QUINTA-FEIRA – 30/OUTUBRO/2014

BTA. DOROTEIA DE MONTAU (1347-94). Após ficar viúva, esta mãe de 9 filhos dos quais só a mais nova sobreviveu à peste de 1383 e foi irmã Beneditina, viveu como eremita numa exígua cela contígua à Catedral de Marienwerder, na Prússia, dedicada à oração. Tinha grande devoção ao Santíssimo Sacramento que era exposto na catedral durante todo o dia e que ela podia ver por uma estreita fresta da cela. Sobreviveu assim pouco mais de um ano, favorecida com muitas visões e revelações. O seu emblema é uma lanterna e um rosário. É Padroeira das viúvas, das famílias numerosas e do reino da Prússia, mas apenas foi beatificada (cultus confirmado) em 1976 pelo Papa Beato Paulo VI.

Efésios 6, 10-20 ; Sal 143,1. 2. 9-10 ; Lucas 13, 31-35

CONVIDADOS A AGIR (Ef.6,10-20). Como fiéis de Cristo, nós somos convidados à luta. Esta analogia com o soldado e a guerra não deve assustar-nos. Eu sei que o combate é por vezes mal travado: com intolerância, ódio, e morte. Ora o combate cristão funda-se numa convicção: o dom dO Pai em Jesus é muito maior que o mal e a morte. É com este dom que somos convidados a desequilibrar o mundo. Injustiça, miséria, isolamento, guerras, doenças: a tudo isto temos que dar a paz, a alegria e a justiça dO Senhor. Se duvidarmos da acção de Deus, retomemos esta página de Paulo e veremos que O Senhor nos convida à acção contra o mal.

“MAS É NECESSÁRlO QUE EU CONTlNUE O MEU CAMlNHO…” (Luc.13,31-35). Os Fariseus previnem Jesus que Herodes quer matá-lO. Jesus deixa efectivamente a região, não por medo daquele a quem chama raposa, mas porque ainda não terminou a Sua missão. Enviado pelO Pai para cumprir a obra de salvação e união de toda a humanidade, sabe que deve ir a Jerusalém e viver a Sua Páscoa. Jesus tem perfeita consciência da Sua missão e um grande desejo de a realizar. Para dizer isto, utiliza uma linguagem muito gráfica de uma mãe galinha que junta os pintaínhos sob as suas asas. Jerusalém, cidade da Aliança, cidade escolhida por Deus, que fizeste da ternura de Deus? E nós, nova Jerusalém, será que escutamos este grito de amor de Cristo? Só depende de mim voltar-me para Aquele que vem.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUARTA-FEIRA – 29/OUTUBRO/2014

BeatoMiguelRua_1BTO. MIGUEL RUA (1837-1910). Nascido numa família de operários, fundou aos 18 anos, com São João Bosco o “Instituto dos Salesianos”. Ordenado sacerdote aos 23 anos, acompanha D.Bosco em todos os trabalhos, sucedendo-lhe em 1988 na direcção da Obra. Permaneceu sempre fiel às suas recomendações: “trabalho e oração”, “amor ao Papa” e “devoção a Maria Auxiliadora”. Foi beatificado por S.Paulo VI, em 1975.

BeataChiaraLuceBTA. CHIARA LUCE BADANO (1971-1990). Filha única de pais católicos, aos 13 anos entrou no “Movimento dos Focolares”, fundado em 1943 por Chiara Lubich. Cresceu rápidamente na vida espiritual e era ridiculizada pelas amigas por ir á missa todos os dias da semana. Aos 17 anos uma dor aguda no ombro revelou um ósteosarcoma e iniciou 2 anos de calvário: “Se é o que queres, Jesus, é também o que eu quero”. Repetia: “Serei santa, se for santa já”. Os amigos iam visitá-la para a consolar e voltavam a casa consolados. Testemunha duma fé luminosa, foi beatificada (2010) no pontificado de Bento XVI.

