XlXª SEMANA DO TEMPO COMUM – 10/AGOSTO/2014

SaoLourencoS. LOURENÇO (258). Este jovem diácono morreu queimado vivo numa grelha por ter recusado entregar ao imperador as esmolas que a Igreja reservava para os pobres.

1 Reis 19, 9a.11-13a ; Sal 84, 9-14 ; Romanos 9,1-5 ; Mateus 14, 22-33

“SILÊNCIO E TEMPESTADE (1 Reis 19, 9a. 11-13a). A experiência mística do profeta Elias relatada na primeira leitura mostra-nos por imagens a passagem do temor ao amor. Será possível expressá-lo melhor do que pôr os flagelos da natureza em contraste com a brisa ligeira (brisa anunciadora no paraíso do encontro íntimo do homem com Deus) ? Um grito, um murmúrio… nós reconhecemos logo a voz dos que nos são queridos. A voz deles não é ruído, ela é linguagem, apelo, rosto. O ambiente sonoro da primeira leitura deste domingo é exemplar. O profeta Elias aguarda O Senhor que vai passar na montanha. Coisa fácil para alguém habituado a transmitir as mensagens de Deus aos homens, poderíamos pensar… Todavia, nada mais complicado. Elias teve que resistir à tempestade, ao tremor de terra e ao fogo, antes de reconhecer O Senhor no silêncio de uma brisa ligeira. E então, Elias “cobriu o rosto” como era o costume para se manter diante de Deus.

PensavamQueEraUmFantasma“NÃO TEMAIS, SOU EU !”(Mat.14,22-33). Os discípulos vivem a experiência do medo nesta cena do evangelho. Eles começaram a gritar na barca, cheios de medo, quando viram alguém a caminhar sobre o mar, e o vento só amainou e chegou a calmaria quando Jesus e Pedro voltaram a bordo. O homem é alguém habitado pelo medo; um sentimento que o seu crescente domínio do universo não extirpou, longe disso. O motivo do medo pode mudar mas ele permanece, porque não está ao alcance do homem arrancar a raíz dos seus temores. Os pagãos tinham medo dos deuses com quem procuravam reconciliar-se por intermédio de rituais mais ou menos mágicos. Deus encontrou os homens possuídos por estes temores ainda que, felizmente, por vezes eles sejam remédio contra o mal mais temível: a recusa dO Deus-Amor. Depois, no final os tempos, veio Jesus-Cristo. Se Jesus encontrar lugar na minha vida, a raíz do medo será arrancada. A Sua luz tem a virtude de dissipar as trevas, símbolo do pecado, mas também do medo; porém, só o pode fazer na medida em que o homem abrir o seu coração. “Sou Eu, não tenhais medo!” Sim!, se eu acolher Cristo verei desaparecer todos os medos porque acolherei O Amor. Mas como será possivel que Deus continue no anonimato para alguns e não para outros? Que Ele Se revele apenas a alguns, no silêncio ou na provação? O Apóstolo Paulo parece já levantar esta interrogação dolorosa na Epístola aos Romanos. Que a nossa oração se volte para aqueles que têm o desejo de crer mas não conseguem fazê-lo. Peçamos aO Espírito que nos converta coração para aceitar Deus como Ele é.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs .Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.