TERÇA-FEIRA – 1/MARÇO/2016

a_BeatoMiguelDeCarvalhoBTO. MIGUEL DE CARVALHO (1577-1624). Nasceu em Braga, numa família nobre e rica. Entrou nos Jesuítas com 20 anos e partiu para Goa onde foi ordenado e ensinou teologia durante 15 anos. Por fim quis ir para o Japão e fê-lo disfarçado de soldado onde pregou durante alguns anos até ser descoberto e condenado à morte na fogueira com outros cristãos. A Faculdade de Filosofia da U.C. tem o seu nome. Pio IX beatificou-o em 1867.

Daniel 3,25.34-43; Sal 24,4-7bc.8-9; Mateus 18,21-35

O NOSSO SACRIFíCIO (Daniel 3,25.34-43). Na época em que o Livro de Daniel situa a oração de Azarias, o templo de Jerusalém está destruido, o culto interrompido e já não há nem holocautos nem sacrifícios. Mas os crentes oferecem a Deus o seu coração esmagado. Somos pois convidados a uma reflexão sobre o sacrifício. Ele não é nem regateio, nem sofrimento compensatório a impôr. Se ele tem por fim lembrar a Deus a Sua misericórdia, é porque não se trata de mudar O coração de Deus sempre fiel ao Seu amor, mas sim o coração do homem que tem de quebrar em si o pendor para a opressão, o ódio, a inveja.

“QUE CADA UM DE VÓS PERDOE AO SEU IRMÃO…” (Mat.18,21-35). Aqui, o perdão é a renúncia à dívida. O perdão é uma forma de dom, o esquecimento daquilo que é devido. O perdão é portanto substituido à justa reivindicação de um direito. Como diz Joseph Moingt (1915-faz 100 anos em Nov.), teólogo jesuita: “Jesus não contesta o direito de se obter justiça, mas descobre a violência que se esconde na reivindicação do direito e os efeitos perversos que daí advêm ; e Ele, por contraste, revela o poder do perdão para regenerar as relações humanas pervertidas pelo abuso do direito”. Lê-se em Mateus (6,14-15): “Se perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai celeste vos perdoará a vós. Se porém não perdoares aos homens as suas faltas também o vosso Pai não vos perdoará as vossas.”.

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris. Selecção e síntese: Jorge Perloiro.