Efésios 6, 1-9 ; Isaías 144, 10-14 ; Lucas 13, 22-30

MAIS DO QUE TODO O OURO DO MUNDO (Ef.6,1-9). Nas nossas famílias, nas nossas comunidades, nos nossos locais de trabalho, o poder sobre os outros levanta sempre questões. Violência, traição, manipulação, ferem-nos e convidam-nos a vermos essas relações nO Senhor. Paulo inspirou sem dúvida José Cardijn, fundador da “Juventude operária cristã” (JOC), quando este dizia que “um jovem trabalhador vale mais que todo o ouro do mundo, porque ele é filho de Deus”. Versão contemporânea desta página de Paulo. Sim, o outro, sobretudo se as instituições humanas nos disserem que ele está numa situação de “inferioridade”, vale mais do que os nossos desejos de poder. Só O Senhor nos permite a autêntica “imparcialidade” porque só Ele é o juíz do bem que fazemos.

“ESFORÇAI-VOS POR ENTRAR PELA PORTA ESTREITA…” (Luc.13,22-30). Esta imagem da “porta estreita” recorda-me um percurso de “jogging” na montanha que incluia alguma escalada. Havia uma passagem, muito estreita, entre duas vertentes rochosas, conhecida como a “chaminé do Paraíso”. Uma vez ultrapassada, alcançava-se um pico onde um magnífico panorama surgia aos nossos olhos. A porta estreita de Jesus é esta passagem que temos de franquear sózinhos, mesmo que outros vão à nossa frente ou nos sigam. Para a ultrapassar, há que tornar-se pequeno e desatravancar esse “eu” que tanto gosta de se encherr com ninharias. Cada passagem estreita é uma ocasião para se aderir aO Cristo humilde que vai à frente a abrir-nos o caminho. Finalmente , será de porta estreita em porta estreita que nós seremos conduzidos, um dia, à porta da Vida eterna, desse Paraíso que nos aguarda em Deus.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

TERÇA-FEIRA – 28/OUTUBRO/2014

SaoSimaoESaoJudasS. SIMÃO e S.JUDAS (séc.I).  Dois dos Apóstolos de Jesus,  associados na liturgia  tal como na lista dos Doze que consta nos evangelhos. Simão, chamado de “o zelote” e Judas, de apelido Tadeu, terão sido mortos depois do Pentecostes, numa emboscada na Pérsia. A tradição também refere que S.Simão terá sido serrado vivo e  S. Judas terá sido decapitado com uma acha.

Efésios  2, 19-22 ; Sal 18, 2-5 ; Lucas 6, 12-19

QUAL É A NOSSA IGREJA ? (Ef.2,19-22).  Na festa dos Apóstolos, Simão e Judas, a epístola aos Efésios convida-nos à pergunta: Qual é a nossa Igreja? É grande a tentação de fazer das nossas comunidades grupos identitários, afins, onde nos sentimos bem uns com os outros. Paulo refuta  esta visão. Só a nossa relação com Cristo constrói Igreja. É pelo nosso encontro com O Senhor Jesus, nos sacramentos, na Escritura, nos irmãos, que a construção da Igreja se ergue e toca o coração do mundo.   Indo mais além do que as nossas afinidades ou do que as vontades contractuais, a Igreja não é de forma alguma uma “associação, decreto lei nº…” : ela é essa abertura que O Pai faz dO Seu Reino com – uma única porta – Jesus Cristo.“Concidadãos do povo santo…”  A expressão visa a integração dos pagãos na Igreja.  Aqueles que eram considerados estrangeiros fazem agora parte da cidade nova, com o mesmo título que os santos.  Mas que significado tem esta palavra no Novo Testamento? No princípio, “os santos” designavam o primeiro grupo judaico-cristão de Jerusalém à roda de Pedro e de Tiago; mais amplamente, tratava-se dos que haviam sido os primeiros na fé em Cristo ; todos esses se associavam ao povo messiânico (santo) de Israel.

