QUARTA-FEIRA DA OITAVA DA PÁSCOA – 30/MARÇO/2016

FicaConnoscoActos 3, 1-10 ; Sal 104, 1-4. 6-9 ; Lucas 24,13-35

“FICA CONNOSCO… ” ( Lucas 24,13-35) . É uma nova fé que, no caminhar, Jesus transmite aos Seus. Aos olhos dos discípulos, que não O reconhecem, Ele é sómente mais um peregrino que viera celebrar a Páscoa a Jerusalém. Este desconhecido parecia não estar ao corrente do que ocorrera; era caso para perguntar por onde teria Ele andado. Vai com eles no caminho, mas eis que – à medida que lhes explica o que nas Escrituras diz respeito a Jesus – se abrem nos seus corações novos caminhos. A humanidade de Jesus, a partir de agora, do “mundo de Deus”, só pode ser reconhecida pelos olhos da fé. Cabe aO Senhor “abrir os olhos”, a “inteligência”, e o “coração”. Ao fazer menção de os deixar, Jesus leva os discípulo a convidá-lO: “Fica connosco…” Depois da benção do pão dá-se uma reviravolta: os olhos dos discípulos abrem-se, Jesus é reconhecido, mas súbitamente Ele oculta-Se. Os discípulos de Emaüs são homens com sorte: tiveram direito a uma exegése feita por Jesus em pessoa, no trajecto de Jerusalém para Emaüs e – de regresso a Jerusalém – Cristo abre-lhes o espírito para entenderem as Escrituras. Retiramos daqui duas consequências : em primeiro lugar, que nunca ficaremos saciados quando Jesus nos fala ; em segundo lugar que é preciso retomar a Lei de Moisés, os profetas e os Salmos, para ver o que eles dizem de Jesus, O Messias, O Salvador. Mas os crentes sabem que, embora invisivel aos olhos de carne, O Ressuscitado está presente. A invisibilidade já não significa ausência. Pelo contrário, os discípulos vão descobrir que trazem sempre em si, o coração ferido pela Sua luz e pelo Seu amor. Os Seus traços imprimem-se neles, tal como Pedro fez ao enfermo na Porta-Formosa (na 1a leitura dos Actos), deixando Cristo agir em si. Abramos os olhos para O reconhecer nas Escrituras, e para aprender mos também a reconhecê-lO no “companheiro de caminho” e no “pão repartido”.

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.