QUINTA-FEIRA – 16/JUNHO/2016

16Jun_SaoJoaoFranciscoRegisS. JOÃO FRANCISCO DE RÉGIS (1597-1640) . Jesuíta que percorreu incansavelmente o Maciço Central a pregar a palavra de Deus. Morreu de esgotamento em Lalouvesc (Ardèche). Patrono dos Jesuítas franceses.

Ben Sirá 48, 1-15 ; Sal 96, 1-7 ; Mateus 6, 7-15

“O VOSSO PAI SABE DO QUE TENDES NECESSIDADE…” ( Mat. 6,7-15). Ben-Sirá O sábio, faz, no Livro do Eclesiastes, o elogio dos profetas Elias e Eliseu. Estes tinham poder sobre o céu. O autor alude a factos da sua vida (em que nos é difícil distinguir a história da lenda), mas no fundo isso pouco interessa porque para nós, hoje, o mais importante é saber que a oração dO Pai Nosso nos dá um poder semelhante. De facto, se esta oração -que O Senhor nos ensinafor para nós algo mais do que mera lenga-lenga repetitiva, se ela impregnar toda a nossa vida, permitir-nos-á fazer descer fogo e chuva do céu. Fogo?: O dO Espírito Santo que Se derrama no mundo. Chuva?: à qual chamamos Graça, ou seja a transfiguração misteriosa do homem terreno no homem celeste. O acento tónico desta oração está posto no seu carácter comunitário : são os filhos que, em conjunto, invocam O Seu Pai. A parte do trabalho que a cada um competirá, diz respeito às relações com os seus irmãos: “Perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Mas o perdão dO Pai não é outorgado como salário do perdão que soubemos dar: o perdão dO Pai é sempre primeiro oferecido, e é precisamente esse perdão que nos dá a força para também perdoarmos. Uma profunda solidariedade nos liga: rezamos em conjunto aO Pai, em conjunto somos por Ele acolhidos. Jesus diz-nos, ainda, não haver necessidade de pedir aO Pai o que necessitamos: Ele sabe-O melhor que ninguém, melhor que nós. Mas – logo a seguir – Jesus propõe-nos as petições dO Pai Nosso. Como conciliar isto? Não será a maneira de pedir que está em causa?; ou mesmo as entoações da voz? Diz-se que a forma de dar pode valer mais do que aquilo que se dá, por maior que seja. A maneira de pedir não poderá ela valer também muito mais do que aquilo que se pede? Ora, se isto se verifica no domínio da vida simplesmente natural, não será ainda mais verdade no que se refere às nossas relações com Deus? De facto, se dissermos a Deus : “Dá-me aquilo que Vós quiserdes!” – se a nossa fé, a nossa esperança e caridade passarem pelas nossas petições “inúteis” – faremos pedidos excelentes que incitarão o céu a abrir-se mais do que as nossas melhores expectativas.

Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris. Selecção e síntese: Jorge Perloiro.