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Carta aos diocesanos de Lisboa, no início do ano pastoral 2018-2019

Com a devida vénia, reflectimos no blog da Paróquia a publicação no site do Patriarcado da Carta do Senhor Patriarca aos diocesanos de Lisboa, no início do ano pastoral 2018-2019.

1. Saúdo-vos a todos com muita estima no início de mais um ano dedicado à receção da Constituição Sinodal de Lisboa. Mantendo o objetivo transversal de FAZER DA IGREJA UMA REDE DE RELAÇÕES FRATERNAS (CSL, 60), para reforçar a participação e a corresponsabilidade comunitárias a todos os níveis da vida paroquial e diocesana, incidiremos especialmente no nº 47: VIVER A LITURGIA COMO LUGAR DE ENCONTRO COM DEUS E TAMBÉM DA COMUNIDADE CRISTÃ ENQUANTO POVO DE DEUS QUE CELEBRA.
Como, entretanto, o Papa Francisco destinou o mês de outubro de 2019 à intensificação missionária da vida eclesial e a Conferência Episcopal Portuguesa alargou esse objetivo a todo o ano antecedente, teremos muito em conta o que o Santo Padre nos diz no nº 142 da Exortação apostólica Gaudete et Exultate sobre o chamamento à santidade no mundo atual: «Partilhar a Palavra e celebrar juntos a Eucaristia torna-nos mais irmãos e vai-nos transformando pouco a pouco em comunidade santa e missionária».
É uma feliz síntese sobre a comunidade que escuta, partilha e celebra, assim mesmo crescendo em fraternidade, santidade e missão. Bem podemos tomar este trecho como lema do nosso ano pastoral, unindo todos os seus motivos.
Ao longo do ano muito se fará decerto em termos de formação orante e litúrgica. Peço às comunidades que aproveitem para tal todas as ocasiões pastorais: iniciação cristã, catequese, celebrações – tudo é espaço e tempo para formação sobre o modo cristão e eclesial de rezar e celebrar. O Departamento de Liturgia realizará ações formativas nas Vigararias, contando com boa participação de todos, mormente dos que têm especiais funções litúrgicas. Também o Instituto Diocesano da Formação Cristã oferece o seu valioso contributo nesse sentido. Assim cresceremos em santidade e missão, pois Deus chama para enviar.

2. O número 47 da nossa Constituição Sinodal, depois da frase citada, continua assim: «Além da beleza dos espaços e dos ritos, da música e do canto, a celebração da fé é chamada a educar para a interioridade, para a comunhão e para o silêncio, criando momentos que disponham à escuta de Deus. É necessário cuidar sempre da formação litúrgica das comunidades, para que tanto os que exercem ministérios, como toda a assembleia, entrem em diálogo com o Senhor. É, por isso, de grande utilidade uma permanente catequese mistagógica que introduza toda a comunidade na vivência dos tempos litúrgicos e na compreensão dos seus símbolos e ritos».
Podemos tomar este trecho como um conjunto de alíneas programáticas: A) Qualidade do espaço e da celebração. B) Comunidade que escuta realmente o seu Deus. C) Formação e mistagogia para entender o que se celebra.
Temos de progredir em todos estes pontos. A qualidade da celebração liga-se ao respeito pela sua natureza, como a Igreja a dispõe nos livros litúrgicos, que condensam séculos de experiência orante, com várias possibilidades e aplicações concretas. Vale pela oportunidade e o estímulo que dá a todos e a cada um para acolher a Deus, na Palavra escutada e na oblação de Cristo, por nós e para nós. Desdobra a sua Páscoa num ciclo anual que a prepara e repercute na vida da Igreja e para a vida do mundo.
É fundamental compreendermos e exercitarmos tudo isto e antes de tudo o mais. Ainda bem, se dispomos de bons espaços, de bons leitores e cantores, de ministros bem formados e competentes. Mas é imprescindível que em cada celebração a Palavra seja realmente escutada e assimilada e os ritos sejam entendidos como gestos de Cristo no seu corpo eclesial. A Liturgia não é ocasião para protagonismos que nos distraiam da ação essencial de Cristo, que acolhe a vontade do Pai e a isso nos leva, pelo Espírito.
Bem celebrada, a Liturgia tem resultados precisos. Se, por exemplo, levarmos muito a sério o ato penitencial com que começa a Santa Missa, pedindo convictamente o perdão de Deus para os nossos pecados “por pensamentos e palavras, atos e omissões”, cresceremos muito mais em verdadeira conversão evangélica, como sempre urge e particularmente hoje em dia. Se ouvirmos atentamente as Leituras bíblicas, perceberemos muito melhor as aclamações “Palavra do Senhor” e “Palavra da salvação”, bem como a sua necessária repercussão na nossa vida. Se, no início da Oração Eucarística, cantarmos “Santo, Santo, Santo…” com sentimento e melodia correspondentes à profunda reverência com que o profeta tal ouviu diante de Deus (cf. Is 6, 3), estaremos mais preparados para o memorial da morte e ressurreição de Cristo, que a seguir se faz. Se nos saudarmos realmente “na paz de Cristo”, entenderemos melhor que só desta se trata, naquele momento essencial de comunhão com Ele e a partir dele. Se assim celebrarmos a Santa Missa, melhor efetivaremos o “Ide!” missionário com que ela nos envia a alargar a “paz” que recebemos.
Estas e outras concretizações litúrgicas podem ser aprofundadas ao longo deste ano pastoral, comunidade a comunidade. Também os vários Rituais são excelente base de aprendizagem e ensino, com as respetivas introduções e notas. Ganharemos muito se o fizermos, porque a Liturgia devidamente preparada e celebrada é uma grande escola de oração e vida em Cristo.

