SEXTA-FEIRA – 19/ETEMBRO/2014

SaoJanuarioS. JANUÁRIO (270-305). Bispo de Benevento, foi decapitado na perseguição de Diocleciano. O seu sangue, conservado numa ampôla na Catedral de Nápoles, liquefaz-se regularmente de forma inexplicável. Padroeiro da cidade de Nápoles.

1 Coríntios 15,12-20 ; Sal 16, 1. 6-8b.15 ; Lucas 8, 1-3

PLENITUDE DE COMUNHÃO COM DEUS (1 Cor.15,12-20).  Negar a possibilidade da ressurreição dos mortos tem consequências graves. Desde logo, esvazia de sentido a ressurreição de Cristo, “primogénito de uma multidão de irmãos”, e mata a esperança de uma vida nova, inaugurada na Páscoa de Cristo que desencadeou um processo de libertação (“Se Cristo não ressuscitou, não estais livres dos vossos pecados). Claro que a nossa ressurreição é realidade de fé que não pode representar-se a não ser sob o ângulo duma plenitude de comunhão com Deus, da  qual já saborearmos as primícias na oração, bem como a felicidade a que aspiramos.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUINTA-FEIRA – 18/SETEMBRO/2014

SaoJoaoDeMaciasS. JOÃO DE MACIAS (1585-1645). Nascido em Ribera del Fresno na Estremadura espanhola, primeiro foi pastor na sua terra e depois, convidado a trabalhar para um proprietário rico do Peru, emigrou para a América. Conhecido pela sua piedade, dava tudo aos pobres. Aos 36 anos foi aceite nos Dominicanos onde, durante 20 anos, foi irmão porteiro e a quem ricos e pobres procuravam para aconselhamento. Era conhecido pelas suas visões e oração ininterrupta do Rosário pelas intenções das almas do purgatório. A tradição conta que a caridade e as orações de Juan de Macias terão levado ao céu mais de um milhão de almas. Foi canonizado em 1975 pelo Papa Paulo VI.

1 Coríntios 15, 1-11 ; Sal 117,16ab-17. 28 ; Lucas 7, 36-50

“ELE APARECEU-ME COMO A UM ABORTO…” (1Cor.15,1-11). Os especialistas discutem o sentido exacto desta palavra: criança mal formada, criança nascida de uma mãe morta…  A palavra diz apenas que houve um arrancar violento que transformou a vida de Paulo. Em qualquer caso, evoca uma situação de fraqueza e de inferioridade relativamente aos outros discípulos: Paulo não conheceu Jesus na Sua vida terrestre. Ele sabe-o e está desconfortado, mas pouco importa! Como por efracção, ele introduz-se na formulação do kerigma (mensagem), na proclamação da fé cristã, já tradicional: “Ele apareceu-me também a mim”. Espectacular audácia!

“ÀQUELE A QUEM POUCO SE PERDOA POUCO AMA…” (Luc.7,36-50).  “Ó Deus, envia-nos loucos. Que eles se empenhem a fundo, que amem mais do que por palavras, que se entreguem verdadeiramente até ao fim”.  Mas quem é o maior louco, Jesus ou a mulher?: os 2!  Jesus mostra a Sua loucura de amor perdoando sem aguardar nenhuma palavra de arrependimento. Ele deixa-Se tocar, não só por gestos mas pela angústia envolvida em ternura. Quanto à mulher que derrama abundantes lágrimas e perfumes, ela inverte a lógica das pessoas sensatas e arranca do coração de Jesus o que ninguém poderia
dar-lhe : a graça de ser liberta da escravidão do pecado. Simão !, escuta o que Cristo te diz hoje, e ama até à loucura.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUARTA-FEIRA – 17/SETEMBRO/2014

SaoRobertoBelarminoS. ROBERTO BELLARMINO (1542-1621). Jesuíta da Toscana. Pela sua palavra e pela escrita, dedicou-se a refutar ponto por ponto as afirmações dos reformadores numa defesa esclarecida da ortodoxia católica que fez a Igreja proclamá-lo Doutor.

