QUARTA-FEIRA – 23/JULHO/2014

STA. BRíGIDA DA SUÉCIA(1303-73). Hoje, festejamos STA. Brígida da Suécia,que João-Paulo proclamou co-padroeira da Europa. Esta mulher do séc. XIV encarna a riqueza de uma vocação feminina fora do comum. Brígida foi uma esposa feliz, mãe de oito filhos. A morte de Ulf, seu marido, orientou-a para uma vida de pobreza e de oração. Fundou uma ordem religiosa onde mulheres e homens consagrados seguiam a mesma regra. Ela foi conselheira dos Papas refugiados em Avinhão e seus passos levaram-na de Roma a Jerusalém. Toda a sua existência, fundada em Cristo, respira uma liberdade e audácia estimulantes, num mundo frio em busca de pontos de referência.

Gálatas 2,19-20 ; Sal 33, 2-11; João 15,1-8 ou Marcos 3, 31-35

“O CRISTO QUE VIVE EM MIM…” (Gál.2,19-20). Mística do Apóstolo Paulo, desapropriado de si mesmo: nele, a partir de agora é Cristo que vive ! A pequena preposição “em” (igual em grego e português), assumiu no grego do Novo Testamento um sentido mais amplo. Depois dos “Setenta”, tradução grega da Bíblia Hebraica, ela traduz uma preposição que, em hebraico, significa simultâneamente “dentro, em” (indicando o lugar ou o tempo) e “por, devido a” (indicando instrumento). É o caso de Paulo. Ele afirma, portanto, simul-tâneamente, que Cristo vive “nele”, em seu lugar, mas também que a vida de Cristo se manifesta “por ele” : o seu testemunho e a sua pregação devem dar a conhecer a todos que Cristo vive para cada um. A mística de Paulo tem sempre uma dimensão missionária.

“JESUS ESTAVA NUMA CASA…” (Marcos 3,31-35). Jesus estava numa casa a ensinar os discípulos. Marcos não diz na Sua casa, pois como sabemos Cristo não tinha sequer uma pedra onde encostar a cabeça. E todavia sentimo-nos bem com Ele em casa! Talvez os membros da família fossem procurá-lO para O levar para outra casa onde julgassem que Ele ficaria melhor do que em casa de “estranhos”. Mas interroguemo-nos : será que Jesus não quer casa própria para poder entrar na casa dos outros e torná-la Sua ? Não será isso que Ele pretende sublinhar ao apontar para os que O escutam e dizer-lhes : “Eis a minha mãe e os meus irmãos !” ? Visto nesta perspectiva este Evangelho é rico de interpretações. Imaginamos os cuidados que o proprietário da casa terá dispensado para receber bem O seu hóspede ; certamente que a terá limpo com todo o esmero. Os cuidados com a casa, com a nossa casa, evo-cam naturalmente o Sacramento da reconciliação. No Apocalipse também se refere uma casa onde O Senhor pretende fazer morada: “Eis que estou à porta e bato, se alguém abrir comerei com ele”(Ap.3, 20). É Ele que nos traz o alimento! ; e pensamos na Eucaristia. Finalmente, num texto trinitário Jesus diz-nos duma forma mais precisa que Ele não virá sózinho : “Se alguém Me ama, Nós viremos e faremos na sua casa a Nossa morada” (Jo.14,23).

Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard) . Selecção e síntese: Jorge Perloiro.