3. A 4 de dezembro de 1963 o Concílio Vaticano II aprovou a Constituição Sacrosanctum Concilium, documento base de toda a reforma litúrgica que recebemos. É tempo de a reler atentamente, recolhendo os seus propósitos e disposições, hoje tão atuais como então.
A Constituição apresenta-nos a Liturgia como revelação e exercício do quanto somos como Igreja de Cristo, «que tem como caraterística ser, simultaneamente, humana e divina, visível e dotada de realidades invisíveis, empenhada na ação e dedicada à contemplação, presente no mundo e todavia peregrina, mas de forma que o que nela é humano se deve ordenar e subordinar ao divino, o visível ao invisível, a ação à contemplação, e o presente à cidade futura que buscamos» (SC, 2).
Faz-nos bem retomar este trecho para compreendermos o lugar central da Liturgia na vida da Igreja e vivermos coerentemente com o que nela ouvimos e celebramos. Compartilhamos a vida de todos os seres humanos e da criação no seu conjunto. Mas sabemos também que na Páscoa de Cristo a criação passa a nova criação, onde tudo se renova e culmina. A Liturgia cristã faz-nos viver intensamente esta passagem, onde os elementos naturais se transcendem e a eternidade repassa o tempo que a anseia. Se não a compreendermos assim para a celebrarmos melhor, pouco teremos para receber e oferecer que seja realmente novo, definitivamente novo.
O Concílio quis concretizar nos seus dias – que basicamente continuam a ser os nossos – a “forma” essencial da Igreja, como a apresentam os textos neotestamentários. É assim que podemos falar de “reforma”, algo de cíclico em dois milénios cristãos, para que a forma original nunca se perca no desenvolvimento que ela própria induz e garante.
Aliás, isto mesmo aconteceu em anteriores “reformas”, como a da “grande Igreja” (dos séculos IV e V), a “pastoral” (do Papa Gregório Magno, séculos VI-VII), a “carolíngia” (do tempo de Carlos Magno, séc. VIII-IX), a “gregoriana” (do Papa Gregório VII, séc. XI), a “mendicante” (do século XIII), a “tridentina” (do Concílio de Trento, séc. XVI): todas elas procuraram retomar e relançar a “forma” cristã essencial nos tempos próprios de cada uma, com as respetivas repercussões litúrgicas. Assim aconteceu também com o Concílio Vaticano II, que tanto esteve atento aos “sinais dos tempos” como recuperou e aprofundou fontes antigas. E assim continuará a ser decerto, numa Tradição viva que não se contradiz, mas apura.
Retenhamos estas elucidativas palavras do Papa Montini – São Paulo VI em outubro próximo – sobre o novo Missal, proferidas na basílica de São Pedro a 19 de novembro de 1969: «Nada é mudado na substância da nossa Missa tradicional. […] A unidade entre a Ceia do Senhor e o Sacrifício da Cruz, a renovação representativa de uma e de outro na Missa é inviolavelmente afirmada e celebrada no novo ordenamento, tanto como era no precedente». Concluindo com palavras que se podem alargar a toda a reforma conciliar, da Missa à missão: «Não digamos, pois, “nova Missa”, mas antes, “nova época da vida da Igreja”» (in Enquirídio dos documentos da reforma litúrgica (EDREL), Fátima, Secretariado Nacional da Liturgia, 2014, p. 418-419).
No mesmo sentido se pronunciou várias vezes São João Paulo II. Por exemplo, neste trecho da sua Carta apostólica Vicesimus quintus annus (4 de dezembro de 1988), referindo-se aos ritos e livros litúrgicos, como foram sendo publicados: «Esse trabalho foi feito seguindo o princípio conciliar: fidelidade à tradição e abertura ao progresso legítimo; assim, pode dizer-se que a reforma litúrgica é rigorosamente tradicional, atendo-se “às normas dos Santos Padres”» (in EDREL, p. 1136).
O Papa Bento XVI, na Exortação apostólica pós-sinodal Sacramentum Caritatis, publicada a 22 de fevereiro de 2007, salientou: «O Sínodo dos Bispos pôde avaliar o acolhimento que a mesma [reforma litúrgica] teve depois da assembleia conciliar; inúmeros foram os elogios; como lá se disse, as dificuldades e alguns abusos assinalados não podem ofuscar a excelência e a validade da referida renovação litúrgica, que contém riquezas ainda não plenamente exploradas. Trata-se, em concreto, de ler as mudanças queridas pelo Concílio dentro da unidade que carateriza o desenvolvimento histórico do próprio rito, sem introduzir ruturas artificiais» (SC, 3, in EDREL, p. 2210).
Mais recentemente, no seu Discurso aos participantes na 68ª Semana Litúrgica Nacional (italiana), a 24 de Agosto de 2017, o Papa Francisco insistiu na necessidade de conhecermos melhor a reforma e as suas fontes, bem como de interiorizarmos os seus princípios e observarmos a sua disciplina, concluindo que «após este longo caminho, podemos afirmar com segurança e com autoridade magisterial que a reforma litúrgica é irreversível».
Destes trechos pontifícios devemos tirar conclusões de doutrina e de prática. De doutrina, salientando continuidades e não ruturas, pois é o tempo de Cristo que se revive e celebra em cada época que o concretiza. De prática, porque no corpo eclesial de Cristo não prevalece o arbítrio de cada um, mas o respeito pelo que é de todos para todos.