1 Coríntios 12, 31–13,13 ; Sal 32, 2-5.12. 22 ; Lucas 7, 31-35

“MOVER MONTANHAS…”(1Cor.12,31–13,13). Paulo tinha certamente escutado os relatos relativos à frase de Jesus sobre a fé que move montanhas (Mat.17,20). Retomá-la-á ele aqui com algum humor? É certo que ele responde com firmeza aos Coríntios que comparavam entre si as qualidades e os dons, pretendendo cada um sobrepôr-se aos outros: os dons dO Espírito são múltiplos, e não podem ser reservados nem hierarquizados! Afinal, a fé também é um dom: uns são mais dotado para ter confiança sem se inqui-etar, outros, mais angustiados, são atingidos pela dúvida. Mas uma só coisa importa: O amor – agapè – que os faz viver em conjunto, os faz aceitar as diferenças, e colocarem-se ao serviço uns dos outros, no acolhimento, cuidado e perdão recíprocos.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

TERÇA-FEIRA – 16/SETEMBRO/2014

S. CIPRIANO DE CARTAGO (210-258). “Fora da Igreja, não há salvação”:  este célebre adágio deve-se a S.Cipriano. Nascido na África do Norte no seio de uma família pagã, Cipriano teve uma vida fácil e dissoluta, antes de se converter aos 35 anos. Pouco depois foi ordenado e eleito bispo de Cartago. Fez da unidade da Igreja o seu principal cavalo de batatalha pois sabia conciliar a exigência e a compaixão.  Quando da perseguição de Décio em 250 muitos cristãos renegaram a sua fé, para escaparem à morte. Com o regresso da paz levantou-se a questão do destino a dar no seio da Igreja a esses “lapsi” (apóstatas).  Enquanto uns, por espírito de misericórdia,  queriam admiti-los de novo na comunhão e na eucaristia, outros, mais rigoristas, pretendiam bani-los da Igreja. O bispo Cipriano encontrou uma via intermédia, um ponto de equilíbrio entre as duas atitudes extremas : aceitou acolher os “lapsi”, na condição de eles praticarem uma penitência real “nas lágrimas, na oração, no jejum e na esmola”. Na mesma época, a desorganização das comunidades e a desordem dos espíritos nascidas das perseguições levou alguns sacerdotes a pregarem doutrinas cismáticas. Cipriano lutou sem descanso contra os que queriam fazer mal à unidade da Igreja. Ele próprio, ainda que em desacordo profundo com o papa Estevão sobre a validade do baptismo dos heréticos, nunca rompeu com Roma, por estar convencido que “Aquele que não respeita a unidade da Igreja, também não respeita nem a lei de Deus, nem a fé nO Pai e nO Filho”. Em 258, numa nova perseguição, Cipriano foi preso, e ao recusar sacrificar aos ídolos foi decapitado no mesmo dia. Visto como o 1º Doutor latino da Igreja, Cipriano de Cartago (actual Tunísia) deixou importante obra escrita. Os seus tratados de moral cristã e, em especial, o seu comentário do Padre Nosso, ainda hoje podem ser lidos com grande proveito.

1 Coríntios 12, 12-14. 27-31a ; Sal 99, 2-5 ; Lucas 7, 11-17

PEDIR PRIMEIRO O AMOR (1 Cor.12-14.27,31a). O convite a procurar os melhores dons precede o “hino à caridade” (1Cor.13). Paulo põe assim em evidência que o dom a pedir prioritariamente é o amor – um fruto dO Espírito.  E isto, quando o que está em questão é construir a unidade da comunidade cristã no respeito da diversidade de dons de cada um. De facto, o amor é fonte dum outro olhar sobre o próximo, que anula não só a inveja mas também o sistema de valores mundanos que dividem (esravos/homens livres, ricos/pobres, homens/mulheres, instruidos/incultos). Uma mensagem que tem toda a actualidade !

