CEP: Bispos manifestam desacordo com a alteração legislativa sobre «as barrigas de aluguer»
Fátima, Santarém, 01 mai 2014 (Ecclesia) – Os bispos portugueses manifestaram, hoje, em Fátima, o “total desacordo” com a proposta de alteração legislativa no sentido da legalização da “maternidade de substituição”. No comunicado final da 184ª assembleia plenária da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), realizada em Fátima, de 29 de abril a 01 de maio, lê-se que estando em apreciação na Assembleia da República uma proposta de alteração legislativa no sentido da legalização, em determinadas condições, da maternidade de substituição – vulgarmente conhecida por «barriga de aluguer» – “os Bispos não podem deixar de manifestar o seu total desacordo a essa proposta”. A aspiração à maternidade e paternidade “não pode traduzir-se num pretenso direito ao filho, como se este pudesse ser reduzido a instrumento”, realçam os bispos portugueses no comunicado final da assembleia plenária da CEP. “A mãe gestante não pode, também ela, ser instrumentalizada e reduzida a uma incubadora, como se a gravidez não envolvesse profundamente todas as dimensões da sua pessoa e a obrigação de abandono do seu filho não contrariasse o mais forte, natural e espontâneo dos deveres de cuidado”, acrescenta o documento. O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Manuel Clemente, disse aos jornalistas na conferência de imprensa após o encerramento da assembleia plenária que tem “esperança” que esta questão “não seja aprovada”. D. Manuel Clemente espera que as “pessoas ponderem bem o que está em causa” porque “não se trata de qualquer coisa acessória”. “A relação uterina entre aquela que gera e aquele que está ser gerado é muito forte”, acrescentou.