QUARTA-FEIRA – 6/ABRIL/2016

a_SaoPrudentiusS. MARCELINO DE CARTAGO (411). Alto funcionário do Império Romano era amigo de STO. Agostinho e vivia em Cartago, onde acumulava os cargos de tabelião e de tribuno. Bom pai de família, Marcelino era conhecido pela sua bondade e estimado por todos. Acusado por hereges donatistas (do bispo Donato, que dizia ser inválido o sacramento ministrado por religiosos em pecado) de cumplicidade com um usurpador, foi morto.

SÃO PRUDENClUS (861). Natural da Espanha muçulmana, foi Bispo de Troyes em França (no império Carolíngio) e um dos autores dos “Anais de S. Bertin”. Também compôs um resumo do Saltério e elaborou uma recolha de citações das Escrituras.

Actos 5,17-26 ; Sal 33, 2-9 ; João 3,16-21

ENCARAR DEUS (Sal.33,2-9 ; Jo.3,16-21). “Quem O contempla fica resplandecente, sem semblante abatido”. Este versículo do Salmo indica, segundo S.João, a postura justa para o acolhimento : descentrar-se para “contemplar” Deus. Não esperemos ser perfeitos para nos converter. A obra perfeita, por excelência, é crer num Pai cheio de ternura: Ele dá O Seu Filho; Seu Único, para nos salvar. Recordemos a afirmação de Jesus que soa a cântico de um refrão : “Vai, a tua fé te salvou” (Marc.10-52). Neste Ano da Misericórdia, saboreemos a bondade dO Senhor. “Feliz quem encontrar n’Ele o seu refúgio!” “Deus amou tanto o mundo que lhe deu O Seu Filho Único…” Podemos resumir este evangelho numa fórmula lapidar : “Querer, ou não, acreditar…” Deus oferece-nos o que tem de mais querido, ou seja, O Seu Filho Único ; por Ele, dá-Se inteiramente a nós. Mas, no Seu amor extremo inscreve-se a aceitação da cruz, ponto culminante da Sua generosidade pelos homens. É verdade que ela é difícil de aceitar, mas a nossa fé permite-nos receber a vida de Deus. Em todo o texto se associa, de modo dinâmico, a verdade à luz : não se trata de conceitos, mas de um agir, de um “praticar”, e de um “aproximar-se”. Que significará “praticar a verdade e aproximar-se da luz” ? Na filosofia clássica, a verdade é “explicação”, regresso ao já esquecido, para uma consciência mais clara das ideias. Em S.João, a verdade é também explicação, mas dita em termos de “apocalipse”, de revelação, como caminho para um futuro que nos precede: ela é caminho com Cristo, imitando-lhE os passos e a maneira de ser. Nada está escondido ou fica secreto, nada é vergonhoso nem desprezível, tudo se torna, n’Ele e com Ele, acolhimento e abertura ao mundo que Deus ama, através dO Seu Filho Jesus Cristo. Tornemo-lO presente com os nossos actos, palavras e pensamentos!

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.