QUINTA-FEIRA – 23/OUTUBRO/2014

SaoJoaoDeCapristanoS. JOÃO DE CAPISTRANO (1386-1456). Apóstolo da Itália, com S.Bernardino de Sena seu grande amigo, este ex-advogado e franciscano, foi nomeado por Nicolau V, “núncio” apostólico da Alemanha, Boémia, Polónia e Hungria.  Apesar de duas tentativas de envenenamento, congregou a cristandade no combate a Maomé ll, terror da Europa e açoite de Deus para castigo das culpas dos cristãos, que, em 1456, viera cercar Belgrado. Antes da batallha ele percorreu as fileiras do exército dos cristãos exortando-os com o crucifixo na mão, e estes, apesar do menor número, venceram. Ficou conhecido como “o santo soldado”.

Efésios  3,14-21; Sal 32,1.3-5.11-12.18-19; Lucas 12, 49-53

“A LARGURA, A PROFUNDlDADE…” (Ef.3,14-21). O autor da carta aos Efésios é um visionário que aumenta ao máximo a apresentação da salvação para todos que ele descreve.  Todas as dimensões do espaço são aqui honradas para evocar a extensão extrema do amor de Deus ao qual nenhuma criatura escapa. Porque O Deus que Cristo nos dá a conhecer é simultâneamente criador e salvador. A salvação que Ele nos oferece no Seu Filho está já em germe na Criação, à qual ela preenche inteiramente.  Alguns Padres da Igreja viram nas quatro dimensões os 4 ramos de uma cruz cósmica abraçando todo o universo num amor infinito. Outros lêem aí a plenitude da sabedoria divina, que permite ao crente avançar no conhecimento de Deus.

AS DORES DE PARTO DE UM MUNDO NOVO (Luc.12,49-53).   Jesus começa por aludir indirectamente à Sua Páscoa próxima, ao falar do baptismo que irá receber e do fogo dO Amor (Espírito Santo) de que Ele é O fruto. Jesus não se contentou em “dar pleno sentido” ao sofrimento , Ele salvou realmente aquilo que, sem a Sua morte e ressurreição, estaria perdido. Ele assumiu salvar-nos pessoalmente e concedeu-nos o dom total e definitivo da Sua vida. Foi por nós que Cristo desejou receber o baptismo da morte, a fim de nos ressuscitar com Ele.   Aceitemos que seja cumprido, consentindo amar com a força do amor de Cristo. Mas Jesus não Se deu só por amor, porque permitiu ainda que entrássemos no movimento do dom total pelos nossos irmãos. É este o sentido do nosso baptismo que nos faz viver como Filhos de Deus.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUARTA-FEIRA – 22/OUTUBRO/2014

SaoJoaoPauloIIS. JOÃO-PAULO II (1920-2005). No dia 22 / Out./ 1978, Karol Wojtyla foi solenemente entronizado sob o nome de João-Paulo II. O dia de hoje foi escolhido para a memória litúrgica deste glorioso Papa polaco, canonizado em 27/4/2014.

BeatasJosefinaLerouxECompanheirasBTA. JOSEFINA LEROUX e COMPANHEIRAS (1794). Onze religiosas clarissas e ursulinas, de Valenciennes, que, com quatro irmãs da Caridade, de Arrás, foram guilhotinadas na Revolução Francesa. Josefina subiu alegremente para o cadafalso, beijou a mão do carrasco e perdoou a todos. O papa Bento XV beatificou-as em 1920.

Efésios 3,2-12; Isaías 12,2-6; Lucas 12,39-48

“O MEU SENHOR TARDA EM VlR…” (Luc.12,39-48). Alguns decénios após a desa-parição de Jesus, os primeiros apóstolos são mortos e muitos cristãos interrogam-se : porque não volta O Senhor como prometeu? Os cépticos troçam : porquê esperar? A Parúsia (2ª vinda de Cristo) nunca acontecerá, o melhor será aproveitar os prazeres da vida, dizem. Os evangelistas retomam a questão por meio de pequenas parábolas.  Sim, O Senhor (o Mestre!) tarda, mas a Sua promessa cumprir-se-á. Pouco importa o tempo que demorar, os crentes devem vigiar continuamente e estar preparados para O acolherem a qualquer momento. Segundo a segunda carta de Pedro, O Senhor, na Sua infinita paciência, dá assim a todos “o tempo para chegarem à conversão”. Dois mil anos mais tarde, é-nos necessário recordá-lo! A confiança de Cristo em nós é imensa. Podia ter-nos deixado só as chaves da casa, mas fez bem mais: confiou-nos uns aos outros. Qual é a Sua maior riqueza? Os Seus irmãos, os filhos dO Seu Pai do Céu; os nossos irmãos, do maior ao mais pequeno. Jesus chama-nos à responsabilidade: o dom de Deus está nas nossas mãos. As nossas irmãs e irmãos são-nos confiados pelO Pai. Jesus parece dizer-nos : mostra-Me como tratas os teus irmãos e Eu dir-te-ei que vigilante és tu! Eis o que dá sentido à minha vigília: aguardar Cristo, acolhendo-O quando Ele vier até mim sob os traços do meu próximo.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

