XXII DOMINGO DO TEMPO COMUM – 31/AGOSTO/2014

S. RAIMUNDO NONNATO (1200-40). Entrou na Ordem da Senhora das Mercês a pedido da Virgem Santíssima e foi, após S. Pedro Nolasco, a quem solicitara a admissão, o 2º Mestre Geral desta Ordem, dedicada ao resgate dos cristãos prisioneiros dos Mouros.

Jeremias 20, 7-9 ; Sal 62, 2-6. 8-9 ; Romanos 12,1-2 ; Mateus 16, 21-27

O PROFETA DEVE SOFRER PELO SEU DEUS (Jer.20,7-9). As leituras de hoje parecem pessimistas mas estão muito longe de o serem. Elas convidam-nos a olhar para o mistério da morte com os olhos da fé, e a discernir o mistério de vida que nela está escondido. Mas não chega um simples olhar. É necessário que nos empenhemos resolutamente nesse caminho. Só então nos será possível “compreender” as palavras e frases que, numa 1ª leitura, sem o empenho do coração, nos escapam. O fogo ardente que Jeremias diz não poder suportar é o amor de Deus, parceiro desse fogo que nos purifica profundamente. Paulo confirma-o : é a ternura de Deus que transforma e renova a vida do crente. Aliás, O Senhor também nunca fala da Sua Paixão sem mencionar a Sua Ressurreição. Jeremias está a ser alvo de perseguição por, em nome de Deus, profetizar desgraças e por os homens escutarem mais facilmente os profetas que os lisonjeiam ; preferimos as ilusões à realidade, sobretudo quando ela é dura de aceitar.

AfastaTeDeMimSatanasVENCER OS MEDOS (Mat.16,21-27). Que terá acontecido para Pedro ser chamado de Satanás logo após ter professado que Jesus era O Messias ? O anúncio do caminho messiânico ser um caminho de sofrimento, morte e ressurreição. E as vivas censuras que o 1º discípulo fez aO Mestre : “Não, Senhor, isso não Te acontecerá!” Pedro recusou portanto a morte de Jesus. STO. Agostinho esclarece esta recusa no seu “sermão 296” : “Pedro ficou estarrecido com a idéia dessa morte, de uma morte todavia natural, não querendo que O Senhor a aceitasse”. É que O apóstolo amava sinceramente o seu Mestre, “mas com um amor demasiado carnal”. O nosso amor a Cristo assemelha-se à recusa de Pedro : é sincero, mas com medo da morte. Custa-nos compreender o Seu difícil apelo para tomarmos a cruz e O seguir:“Quem quiser vir após Mim, tome a sua cruz e siga-Me”. Durante 2000 anos de cristianismo, inúmeros santos, conhecidos e desconhecidos, assumiram a cruz e seguiram O Mestre na Sua paixão e morte. Mas, se aceitaram perder a vida foi para a ganhar, segundo as palavras paradoxais de Cristo. Trata-se dum jogo de“quem perde, ganha”. O medo da morte é um temor natural, que Jesus deseja transfigurar : “Se Deus devia morrer, é na mesma natureza em que Ele devia ressuscitar”, acrescenta STO. Agostinho. O caminho dO Messias fica iluminado com a Sua ressureição. Pedro queria, portanto,“sem o saber, manter seguro o tesouro donde saíria o nosso resgate”. No limiar do novo ano escolar, entre as muitas decisões a tomar, teremos que fazer recusas e consentimentos. Algumas apreensões, bem naturais, podem encerrar-nos no medo. Então, com o profeta Jeremias, deixemo-nos seduzir, no mais profundo do nosso ser, pelo fogo devorador da palavra de Deus. Esta palavra acompanha o nosso regresso ao trabalho para nos ajudar a vencer os medos. Para fazermos, tal como Pedro, depois da Ressurreição, um Pentecostes.

“Meditacões Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort (Supl. Panorama, Ed. Bayard, Paris. Selecção e síntese: Jorge Perloiro.