4. A oração cristã repercute pessoal e comunitariamente em nós, por ação do Espírito, o que existe em Cristo, como Filho de Deus. É essencial este ponto, e devemos tê-lo muito em conta na catequese, na celebração e no acompanhamento espiritual. Tanto mais quanto algumas palavras como “oração”, “espiritualidade”, “meditação” e similares podem transportar conteúdos que não correspondem à prática pessoal e ao ensinamento evangélico de Cristo.
A oração filial de Cristo sustentou todo o seu percurso na terra, como há de sustentar o nosso: «A sua atividade quotidiana vemo-la estreitamente ligada à oração, como que nasce da oração. […] Aquilo que Jesus fez, isso mesmo ordenou que fizéssemos nós. “Orai” – diz repetidas vezes – “rogai”, “pedi”, “em meu nome”. E até nos deixou, na oração dominical [Pai Nosso], um modelo de oração. Inculca a necessidade da oração, oração humilde, vigilante, perseverante e cheia de confiança na bondade do Pai, feita com pureza de intenção, consentânea com a natureza de Deus» (Instrução Geral sobre a Liturgia das Horas, in EDREL, p. 476-477).
Este documento citado é excelente guia para a oração, que podemos aproveitar no presente ano pastoral. Creio que, progredindo neste sentido, pessoal e comunitariamente, das famílias às catequeses, lugar a lugar, muito contribuiremos para o crescimento espiritual e ativo da nossa Igreja diocesana. E também para a missão, pois tudo o que nos aproxima de Deus nos projeta para os outros. Cristo, que nos leva ao Pai, é o mesmo Cristo que nos espera em cada um.
Por sua vez, o Catecismo da Igreja Católica dedica à oração cristã toda a sua quarta parte, plena também de considerações doutrinais e sugestões práticas. No seu número 2698, por exemplo, elenca-nos os ritmos tradicionais da oração cristã – diária, dominical e no ciclo anual: «Alguns são quotidianos: a oração da manhã e da noite, antes e depois das refeições, a Liturgia das Horas. O Domingo, centrado na Eucaristia, é santificado principalmente pela oração. O ciclo do ano litúrgico e as suas grandes festas constituem os ritmos fundamentais da vida de oração dos cristãos». E o número 2679 lembra-nos que a nossa ligação a Cristo inclui a sua Mãe: «Como o discípulo amado, nós acolhemos em nossa casa a Mãe de Jesus que se tornou Mãe de todos os viventes. Podemos orar com Ela e orar-Lhe a Ela. A oração da Igreja é como que sustentada pela oração de Maria. Está-lhe unida na esperança».
Muitos dos nossos templos – que foram de antigos mosteiros, conventos e colegiadas – conservam cadeirais onde noutros tempos se rezavam publicamente as Horas litúrgicas. Seria muito bom que, por toda a Diocese, se formassem grupos de oração que, em várias igrejas e com ritmo certo, as rezassem também, oferecendo a quem viesse idêntica oportunidade. Sei que assim vai acontecendo já, mas este ano é boa ocasião para acontecer muito mais. Também porque, como lembra o mesmo documento, «a oração comunitária possui uma dignidade especial, baseada nestas palavras de Cristo: “Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles”» (in EDREL, p. 479).
Estou certo de que a Mãe de Jesus, presente na primeira comunidade reunida em oração (cf. Ac 1, 14), nos guiará neste caminho, para nos retomarmos como Igreja santa e missionária. O que é inteiramente para Deus projeta-nos inteiramente para os outros.
Quero ainda pedir-vos, caríssimos diocesanos, comunhão profunda e orante com o Santo Padre, que com tanta coragem e lucidez guia a Igreja neste momento de purificação espiritual e prática. Estamos com o Papa Francisco, como ele está com Cristo e o Evangelho.

