Reconciliação Pascal 2020

Estamos a chegar à Semana Maior e aos dias da Páscoa do Senhor e muitos fiéis destas paróquias ficarão sem o conforto da reconciliação sacramental.

Como fazer quando se deseja e procura receber o sacramento e não se encontra tal possibilidade?

A gravidade das circunstâncias atuais impõe um resguardo que na prática, além de impedir as celebrações penitenciais paroquiais como se fez nos anos anteriores, quase impossibilita o atendimento pessoal, excepto em casos gravíssimos e com medidas excepcionais.

Tratando-se da confissão pascal e da procura da reconciliação precisamente nestas circunstâncias, ajude-nos a doutrina da Igreja segundo a qual, «quando um fiel se encontrar na dolorosa impossibilidade de receber a absolvição sacramental, recorda-se que a contrição perfeita, procedente do amor de Deus, amado sobre todas as coisas, expressa por um sincero pedido de perdão (o pedido que, nesse momento, o penitente é capaz de exprimir) e acompanhado pelo votum confessionis, ou seja, o propósito firme de recorrer, logo que possível, à confissão sacramental, obtém o perdão dos pecados, também dos mortais (cf. Cat. Ig. Cat., n. 1452)» (Penitenciaria Apostólica, 19.3.2020).

Para fazer uma boa confissão ocorre:

1. Fazer bem o exame de consciência
2. Estar sinceramente arrependido dos pecados cometidos que tanto ofenderam a Deus
3. Ter o firme propósito de não mais pecar
4. Confessar os próprios pecados junto do confessor, dizendo-os com toda a sinceridade, clareza e brevidade
5. Reparar o mal que se fez cumprindo a penitência que o confessor indicar.

Uma confissão não tem valor se:

1. Se omite voluntariamente algum pecado grave e o número de vezes que se cometeu
2. Não se estiver arrependido do pecado cometido
3. Não existir o propósito de emenda de vida
4. Não se quiser cumprir a penitência imposta.

Na actual situação a parte que está impedida é a da confissão auricular (cf. n. 5, acima). Quando não é possível, mantêm-se os restantes pontos, pedindo a particular graça da contrição. É uma graça que vem de Deus e consiste na dor por amor ao infinito amor que Deus é.

O Acto de Contrição exprime e diz essa realidade:

Meu Deus,
porque sois infinitamente bom,
eu Vos amo de todo o meu coração,
pesa-me de Vos ter ofendido, e,
com o auxílio da vossa divina graça,
proponho firmemente emendar-me
e nunca mais Vos tornar a ofender;
peço e espero o perdão das minhas culpas,
pela vossa infinita misericórdia.

Amen.

Teologicamente mantém-se que só Deus tem o poder de perdoar os pecados, que o perdão é um dom de misericórdia e que Jesus deu aos apóstolos e aos seus sucessores esse poder, na Igreja, pelo ministério sacramental. Por isso, mantém-se para o crente aquela obrigação e propósito de recorrer à forma sacramental completa logo que seja possível.

O cânone 960, refere como norma da celebração do sacramento: «A confissão individual e íntegra e a absolvição constituem o único modo ordinário pelo qual o fiel, consciente de pecado grave, se reconcilia com Deus e com a Igreja; somente a impossibilidade física ou moral o escusa desta forma de confissão, podendo neste caso obter-se a reconciliação também por outros meios.»

Ou seja, mantendo firme e verdadeiro propósito de procurar o sacerdote logo que possível, o crente sabe que Deus tem meios de reconciliação para dar a Paz aos seus filhos, porque Ele conhece o coração do homem e acolhe o seu arrependimento. Isto não corresponde à substituição da confissão sacramental por um acto privado (não eclesial) nem significa reconhecer que a confissão auricular é equivalente ao “confessar-se” directamente a Deus.

A reconciliação autêntica é uma iniciativa e uma graça de Deus como se vê na parábola do Filho pródigo (Lc 15,11-32). Por essa iniciativa, Jesus, fonte de Vida e de Reconciliação «está sempre connosco» (cf. Mt 28,20). Pelas suas Chagas fomos curados (I Pedro 2,24; cf. Is 53,5)

elementos recolhidos por
Pe. António Figueira
4 abril 2020