RessurreicaoDoFilhoDaViuvaDeNaim_Minniti“JOVEM, EU TE ORDENO, LEVANTA-TE!” (1 Cor.12-14.27,31a). Estas palavras pertencem ao grupo das curas milagosas cujo relato costumamos ler.  Mas, coisa espantosa, o jovem a quem Jesus fala é na realidade um defunto.  E eis que Jesus lhe dirige a palavra como se ele estivesse vivo! Para Jesus, este jovem não estava na verdade morto.  A morte não tem a última palavra : ao retituir-lhe a vida, Jesus devolve-lhe a palavra e devolve-o à mãe. Trata-se de um único e mesmo movimento.  Este relato recorda-nos que toda a vida é pascal, feita de passagens da morte à vida, e que ela surge onde menos a esperávamos. Ela é uma potência frágil, com frequência escondida e subterrânea, e todavia bem presente.  Que O Espírito nos abra os olhos para a ver, a acolher e a viver !

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SEGUNDA-FEIRA – 15/SETEMBRO/2014

BTO. ROLANDO DE MÉDICIS (1330-1386).  Viveu vinte seis anos como eremita numa floresta perto de Parma, entregando-se inteiramente à contemplação, em linha directa com os Padres do deserto.

NOSSA SENHORA DAS DORES  O pensamento de Maria aos pés da Cruz tem ajudado muito os cristãos de todos os tempos a encontrarem um sentido para os sofrimentos.

Hebreus 5, 7-9 ; Sal 30, 2-6. 14-16. 20 ; João19, 25-27 ou Lucas 2, 33-35

“ELE SUBMETEU-SE EM TUDO…” (Heb.5,7-9). O texto da Carta aos Hebreus evoca o relato do Getsémani: angústia e súplica de Jesus perante a morte terrível que O espera.  Ora, diz-nos o autor, Jesus foi salvo da morte ; para lá do visível, o Seu pedido foi atendido por Deus “porque Ele Se submeteu em tudo”. O texto grego aqui interpretado é um pouco diferente; fica melhor traduzido “por causa da Sua piedade”. A palavra utilizada, da  cultura greco-romana, designa um respeito profundo , um justo distanciamento observado face à divindade. Ela representa um tipo de relação em que cada um reconhece plenamente o lugar e a decisão do outro.  A permuta entre Jesus e O Pai leva ao extremo a atenção mútua, num laço tão forte que atravessa a morte.

A COMPAIXÃO,CRITÉRIO DO AMOR AUTÊNTICO  (Jo.19,25-27). Talvez nos sintamos incomodados nesta festa, porque desconfiamos de qualquer exaltação do sofrimento.  Procuremos então decifrar o que ela nos dá para meditação. Assim, a correcta compreensão do sofrimento humano – o de Cristo e o de Sua mãe – interpela o mundo ocidental com a sua propensão para o esconder ou o realçar. Quanto á dimensão da compaixão, que consiste sofrer com o outro, acompanhamo-lo no seu caminho de dor, ela é-nos apresentada como critério do amor autentico: de Maria pelo Seu Filho e pelos membros do seu Corpo de que Ele é a cabeça.

NossaSenhoraDasDores_Tretyakov“MULHER, EIS O TEU FILHO…”  (João 19,25-27).  Em algumas palavras simples realiza-se um acontecimento inaudito : Maria, a Mãe de Deus, torna-se a Mãe da Igreja.  Com O Senhor da Vida crucificado, entramos num mistério duma vida maior do que a maternidade humana. Maria está ali em compaixão com O seu Filho, “só no maior sofrimento”, e então que cumpre-se a abertura sobre o infinito do mistério de Deus. A Páscoa já está ali! Nunca esqueçamos que com Cristo a morte foi aniquilada de uma vez por todas, e que a Ressurreição teve lugar.  Quando formos, com a humanidade, mergulhados no mistério da dor, deixemo-nos penetrar pela certeza de que a vida é vitoriosa. A Mãe dO Crucificado, a Mãe dO Ressuscitado, a nossa Mãe, ensinar-no-lo-à pouco a pouco.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.