Convosco, em oração e missão,
+ Manuel, Cardeal-Patriarca

Lisboa, 1 de setembro de 2018

2 set 2018 «Vós deixais o mandamento de Deus»

TEMPO COMUM – DOMINGO XXII – ANO B

PRIMEIRA LEITURA Deut 4, 1-2.6-8

Leitura do Livro do Deuteronómio

Moisés falou ao povo, dizendo: «Agora escuta, Israel, as leis e os preceitos que vos dou a conhecer e ponde-os em prática, para que vivais e entreis na posse da terra que vos dá o Senhor, Deus de vossos pais. Não acrescentareis nada ao que vos ordeno, nem suprimireis coisa alguma, mas guardareis os mandamentos do Senhor vosso Deus, tal como eu vo-los prescrevo. Observai-os e ponde-os em prática: eles serão a vossa sabedoria e a vossa prudência aos olhos dos povos, que, ao ouvirem falar de todas estas leis, dirão: ‘Que povo tão sábio e tão prudente é esta grande nação!’. Qual é, na verdade, a grande nação que tem a divindade tão perto de si como está perto de nós o Senhor, nosso Deus, sempre que O invocamos? E qual é a grande nação que tem mandamentos e decretos tão justos como esta lei que hoje vos apresento?».

Palavra do Senhor.

