TERÇA-FEIRA DA OITAVA DA PÁSCOA – 29/MARÇO/2016

NoliMeTangereActos 2, 36-41 ; Sal 32, 4-5. 18-20. 22 ; João 20,11-18

“NÃO ME DETENHAS!… ” ( Jo. 20,11-18) . Amorosamente empolgada pela busca, Maria Madalena fala de Jesus como “meu Senhor”. Ela julga ver o jardineiro. O relato sublinha a transformação a que a Ressurreição conduziu o ser de Jesus e a nova maneira de nos ligarmos a Ele. Uma nova relação se instala, baseada na escuta da palavra. Chamada pelo seu nome: Maria!, esta pode responder Àquele que identifica pela Sua voz. A força da Ressurreição toca na sua tristeza e fá-la “virar” no sentido próprio e figurado da palavra. E é, ao virar-se, que Madalena reconhece Jesus, O Cristo, seu Salvador. Passando das lágrimas de desespero ao grito do reconhecimento, ela recebe uma nova identidade. Torna-se mensageira dO Ressuscitado. A seguir, a ordem de Jesus, anuncia o fim do encontro físico : “Não me toques !…” A partir de agora os olhos da carne são impotentes para O ver e reconhecer. Maria Madalena representa por isso o crente chamado a crer pondo-se à escuta dO Mestre, que chama cada um pelo seu nome. Deste encontro de Jesus com Maria madalena, frágil, ainda banhado do claro-obscuro da fé no seu começo, surge suavemente a música da Boa-Nova. Uma música que vai tornar-se concerto, grito, testemunho: de Maria Madalena para os discípulos…, depois destes para todo o povo, como se lê nos Actos dos Apóstolos da 1a leitura. Assim se inicia o anúncio da Ressurreição que abre caminho através da história.

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.