S. BENTO DE NÚRSIA (480-547). Fundador do mosteiro do Monte Cassino, berço da ordem dos beneditinos, é considerado como o “pai dos monges do Ocidente”. O Papa Paulo Vl proclamou-o padroeiro da Europa há precisamente 50 anos.
Provérbios 2,1-9 ; Sal 33, 2-11 ; Mateus 19, 27-29
CAVA COMO QUEM PROCURA UM TESOURO (Provérbios 2,1-9). O mestre sábio dos Provérbios convida-nos a escavar para encontrarmos o tesouro da sabedoria. É a sabedoria humana, fruto da experiência e da reflexão, a que ele se refere, mas pressentindo já que, mais além, há um outro tesouro. Neste pequeno texto, o termo “inteligência” e os seus derivados repetem-se cinco vezes, traduzidos por “verdade, discernimento, compreender”. O enquadramento é eloquente : Sabedoria, discernimento, conhecimento de Deus, mas tam-bém justiça, rectidão e integridade. A escolha deste texto para a festa de Bento, que legislou para os monges e cuja influência sobre o cristianismo ocidental foi considerável, é porque a sabedoria de S.Bento é a do Evangelho: “Cava como quem busca um tesouro, onde Bento te indica, e encontrarás;tu alcançarás o conhecimento de Deus, riqueza escondida aos olhos deste mundo”. O mestre sábio diz-nos que o acesso a Deus não se alcança por um legalismo rigoroso nem por uma confi-ança cega e irreflectida. Quem busca Deus com temor e respeito deve fazê-lo usando toda a sua inteligência, que o levará a seguir um caminho recto e justo. A busca de Deus passa por um discernimento, atento e rigoroso, que se inscreve na vida.
OLHAR O PAI COM OS OLHOS DE JESUS (Mat.19,27-29). Hoje, Jesus apresenta-nos um pedaço particularmente admirável do tesouro cujos mil reflexos devemos contemplar, e que está bem integrado no espírito paradoxal dO Evangelho : deixar tudo por Sua causa… Sim!, mas para tudo reencontrar n’Ele, purificado, desembaraçado de qualquer egoísmo, livre dos narcisismos que corrompem o amor que aspira à pureza total. “Cava, como quem procura um tesouro !” Não temos nada mais importante a fazer na nossa vida. S. Bento, como os outros santos, passou a vida na terra a fazer isto mesmo. Será assim que também nós descobriremos maravilhados que tudo – incluindo os afectos mais queridos – tem a sua origem no coração de Deus: fonte que jamais se esgota. Se a Igreja recebe a vida consagrada, e a vida contemplativa em particular, como frutos extraordinários dO Espírito, é por eles serem sinal do amor dO Senhor pelo Seu povo. O contemplativo deixa tudo para olhar O Pai como Jesus, com um olhar que transforma todas as relações.
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