S. PEDRO CRISÓLOGO (450). Reputado pela sua eloquência este Bispo de Ravena, recebeu o cognome de “Crisólogo”, que significa “palavra de ouro”. O Papa Bento XIII declarou-o Doutor da Igreja em 1759.
Jeremias15, 10. 16-21 ; Sal 58, 2-5a.10-17.18 ; Mateu 13, 44-46
PORQUE SERÁ QUE A MINHA DOR NÃO TEM FIM? (Jer.15,10.16-21). A lamentação do profeta Jeremias é um grito que percorre a história dos homens; e, contudo, podemos dizer que a história é um esforço imenso para o calar. Aqui vê-se o sofrimento de um justo, com um mal imerecido. Não é um grande pecador que fala, é um amigo de Deus. Certamente que podemos apresentar uma razão : Jeremias é perseguido pelo ímpios que utilizam a sua liberdade de uma forma má. Mas há tantos e tantos sofri-mentos que nos interrogam e desafiam todas as explicações! O profeta é a figura dO Servo Sofredor, Jesus Cristo. Ao entrar no mistério do mal, Jesus não nos dá uma explicação, mas faz mais que isso: revela aos homens que o mal será ultrapassado. O sofrimento insere-se no mistério dO Reino dos céus que se constrói na terra.
PROCURAR, ENCONTRAR (Mateus 13, 44-46). As parábolas falam-nos de homens que procuram e encontram. Elas sublinham assim a busca essencial que habita o coração do crente. Ele está em movimento para este tesouro, para esta pérola, que adivinha mesmo no centro do seu campo de existência. Os mesmos homens vendem e compram: endividam-se para guardarem em si o tesouro que encontraram. Eles vivem para o adquirir, com despojamento dos bens que antes possuíam. Assim, O Reino está presente nas nossas vidas de maneira incondicional, mas depende de nós a decisão de acolher a sua riqueza e o seu dom. Não pode dizer-se que a dor faça parte do tesouro escondido no campo que o agricultor encontrou por acaso, porque o sofrimento é um mal em si mesmo. O sofrimento será, talvez, comparável ao estrume que faz frutificar essa riqueza. Porque o tesouro está vivo, mas é necessário vê-lo como uma planta que está a crescer e irá dar frutos abundantes, e nunca como um montão de objectos mortos por mais brilhantes que sejam. Quando experimentamos na nossa vida as dores de Sexta-feira Santa, como Jeremias, não é certa-mente fácil discernir com a razão o mistério pascal, onde o elemento essencial é o Domingo da Ressurreição. Todavia, a alegria está escondida na planta, que desejaríamos tantas vezes desenraizar e matar, e uma não chegará à maturidade sem a outra.
Deverá estar ligado para publicar um comentário.