SÁBADO – 19JULHO/2014

Miquéias 2,1-5; Sal 9, 22-25. 28-29. 35; Mateus 12,14-21

“EiS O MEU SERVO…” (Mat.12,14-21). À época do profeta Isaías, este primeiro canto do servo é pronunciado quando os israelitas esta-vam deportados na Babilónia. Eles aguardavam sem esperança o regresso à pátria. Foi Ciro, o rei estrangeiro da Pérsia, que então O Senhor escolheu para livrar o Seu povo do jugo babilónico, permitindo os primeiros regressos ao país. A acção do servo faz-se com discrição, sem violência, cuidando dos mais fracos. A sua vocação é universal e libertadora. Ao longo da Bíblia vemos Deus colocar-se sempre ao lado dos oprimidos contra os opressores, quer se trate de opressão política ou social. No que se refere aos homens, as coisas não mudaram desde o tempo do profeta Miqueias. O egoísmo reina num mundo que continua a oprimir o pobre. Da parte de Deus, a Revelação não parou. Porém, ainda que Deus pareça continuar a exercer a “vingança” em nome dos seus protegidos, não o faz da mesma forma que o homem pois apenas deixa os opressores castigarem-se a si próprios. “A nossa herança foi-nos retirada”, dizem a Miqueias esses homens. “A nossa herança”, hoje, não é já um terreno com casa ou um campo, ou pelo menos não será fundamentalmente isso: Deus é que, de facto, é a nossa herança. Herança que repelimos ao cobiçar o pedaço de terra ao pobre. Recusamos o banquete messiânico quando retiramos o pão da boca do faminto. Tal como no relato de Mateus, também pomos em perigo a vida de Jesus sempre que atentamos contra os nossos irmãos mais pequenos.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.