XVI DOMINGO DO TEMPO COMUM – 20/JULHO/2014

SantaMArgarida_SanzioSTA. MARGARIDA DE ANTIOQUIA (fins séc.III). Nada sabemos desta jovem que terá sido martirizada em Antioquia pelo governador Olíbrio ao pretender desposá-la sem saber que ela era cristã. Outra lenda conta que foi atacada pelo diabo sob a forma de dragão que a engoliu viva mas salva pela cruz que sempre trazia consigo. STA. Joana d’Arc dizia que ela era uma das vozes que lhe falava desde os treze anos. Faz parte dos catorze santos auxiliadores.

Sab.12,13. 16-19 ; Sal 85, 5-6. 9-10.15-16a ; Romanos 8, 26-27 ; Mat.13, 24-43

“O JUSTO DEVE SER AMIGO DOS HOMENS…” (Sabedoria 12,16-19). O autor do livro da Sabedoria apresenta-nos um Deus espantosamente “humano”- Ele que pode abalar tudo e impôr-Se pela força – recomendando-nos que o justo, na condução da sua própria vida, deve inspirar-se no Seu exemplo. De facto, como pode ver-se pelo comportamento dos santos canonizados, ninguém é mais humano do que quem se deixa impregnar por Deus. E isto é verdadeiro, em primeiro lugar, para O próprio Jesus: ser humano perfeito! De facto, o Seu ensino em parábolas ajusta-se cabal-mente, no que se refere à forma, à nossa humanidade ; não utiliza teorias abstractas afastadas da vida concreta, ao contrário, usa imagens familiares que falam numa linguagem acessível a todos.Mas é sobretudo pela razão de ser dessas parábolas, pelo que elas exprimem, que elas são tão humanas. Na realidade, evidenciam a ambiguidade dos nossos comportamentos, mesmo quando estes nos parecem claramente bons : pode arrancar-se o trigo quando se pretende destruir o joio; é nossa experiência de todos os dias. As parábolas convidam-nos à paciência, à prudência e à confiança que temos que dar ao “irmão tempo”, esse grande “sábio” da vida presente.

SatanasASemearOJoio_FettiDEIXAR CRESCER COM VIGILÂNCIA (Mateus 3,24-43). Ser-se humano, após a vinda de Jesus, supõe assumir uma nova dimensão da existência : atravessar a humanidade antiga sem destruir nada do que ela tiver de bom, para entrar na humanidade nova. Como ?Fazendo silêncio para se poder escutar a voz dO Espírito que fala no fundo do coração dos que querem ser discípulos. O tempo de férias deve aproveitar-se para isto mesmo. Deixar crescer tudo o que semeámos durante o ano em gestos, em palavras de amizade, de solidariedade, ou, sobretudo, deixar crescer confiadamente tudo o que Deus semeou em nós. A semente faz o seu trabalho, com um pouco de sol e de humidade. Sejamos sol à nossa volta. Ajudemo-nos uns aos outros para permitir que germine o que for melhor ! Jesus sugere ainda que tenhamos os olhos bem abertos: estar vigilantes, pois o joio também pode insinuar-se, e fazermos a triagem. O tempo de férias torna-se então tempo de discernimento, ou de uma certa avaliação, vendo pacificamente o que me ajuda a amar mais, a servir mais, e procurando abandonar o que me trava; posso até meter provisões no meu celeiro e ganhar energia. Não! Não é possível ser-se humano com plena realização, se a nossa humanidade não “descolar” da terra, se o nosso quotidiano continuar cheio de toda a espécie de travões e estratagemas, sem tempos para oração ou retiro, que possam aprovisionar o nosso celeiro interior.

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard) . Selecção e síntese: Jorge Perloiro.