TERÇA-FEIRA – 21/OUTUBRO/2014

BeatoNicolauBarreBTO. NICOLAU BARRÉ (1621-66). Viveu uma vida de apóstolo, de místico, de mestre espiritual, de pedagogo, animado pelo Espírito de Deus. Sensibilizado pela extrema miséria, material e moral, das crianças das ruas, fundou para elas o “Instituto das Irmãs do Menino Jesus”. Tinha humildade e caridade.   Foi beatificados por S. João-Paulo II (1999).

Efésios  2, 12-22 ; Sal 84, 9-14 ; Lucas 12, 35-38

“ESTEJAM APERTADOS OS VOSSOS CINTOS…”(Lucas 12,35-38). Qual é pois o traje de serviço de que nos fala o evangelho? Certamente a roupa de trabalho! Ela é verdadeiramente a roupa do vigilante… Vigiar, é pois desejar-se Deus através de tudo o que fazemos, mas com o grande cuidado de servir os nossos irmãos. Se a vigília é solitária, ela todavia põe-nos sempre em comunhão. Por isso ela está ligada à oração. Da mesma forma que a luz acesa no santuário recorda a presença divina, também o nosso desejo de servir fielmente pode ser assimilado a uma lâmpada que resplandece. STO. Agostinho diz-nos: “O teu desejo, é a tua oração”. Vigiar, desejar, orar são uma unidade! É a maneira de fazer Deus entrar no nosso quotidiano e tudo viver n’Ele, por Ele e para Ele. O Senhor também vigia. O Mestre far-se-á servo: eis o que nos remete para o mistério da Encarnação, e a Cristo do Sábado Santo. Estes versículos podem também levar-nos ao Deus que jamais cessa de aguardar a resposta da humanidade ao Seu amor, vigiando sobre a vida e o crescimento do Seu povo. Nós sabemos pela Escritura que a noite da saída do Egipto foi uma noite de vigia para O Senhor (Êx.12,42); e o Salmo 120 recorda-nos que “o guardião de Israel” nunca dorme nem sequer dormita. Talvez a vigilância seja mais fácil, se nos apercebermos que nela somos precedidos por esta presença que está dependente do amor.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort(Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SEGUNDA-FEIRA – 20/OUTUBRO/2014

SantaMariaBoscardinSTA. MARIA BERTILA BOSCARDIN (1888-1922). Nascida numa família de camponeses, teve uma mãe paciente, com um marido violento, que a ensinou a ser humilde e a rezar.  Durante a 1ª Guerra Mundial, esta enfermeira italiana, religiosa de STA. Doroteia, dedicou-se sem descanso ao tratamento dos feridos. Morreu depois de uma operação cirúrgica e, com a sua agonia serena e confiante, converteu à fé o próprio médico-chefe do hospital. Foi canonizada pelo Papa S. João XXIII, em 1961.

Efésios  2, 1-10 ; Sal 99, 2-5 ; Lucas12, 13-21

EstaMesmaNoiteSeraPedidaATuaVida“ESTA MESMA NOITE SERÁ PEDIDA A TUA VIDA…”  (Luc.12,13-21). Esta frase deve fazer-nos tremer, ou tratar-se-á duma Boa-nova? O Evangelho nunca usa o medo para nos converter, mas deve escu-tar-se para nos despertar! Deus, que é Vida, só pode desejar a autêntica vida para os Seus filhos. Ele põe-nos em guarda: uma pequena vida egoísta e mesquinha não tem consistência, dissolve-se. Mas existe uma outra vida que dilata o coração porque está aberta aos nossos irmãos e a Deus. Essa vida não está abafada pelos bens. Não os desprezamos (sabemos da sua dura necessidade), mas as riquezas recebidas de Deus são para partilhar entre os homens. Então, elas desempenham o seu papel de boas servidoras e falam-nos daquilo para que nós somos realmente feitos. Cristo convida-nos a uma interrogação existencial. Sobre o quê fundamentamos a nossa vida? Como gerimos a angústia que nasce da nossa finitude? De quem e de quê fazemos depender a felicidade?

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort(Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

XlX DOMINGO DO TEMPO COMUM – 19/OUTUBRO/2014

DIA MUNDIAL DAS MISSÕES 2014
Mensagem do Santo Padre

Beatificação de Paulo VI, Papa.

