XXXl DOMINGO DO TEMPO COMUM – 2/NOVEMBRO/2014

FieisDefuntosCOMEMORAÇÃO DE TODOS OS FIÉIS DEFUNTOS.
A Esperança é força e luz. É a mensagem reconfortante das leituras deste domingo. Ao celebrarmos Cristo morto e ressuscitado, nós afirmamos a nossa fé. Sim!, Ele abre-nos a vida eterna e traça-nos o ca-minho que ali nos conduz. Os nossos defuntos já nos precederam na Sua casa. Não faltemos ao encontro e preparemo-nos.

Sabedoria 2,1-4a.22-23; 3,1-9 ; Sal 26, 1. 4. 7-9a.13-
14 ; Romanos 8,14-17 ; Lucas 12,35-38.40

HERDEIROS COM CRISTO (Romanos 8,14-17). Qual é a promessa feita aos humanos senão “a glória”, humanos que têm todavia os seus dias contados, uma vez que Deus “lhes determinou um tempo e um número de dias” (Ben-Sirá 17, 2)? Paulo não nega a realidade do sofrimento ligada, entre outras, à experiência da morte, mas vai bem mais além : primeiro, recordando aos seus correspondentes que não estão sós (mas “com Cristo”) ; depois, dizendo-lhes que a morte é apenas uma passagem. Temos portanto a promessa de entrarmos na herança de Deus, que, dito de outra forma, é uma promessa de incorruptilidade e de imortalidade. Este dado da fé na ressurreição está no centro da mensagem cristã. Aliás, “se nós tivermos esperança em Cristo só para esta vida, seremos os mais miseráveis dos homens” (1 Coríntios15,19). Finalmente é importante sublinhar o papel dO Espírito. Tal como presidiu à criação (Génesis 1,2), Ele preside à nova Criação. Espírito vivificante, Ele é O princípio da nossa regeneração, da transformação do nosso corpo mortal. Estamos no cerne de um paradoxo que não foi mais fácil de viver pelos primeiros cristãos do que é para nós (ver 1 Tessal. 4,13-18). É verdade que nós somos “os grandes vencedores” no sentido de que “a morte  (…)  não poderá separar-nos do amor de Deus que está em Jesus-Cristo nosso Senhor…” (Romanos 8,37-39), e portanto ela não nos impedirá de vivermos “com Ele para sempre”. Todavia nós somos ainda confrontados com “o aguilhão da morte”, com a dor da separação e o medo daí resultantes. Ora este medo faz que vivamos a nossa existência “numa condição de escravos” (Hebreus 2,15). Então, abramo-nos aO Espírito de vida, princípio de incorruptibilidade, que nos enxerta em Cristo e nos faz entrar na liberdade dos filhos, tornando-nos desde já participantes da vida divina. Será este Espírito que nos fará expe-rimentar que os dons de Deus – incluindo o dom da vida – são irrevogáveis (Rom. 11,29).

A CHAMA DA ESPERANÇA (Luc.12,35-38.40). O homem não foi feito para morrer. Daí sofrermos tanto com a morte de alguém próximo. Bruscamente, não sabemos mais nada do ser amado. Para onde foi? Como se sente agora? Quando iremos revê-lo? Esta expectativa após a morte é muito difícil.  É necessário forçar-nos a viver apesar da au-sência, encontrar a coragem para retomar as actividades quotidianas, guardar em nós a chama da esperança ilumi-nando os outros no seu próprio desgosto…  Tudo isto prova as nossas forças e, muitas vezes, a nossa fé. Sómente O Mestre é capaz de dissipar as trevas das nossas impaciências e dúvidas. Com efeito, só Ele pode reunir todos aqueles que O amam. Felizes os servos que O Mestre, à Sua chegada, encontrar vigilantes. A morte volta-nos para Deus. Mas quem espera quem, finalmente? Deus tanto é Quem esperamos como Aquele que nos espera. Um verdadeiro Pai não pode abandonar os Seus filhos. Os nossos queridos mortos são para nós a lembrança desta promessa divina.   O evangelho de Lucas pretende mostrar que nada se perde no amor. A felicidade que tenhamos vivido em conjunto não se dispersa depois da morte. Pelo contrário, ela reúne-nos. Partilhamos esta esperança com os que nos precederam no caminho da vida, da qual a Igreja faz hoje memória. O dia de todos os fiés defuntos não deve ser dia de tristeza ou de lamentações. Ao irmos ao cemitério, é-nos possível contemplar o projecto de Deus para o homem : uma imensidade e uma eternidade de amor que já começou para cada um de nós.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

1º SÁBADO – 1/NOVEMBRO/2014 – SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS

Apocalipse 7, 2-4. 9-14 ; Sal 23, 1-6 ; 1 João 3,1-3 ; Mateus 5, 1-12a    
               
CAMINHO DAS BEM-AVENTURANÇAS (Mateus 5,1-12a). Qual de nós não procurará a felicidade? Qual de nós não se deixará impressionar por este apelo nove vezes repetido: “Felizes !” ? Essa felicidade é O próprio Jesus que a oferece a todos aqueles e aquelas que aceitarem segui-l’O. O dia de Todos os Santos é um dia de festa aberto à humanidade. Dia em que o homem reencontra a sua vocação primeira, na relação com Deus e nas mudanças que Ele opera no seu coração, nos seus pensamentos e actos, para purificar as próprias relações. Mudar de referencial, pôr-se ao serviço dos homens e das mulheres vítimas de injustiças, empenhar-se no serviço dos povos oprimidos, eis o programa! A alegria do Evangelho, é humildemente desejar a felicidade de todos, particularmente no serviço dos mais castigados pela vida, das “periferias”, como escreve o Papa Francisco. Nós recebemos a vida, uma família, amigos,dons e qualidades…  Felizes somos por não querer guardá-los só para nosso proveito.   Consentir nesta pobreza de coração, recusar deixar-se tentar pela vingança e pelo ressentimento perante os imprevistos e as contradições da vida, face à doença e às agressões, é abandonar- -se aO Espírito d’Aquele que é tudo em todos.   É trabalhar para que os homens saibam que são amados. Esta é a felicidade que recusa deixar-se tentar pela duplicidade, pela mentira, pela corrupção e violência. Então, ousemos entrar resolutamente neste caminho de santidade das bem-aventuranças.  

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

O verdadeiro significado de Halloween

Padre Oreste Benzi *

Halloween, 31 de Outubro. O que signfica? É uma composição de várias palavras em inglês “all saints day even”, véspera de todos os santos.

No século IX o Papa Gregório II quis ajudar o povo cristão a superar os ritos pagãos. O Papa transferiu a festa de todos os Santos do mês de Maio para o dia 1 de Novembro. Naquela noite, na tradição pagã era costume sacrificar as coisas mais valiosas ao deus das trevas que tomava posse da criação no período de inverno, quando as trevas prevalecem sobre a luz.

Os sacerdotes druidas iam de casa em casa para receber a oferta que tinha a finalidade de aplacar os espíritos maléficos, que assim deixariam de amaldiçoar ou inflingir alguma desgraça aos habitantes. A pergunta era: bênção ou maldição? Os que se recusassem a dar a oferta recebiam retaliações e desgraças.

Mesmo ao longo dos séculos esta data ficou entre as mais importantes do calendário satânico, além de o ser para a bruxaria e o espiritismo.

Nestas últimas décadas o mundo do esoterismo transformou este acontecimento em um ritual colectivo altamente propagandístico, interessando e envolvendo as crianças e os jovens. A pergunda originária transformou-se em: doce ou travessura? Assumindo um significado cada vez mais ligado ao ocultismo e, portanto, à exaltação do horror e da morte.

Dirijo-me aos pais e a todos os educadores pois aceitando esta celebração promove-se e desenvolve-se a adesão ao mundo satânico que já aprisiona multidões de adolescentes, sobretudo nas faixas urbanas das maiores cidades.

Já vemos na nossa sociedade os sinais nefastos deste mundo obscuro que captura os jovens levando-os a vestir-se de preto, a escutar música satânica, a frequentar locais dark, a tatuar os símbolos do mal.

Queremos que os nossos filhos festejem o Dia de Todos os Santos com os demónios, o mundo de satanás e da morte ou queremos que o celebrem com alegria e paz, vivendo na luz?

Exortem os vossos filhos dizendo-lhes: queres jogar e divertir-se com os demónios e os esíritos do mal ou em vez disso escolhes a alegria e a festa com os Santos que são os amigos simpáticos e maravilhosos de Jesus?

SEXTA-FEIRA – 31/OUTUBRO/2014

S. QUENTIN (séc.III). Cidadão romano, evangelizador da Gália, decapitado na cidade
da Picardia com o seu nome.

Filipenses 1, 1-11 ; Sal 110, 1-6 ; Lucas 14, 1-6 

A NOSSA VIDA PODE TORNAR-SE ORAÇÃO (Filip.1,1-11). Paulo está em oração.  Ele traz consigo rostos e apresenta-os aO Senhor. A sua oração está repleta de tantos rostos que até parece que também nós estamos nesta prece : a comunhão ultrapassa os séculos. O primeiro gesto de evangelização é a oração, não uma oração beata, mas uma oração como a de Paulo, que se abre ao mundo e leva todos os homens e mulheres aO Senhor.  Todos somos chamados a interceder, essa é a nossa respiração.  Quando pensarmos não ter tempo para orar, recordemo-nos de Paulo, a dirigir-se aos outros em oração.  A vida torna-se oração se nos virmos cada um nO Senhor.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.