IV DOMINGO DA QUARESMA – 30/MARÇO/2014
Directo, 11h: Angelus Domini
S. JOÃO CLÍMACO (575-649). Autor de um tratado de espiritualidade “A escada do Paraíso”, onde descreve o itinerário a seguir para se alcançar a perfeição cristã em total união com Deus. Viveu no Sinai cinquenta anos, primeiro como eremita depois como monge.
1 Samuel 16,1b. 6-7.10-13a ; Sal 22,1-6 ; Efésios 5, 8-14 ; João 9,1-41
O GESTO DA CRIAÇÃO (João 9,1-41). O episódio do cego de nascença constituiu uma cura “banal” entre muitas outras, mas se o evangelista lhe dá relevo e a descreve tão pormenorizadamente é porque viu neste milagre uma imagem do baptismo cristão. Nesta perspectiva o texto sugere-nos muitas reflexões. O cego nada pede a Jesus. São os discípulos que se interrogam : “Porque nasceu este homem cego ?” Jesus responde com uma acção de cura fazendo sobre o cego o gesto da criação: “Cuspiu no chão e, com a saliva, fez lama que aplicou nos olhos do cego”. E disse-lhe: “Vai lavar-te à piscina de Siloé”. O cego não sabe aparentemente nada acerca de Jesus mas obedece e, quando volta, recuperou a vista. A deficiência deste homem e a sua cura tornou-se caminho de fé. Mas o caminho da fé é cheio de dificuldades. Os vizinhos ficam divididos a seu respeito, os fariseus importunam-no com perguntas e, colocando em dúvida a sua enfermidade, interrogam os parentes que lhes dizem: “Ele já tem idade para responder por si mesmo”. É também o nosso caso, porque, apesar da maioria ter recebido o baptismo em idade inconsciente, não se é cristão só por se ter nascido numa família cristã ou por se ter estudado numa instituição de religiosos ou de religiosas, mas por um dia se ter feito uma escolha pessoal, consciente, relativamente a Cristo. No centro das dificuldades, o ex-cego progride na fé em Jesus. Ele reconhece nesse “homem chamado Jesus” um“profeta” e pergunta com humor aos fariseus : “ Será que também quereis tornar-vos seus discípulos?” Por fim diz algo evidente, impossivel de contestar: “Se Ele não viesse de Deus, nada poderia fazer” e ainda menos o que tinha feito : abrir-lhe os olhos a ele, cego de nascença ! E levando o testemunho até ao fim, confessa a sua fé prostrando-se:“Eu creio, Senhor!” Ao proceder assim, ele entra na luz de Jesus. Trata-se duma escolha que tem de ser renovada todos os dias, porque O Espírito, tal como o corpo, necessita alimentar-se e“respirar”diariamente. “Tu crês nO Filho de Deus ? Acreditas que só Ele tem poder para abrir os olhos a um cego de nascença ? Palavras que nos interpelam ainda mais fortemente com a aproximação da Páscoa. Sim, eu creio Senhor !
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