhantes, ou que Ele actue como um “mágico”, confortando-nos nos nossos desejos de ter ou de parecer? Seremos dos que só exigem para si, ou teremos corações pobres, conscientes das fraquezas e apegos mas também do apelo recebido para partilhar da vida de Deus? Não será esta pobreza a passagem incontornável para se aceder à alegria evocada no texto, e que foi a alegria de Maria, exultante em Deus Seu Salvador. Esta alegria, dom dO Espírito, é uma alegria paradoxal porque não recusa o sofrimento nem nos torna indiferentes aos outros. Aprendamos a vivificá-la, com a contemplação das obras de de Deus, na certeza da fé que “a Sua misericórdia não acaba” nem se “esgota a Sua compaixão” mas que “ela se renova em cada manhã” (Lamentações 3,22-23).

UMA GERMINAÇÃO INTERIOR (João 1,6-8.19-28). Como preparar o Natal com João Baptista? Saborear a alegria do Natal não é fácil. Quando se está em família, vivêmo-la imersos nas alegrias e complexidades da nossa vida familiar, mas, quando se está só, a solidão pode pesar mais do que nos outros momentos. E ainda, no meio da festa do Natal, o curso habitual do mundo pode perturbar-nos. Por isso o anúncio de João Baptista é, de facto, uma Boa Nova extraordinária : “No meio de vós está Aquele que vós não conheceis”. A experiência humana é sempre excitada no interior por Aquele que, nO Natal, vem iluminar as nossas existências e transformá-las. A alegria do Natal não nasce da agitação por vezes pesada que O envolve, mas sobretudo pela experiência de uma “entrada de vida”. O nosso mundo, que arrisca sempre a fechar-se sobre si mesmo, é visitado bem no interior por uma potência de vida que, em cada um, toma corpo na própria carne. Desde a Visitação – encontro de 2 futuras mães – que João Baptista pressente esta efracção divina. É sempre a partir do interior que O Verbo encarnado actua, nunca condicionado por leis exteriores. E é na nossa própria existência, com os nossos limites, que é possível precisamente nesse momento germinarem a justiça e a paz.

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SÁBADO – 13/DEZEMBRO/2014

SantaLuziaSTA. LUZIA (304). Natural de Siracusa, esta virgem foi martirizada na perseguição de Diocleciano. Prometida a um nobre da cidade, após a cura milagrosa da mãe, Luzia deu aos pobres todos os bens e renunciou ao casamento. O noivo sentiu-se traído e acusou-a de ser cristã. Celebra-se em Dezembro devido à raíz do seu nome, em latim, ser “luz”. STA. Luzia ficou associada à Luz vinda ao mundo para salvar os homens. Padroeira dos cegos, as suas relíquias estão em Veneza.

Ben-Sirá 48,1-4. 9-11 ; Sal 79, 2-3. 15-16. 18-19 ; Mateus 17,10-13

“ELES NÃO O RECONHECERAM…”(Mat.17,10-13). Terá João Baptista fracassado? É o que pareceria aos contemporâneos, testemunhas da morte e dispersão dos discípulos. Porém, nós cremos que nele se cumpriu a Escritura e se realizou o desígnio de Deus, pois Deus faz dos nossos fracassos, êxitos. Basta entrarmos na nova dimensão do tempo escatológico de Deus que sendo advento, é já presente.

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SEXTA-FEIRA – 12/DEZEMBRO/2014

JuanDiegoMostraAoBispoAImagemImpressaN. S. de GUADALUPE (1531). Nossa Senhora apareceu 4 vezes a Juan Diego, um índio de 48 anos convertido, e imprimiu a Sua imagem no seu poncho. Os prodígios que acompanharam as apa-rições, e a crescente devoção à Virgem, iniciaram o maior êxito missionário da história da Igreja. Em sete anos converteram-se 8 milhões de índios! S.Pio X proclamou-a, em 1910, Padroeira da América Latina. Hoje, Guadalupe, é o santuário mariano com mais peregrinos.

BeatoPioBartosikEMaximilianoKolbeBTO. PIO BARTOSIK(1891-1974). Jovem sacerdote franciscano polaco, aprisionado juntamente com Maximiliano Kolbe e 3 outros religiosos do Convento de Niepokalanówn. Morreu no campo de concentração de Auschwitz. Beatificado por S.João-Paulo II, 1999.

Isaías 48,17-19 ; Sal 1, 1-4. 6 ; Mateus 11,16-19

A TUA PAZ “COMO UM RIO.” (ls.48,17-19). “Se ao menos…” Acontece por vezes olharmos para trás com desgosto. Com frequência, a fé está associada a este sentimento de culpabilidade. Se, porém, aprofundarmos o texto de Isaías veremos como ele está longe disso. Hoje, O Senhor convida-nos a reler a nossa história à luz da Sua Palavra, para “prestarmos atenção” a essa palavra de amor. Na Acção católica, por exemplo, o método de “ver, avaliar, agir” ilustra e faz viver este “prestar de atenção”. Olhemos para as nossas vidas através da palavra dO Senhor para que a nossa paz seja “como um rio”.

“UM GLUTÃO E UM ÉBRIO.”(Mateus 11-15). Jesus é aqui apodado com expressões vulgares pelos seus críticos : “Um glutão e um bebedor de vinho”, que a sabedoria popular condena fortemente (Prov.23,20-21). Mas ainda mais escandaloso é chamarem-nO : “Um amigo dos publicanos e dos pecadores”; os publicanos, a soldo do ocupador romano, eram considerados colaboracionistas de baixo nível, condenados pela lei divina. É pois em contra-corrente à sabedoria humana que, de facto, “a Sabedoria de Deus Se manifesta”, ou seja pelo acolhimento de todos os que a sociedade despreza e rejeita… Nunca acabaremos de meditar este pequenino texto !

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.