XXVIl DOMINGO DO TEMPO COMUM – 5/OUTUBRO/2014

SantaMariaFaustina_bl_02STA. MARIA FAUSTINA KOWALSKA (1905-38). Esta polaca, professou no convento de Varsóvia das “Irmãs de Nª Sª da Misericórdia” onde, durante 13 anos desempenhou com diligência e humildade todo o tipo de trabalhos. Apesar dos dons extraordinários que recebia (revelações, visões, estigmas ocultos, participação na Paixão dO Senhor, dom da bilocação, da leitura das almas, da profecia e o raro dom do casamento místico) nunca confundiu estas graças com a santidade : “Nem as graças, nem as revelações, nem os êxtases, nem os dons concedidos a uma alma a tornam perfeita, mas apenas a sua íntima união com Deus…”, escreveu no diário. S. João Paulo II canonizou-a em 2000.

SantaFlor_extase_blSTA. FLOR (1300-47). Natural de Ars, fez-se religiosa e entrou muito nova no hospício dos cavaleiros de S.João de Jerusalém, em Beaulieu, Quercy.  Ali, dedicou a sua vida a cuidar dos doentes e a acolher os peregrinos. Seus êxtases por vezes duravam desde a missa da manhã até às vésperas da tarde. É Padroeira de todas as mulheres com o nome de flores.

Isaías 5, 1-7 ; Sal 79, 9.12-16.19-20 ; Filipenses 4, 6-9 ; Mateus 21, 33-43

PORQUÊ ? (Sal.79,9.12-16.19-20). “Mostra-nos o Teu rosto e seremos salvos…” Os versículos do Salmo realçam simultâneamente o Cântico de amor e a profecia do Julgamento.  O Amor de Deus é sublinhado por uma série de verbos que falam de toda a atenção e cuidados tidos com Israel.   Ora este amor de Deus ficara sem resposta. A sua tonalidade afectiva (amigo; bem-amado; querido) é típica do universo profético que trata a Aliança não como um contrato respeitado ou quebrado, mas em termos duma relação de amor honrada ou traída : marido/mulher; pai/mãe/filho ; amigo. O fruto esperado da vinha de Israel diz respeito à justa relação com Deus e o outro, e portanto com o duplo mandamento do amor, utilizando uma expressão evangélica. Ora nós sabemos que a prosperidade e a paz tinham levado O Reino de Judá a um adormeci-mento das consciências, quer no plano moral quer religioso. Talvez nos sintamos incomodados com as ameaças proferidas a propó-sito da vinha infecunda? Não nos dão elas a imagem de um Deus vingador cujo amor, ou orgulho, é facilmente ferido? Mas recordemo-nos que este tipo de oráculos não têm outra finalidade para além de conduzirem os ouvintes à conversão. Prestar culto aos deuses da fertilidade, esmagar os pobres ou ignorá-los, não será apartar-se de Deus, fonte de toda a vida? Apelemos agora à nossa memória bíblica e descobriremos outro Cântico que retoma a mesma temática da vinha mas alterando a mensagem: “Cantai a vinha excelente ! Eu, O Senhor, sou O Seu guarda ; Eu a rego a cada momento e a guardo dia e noite (…). Já não Me enfureço mais com ela, mas se encontrar espinhos e silvas, abrirei guerra contra ela (…).  Dias virão em que Jacob lançará novas raízes, Israel florescerá com botões e flores e encherá o mundo com os seus frutos”(Is. 27,2-6). Que coisa magnífica contemplar um Deus cujo amor é tal que irá até ao ponto de Se encarnar e partilhar a condição do Homem, para O restabelecer na Sua intimidade!

A VINHA OU O MUNDO ? (Mateus 21,33-43). A Palavra arrisca-se a não ser entendida por aquilo que Ela na verdade é : nada menos que Palavra de Deus.   Ela revela-nos Jesus-Cristo, sempre objecto de resistência ou até de violência. Ela interpela-nos sobre a forma como a recebemos, e depois sobre a maneira como a oramos e a celebramos. Cabe-nos a tarefa de prolongar a palavra até ao infinito, vivendo-a interiormente e inserindo-a nos actos quotidianos. Seremos nós a produzir os frutos que o mundo espera. A vinha deixou de ter os limites dos claustros, a vinha é o mundo, no qual nós contribuimos para dar a vida, em particular aos que mais a necessitam.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.