“QUANDO NASCEU O DIA, CHAMOU OS DlSCíPULOS e ESCOLHEU DOZE…” (Luc.6,12-19). Toda a escolha acarreta um risco: tal é a liberdade do homem!   Jesus não conhece tudo de antemão mas sabe que os discípulos sonham com um Messias poderoso, e isto até mesmo após a Sua morte.   Simão, que hoje celebramos, não era partidário de uma luta armada contra o ocupante romano? Judas Iscariotes irá trair Jesus e Pedro negá-lO-á… Mas o caminho dos discípulos é também o nosso : os nossos desejos de omni-potência devem passar pela cruz para acedermos a uma outra compreensão da missão de Jesus.  A escolha de Cristo  passa pela cruz, para Ele e para os que O Seguem. Trata-se de uma aposta louca; Deus coloca-Se nas nossas fracas mãos e se cairmos Ele levanta-nos.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SEGUNDA-FEIRA – 27/OUTUBRO/2014

SaoGoncaloDelagosS. GONÇALO DE LAGOS (370-1422). Beato português cuja devoção, sobretudo no Algarve, é tão grande que os pescadores o chamam Santo. Tomou o hábito de STO. Agostinho no convento da Graça em Lisboa. Dedicou-se à prégação e foi superior de vários mosteiros da sua Ordem, exor-tando os monges a observar as Regras e demais virtudes cristãs. O corpo jaz em Torres Vedras.

SantaAntonietaDeBresciaSTA. ANTONIETA DE BRESCIA (1407-1507).  Natural de Brescia, esta dominicana italiana passou 30 anos da sua longa vida no mosteiro de Brescia como religiosa e prioresa. Enviada a Ferrara, para ali reformar o convento das dominicanas, fê-lo com rigor, recordando nomeadamente às irmãs os seus votos esquecidos de pobreza.

Efésios  4, 32–5, 8 ; Sal 1, 1-4. 6 ; Lucas13, 10-17

IMITAR O SENHOR (Ef.4,32–5,8). É uma armadilha, tanto para a catequése como para o exame de consciência, onde com frequência podemos cair : procurar um catálogo de coisas para fazer ou para não fazer.   Será este o exercício a que Paulo hoje nos convida? Considerá-lo seria redutor. Não se podem colocar mesmo plano uma lista de exemplos precisos, sinais duma pedagogia, e a necessidade de imitar O Senhor. É isto o essencial : para ser fiel a Cristo, a vida deve ser uma imitação de Deus.  Difícil? Com certeza! Mas Paulo dá-nos o segredo para alcançarmos este objectivo: tal como Cristo, somos chamados a oferecer-nos aO Pai e aos homens. Então, onde é que eu vivo este dom total?

AMulherEncurvada_Tissot“MULHER, ESTÁS LIVRE DA TUA ENFERMIDADE!” (Lucas 3,10-17).  Hoje é Jesus que toma a iniciativa de fazer um milagre.  Ninguém lhE pedira nada, mas Ele viu uma mulher encurvada pela doença e pelo peso das provações e não pôde suportar vê-la assim dobrada, sinal de uma humanidade em sofrimento. Ele faz então um grande milagre. Qualquer fisioterapeuta – conhecedor do longo trabalho necessário para se ganhar um centímetro – muito gostaria ver esta mulher endireitar-se assim “na marquesa”. Todavia, este milagre é apenas o sinal de uma realidade bem maior : na Sua ressurreição Cristo reergeu a humanidade, criada para estar de pé a olhar face a face o rosto de Deus e dos seus irmãos. Este “trabalho” de cura, nenhuma lei o podia evitar.  Nenhum dia de sábado justificava seu adiamento! A multidão não se enganava: alegrava-se, porque descobria ter sido libertada.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.