XlX DOMINGO DO TEMPO COMUM – 19/OUTUBRO/2014

DIA MUNDIAL DAS MISSÕES 2014
Mensagem do Santo Padre

Beatificação de Paulo VI, Papa.

SaoPedroDeAlcantaraS. PEDRO DE ALCÂNTARA (1449-1562). Místico, contemporâneo de Santa Teresa de Jesus (conheceu-a em 1560, acreditou na autenticidade das visões e apoiou-a na reforma do Carmelo), nasceu em Villa de Alcántara (Cáceres), filho de uma das famílias mais poderosas. Estudou gramática e filosofia em Alcântara, e as leis canónicas e civis em Salamanca. Aos dezaseis anos entrou nos Fanciscanos onde escolheu o nome de Pedro de Alcântara. Grande orador e director espiritual, viveu e morreu sempre fiel à regra franciscana, cujos pilares são a contemplação, a oração, a penitência, o retiro espiritual, a pobreza e o auxílio aos irmãos com o amor e a caridade. O Papa Leão XII proclamou-o, a pedido do imperador D. Pedro, Padroeiro do Brasil (hoje co-padroeiro com NSA  Senhora da Aparecida). O Papa S. João XXIII declarou-o, em 1962, também Padroeiro da Estremadura espanhola.

SaoPauloDaCruzS. PAULO DA CRUZ (1694-1775). Paulo Danei, nasceu em Ovada, Itália.  Sua mãe ensinou-o a ver na Paixão de Cristo a força capaz de superar todas as dificuldades. Foi a partir do primado da “palavra da Cruz” na vida interior que Paulo da Cruz, nas pégadas de Paulo de Tarso, levou o Evangelho como “palavra de re-conciliação”, através da paternidade espiritual e da prégação, aos lenhadores, pastores e pescadores, mesmo sem ter ainda a aprovação do papa Bento XIV (só obtida 1714), da Ordem monática dos “Clérigos Descalços da Santíssima Cruz e Paixão de Nosso Senhor”, vulgarmente chamados de “Passionistas”. Pio IX canonizou-o em 1867.

BeatoJerzyPOPIELUSZKOBTO. JERZY POPlELUSZKO (1947-84).Sacerdote, manso e resoluto, próximo do sindicato “Solidarnosc” polaco, “sómente com as armas espirituais da verdade, da justiça e da caridade, reivindicou a liberdade de consciência dos cidadãos e dos sacerdotes”, assassinado pela polícia política que o raptou e torturou “por ódio à fé”. Mas a consciência não morre e o funeral transformou-se numa manifestação. O Papa S. João-Paulo II beatificou-o em 2010.

Isaías 45,1. 4-6 ; Sal 95,1. 3-5. 7-10a.c ; 1 Tessalonicenses 1,1-5b ; Mateus 22, 15-21

A IMAGEM DE DEUS EM HERANÇA (Mat.22,15-21). Os versículos deste Evangelho podem ser lidos a vários niveis. Há em primeiro lugar os factos tal como são relatados e interpretados por Mateus.  Mas uma palavra torna-os uma passagem chave da Escritura, e abre caminho a uma leitura menos imediata: trata-se do termo “efígie, imagem”. O tom é dado logo de início: experimentar Jesus; diga o que disser, terá de confrontar-Se ou com os judeus ou com o poder político. Mateus condensa sobre o grupo dos fariseus uma parte da oposição a Cristo, mas cabe ao leitor lançar-se numa pesquisa, para ter uma percepção mais clara do judaísmo da época, a partir de fontes menos marcadas pela rotura entre a sinagoga e a Igreja nascente. E também podemos interessar-nos sobre a efígie ou imagem gravada na unidade da moeda, que indica a pertença desta última. Foi o que fizeram os Padres da Igreja (Orígenes, STO. Agostinho, Gregório de Nissa), ao debruçarem-se sobre a unidade que é a “alma humana” portadora da imagem de Deus (Génesis 1). Mas, seja qual for a leitura, este evangelho é rico de ensinamentos espirituais e convida-nos ao discernimento. Como Cristo, há que separar, que diferenciar, onde a tendência é para a confusão entre Deus e César. Mas estes versículos chamam também a nossa atenção para a manipulação, da qual por vezes somos os autores e por vezes vítimas, com o processo clássico que consiste em lisonjear e convidar à vaidade para dessa forma se fazer descuidar as defesas. O tema da efígie interroga-nos como “dar a Deus o que é de Deus”. STO. Agostinho (“Discurso sobre os salmos”, sobre o Sal.94 p.ex.), propõe que pratiquemos o amor dos inimigos porque “O Nosso Pai (…) faz nascer o sol sobre os bons e os maus”. Será desta forma que contribuiremos para “re-esculpir” sobre “o denário da nossa alma, a imagem do Nosso Deus”, e sair do mundo da dessemelhança para entrar no da semelhança. Está em jogo algo importante: aproximar-nos ou afastar-nos de Deus. O discípulo de Cristo está no mundo como o fermento na massa, para explicitar no seu seio a acção dO Espírito.

“Meditações Bíblicas”, trad. das Irmãs Dominicanas de Notre-Dame de Beaufort  (Supl. Panorama,  Ed. Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.