SaoPedroDeAlcantaraS. PEDRO DE ALCÂNTARA (1449-1562). Místico, contemporâneo de Santa Teresa de Jesus (conheceu-a em 1560, acreditou na autenticidade das visões e apoiou-a na reforma do Carmelo), nasceu em Villa de Alcántara (Cáceres), filho de uma das famílias mais poderosas. Estudou gramática e filosofia em Alcântara, e as leis canónicas e civis em Salamanca. Aos dezaseis anos entrou nos Fanciscanos onde escolheu o nome de Pedro de Alcântara. Grande orador e director espiritual, viveu e morreu sempre fiel à regra franciscana, cujos pilares são a contemplação, a oração, a penitência, o retiro espiritual, a pobreza e o auxílio aos irmãos com o amor e a caridade. O Papa Leão XII proclamou-o, a pedido do imperador D. Pedro, Padroeiro do Brasil (hoje co-padroeiro com NSA  Senhora da Aparecida). O Papa S. João XXIII declarou-o, em 1962, também Padroeiro da Estremadura espanhola.

SaoPauloDaCruzS. PAULO DA CRUZ (1694-1775). Paulo Danei, nasceu em Ovada, Itália.  Sua mãe ensinou-o a ver na Paixão de Cristo a força capaz de superar todas as dificuldades. Foi a partir do primado da “palavra da Cruz” na vida interior que Paulo da Cruz, nas pégadas de Paulo de Tarso, levou o Evangelho como “palavra de re-conciliação”, através da paternidade espiritual e da prégação, aos lenhadores, pastores e pescadores, mesmo sem ter ainda a aprovação do papa Bento XIV (só obtida 1714), da Ordem monática dos “Clérigos Descalços da Santíssima Cruz e Paixão de Nosso Senhor”, vulgarmente chamados de “Passionistas”. Pio IX canonizou-o em 1867.

BeatoJerzyPOPIELUSZKOBTO. JERZY POPlELUSZKO (1947-84).Sacerdote, manso e resoluto, próximo do sindicato “Solidarnosc” polaco, “sómente com as armas espirituais da verdade, da justiça e da caridade, reivindicou a liberdade de consciência dos cidadãos e dos sacerdotes”, assassinado pela polícia política que o raptou e torturou “por ódio à fé”. Mas a consciência não morre e o funeral transformou-se numa manifestação. O Papa S. João-Paulo II beatificou-o em 2010.

Isaías 45,1. 4-6 ; Sal 95,1. 3-5. 7-10a.c ; 1 Tessalonicenses 1,1-5b ; Mateus 22, 15-21

A IMAGEM DE DEUS EM HERANÇA (Mat.22,15-21). Os versículos deste Evangelho podem ser lidos a vários niveis. Há em primeiro lugar os factos tal como são relatados e interpretados por Mateus.  Mas uma palavra torna-os uma passagem chave da Escritura, e abre caminho a uma leitura menos imediata: trata-se do termo “efígie, imagem”. O tom é dado logo de início: experimentar Jesus; diga o que disser, terá de confrontar-Se ou com os judeus ou com o poder político. Mateus condensa sobre o grupo dos fariseus uma parte da oposição a Cristo, mas cabe ao leitor lançar-se numa pesquisa, para ter uma percepção mais clara do judaísmo da época, a partir de fontes menos marcadas pela rotura entre a sinagoga e a Igreja nascente. E também podemos interessar-nos sobre a efígie ou imagem gravada na unidade da moeda, que indica a pertença desta última. Foi o que fizeram os Padres da Igreja (Orígenes, STO. Agostinho, Gregório de Nissa), ao debruçarem-se sobre a unidade que é a “alma humana” portadora da imagem de Deus (Génesis 1). Mas, seja qual for a leitura, este evangelho é rico de ensinamentos espirituais e convida-nos ao discernimento. Como Cristo, há que separar, que diferenciar, onde a tendência é para a confusão entre Deus e César. Mas estes versículos chamam também a nossa atenção para a manipulação, da qual por vezes somos os autores e por vezes vítimas, com o processo clássico que consiste em lisonjear e convidar à vaidade para dessa forma se fazer descuidar as defesas. O tema da efígie interroga-nos como “dar a Deus o que é de Deus”. STO. Agostinho (“Discurso sobre os salmos”, sobre o Sal.94 p.ex.), propõe que pratiquemos o amor dos inimigos porque “O Nosso Pai (…) faz nascer o sol sobre os bons e os maus”. Será desta forma que contribuiremos para “re-esculpir” sobre “o denário da nossa alma, a imagem do Nosso Deus”, e sair do mundo da dessemelhança para entrar no da semelhança. Está em jogo algo importante: aproximar-nos ou afastar-nos de Deus. O discípulo de Cristo está no mundo como o fermento na massa, para explicitar no seu seio a acção dO Espírito.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.