SALMO RESPONSORIAL Salmo 14 (15), 2-3a.3cd-4ab.5 (R. 1a)

Refrão: Quem habitará, Senhor, no vosso santuário? Repete-se

Ou:

Ensinai-nos, Senhor: quem habitará em vossa casa? Repete-se

O que vive sem mancha e pratica a justiça
e diz a verdade que tem no seu coração
e guarda a sua língua da calúnia. Refrão

O que não faz mal ao seu próximo,
nem ultraja o seu semelhante;
o que tem por desprezível o ímpio,
mas estima os que temem o Senhor. Refrão

O que não falta ao juramento,
mesmo em seu prejuízo,
e não empresta dinheiro com usura,
nem aceita presentes para condenar o inocente.
Quem assim proceder jamais será abalado. Refrão

SEGUNDA LEITURA Tg 1, 17-18.21b-22.27

Leitura da Epístola de São Tiago

Caríssimos irmãos: Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vêm do alto, descem do Pai das luzes, no qual não há variação nem sombra de mudança. Foi Ele que nos gerou pela palavra da verdade, para sermos como primícias das suas criaturas. Acolhei docilmente a palavra em vós plantada, que pode salvar as vossas almas. Sede cumpridores da palavra e não apenas ouvintes, pois seria enganar-vos a vós mesmos. A religião pura e sem mancha, aos olhos de Deus, nosso Pai, consiste em visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e conservar-se limpo do contágio do mundo.

Palavra do Senhor.

EVANGELHO Mc 7, 1-8.14-15.21-23

«Deixais o mandamento de Deus para vos prenderdes à tradição dos homens»

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos

Naquele tempo, reuniu-se à volta de Jesus um grupo de fariseus e alguns escribas que tinham vindo de Jerusalém. Viram que alguns dos discípulos de Jesus comiam com as mãos impuras, isto é, sem as lavar. – Na verdade, os fariseus e os judeus em geral não comem sem ter lavado cuidadosamente as mãos, conforme a tradição dos antigos. Ao voltarem da praça pública, não comem sem antes se terem lavado. E seguem muitos outros costumes a que se prenderam por tradição, como lavar os copos, os jarros e as vasilhas de cobre –. Os fariseus e os escribas perguntaram a Jesus: «Porque não seguem os teus discípulos a tradição dos antigos, e comem sem lavar as mãos?». Jesus respondeu-lhes: «Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está escrito: ‘Este povo honra-Me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim. É vão o culto que Me prestam, e as doutrinas que ensinam não passam de preceitos humanos’. Vós deixais de lado o mandamento de Deus, para vos prenderdes à tradição dos homens». Depois, Jesus chamou de novo a Si a multidão e começou a dizer-lhe: «Escutai-Me e procurai compreender. Não há nada fora do homem que ao entrar nele o possa tornar impuro. O que sai do homem é que o torna impuro; porque do interior do homem é que saem as más intenções: imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, cobiças, injustiças, fraudes, devassidão, inveja, difamação, orgulho, insensatez. Todos estes vícios saem do interior do homem e são eles que o tornam impuro».

Palavra da salvação.

1 set 2018: «Vem tomar parte na alegria do teu Senhor»

TEMPO COMUM – SEMANA XXI – SÁBADO

Santa Maria no Sábado, memória facultativa

anos pares

PRIMEIRA LEITURA 1 Cor 1, 26-31

Leitura da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo
aos Coríntios
Irmãos: Vede quem sois vós, os que Deus chamou: não há muitos sábios, naturalmente falando, nem muitos influentes, nem muitos bem-nascidos. Mas Deus escolheu o que é louco aos olhos do mundo para confundir os sábios; escolheu o que é fraco para confundir os fortes; escolheu o que é vil e desprezível, o que nada vale aos olhos do mundo, para reduzir a nada aquilo que vale, a fim de que nenhuma criatura se possa gloriar diante de Deus. É por Ele que vós estais em Cristo Jesus, o qual Se tornou para nós sabedoria de Deus, justiça, santidade e redenção. Deste modo, conforme está escrito, «quem se gloria deve gloriar-se no Senhor».
Palavra do Senhor.

SALMO RESPONSORIAL Salmo 32 (33), 12-13. 18-19. 20-21

Refrão: Feliz o povo que o Senhor
escolheu para sua herança. Repete-se

Feliz a nação que tem o Senhor por seu Deus,
o povo que Ele escolheu para sua herança.
Do Céu o Senhor contempla
e observa todos os homens. Refrão

Os olhos do Senhor estão voltados
para os que O temem,
para os que esperam na sua bondade,
para libertar da morte as suas almas
e os alimentar no tempo da fome. Refrão

A nossa alma espera o Senhor:
Ele é o nosso amparo e protector.
N’Ele se alegra o nosso coração,
em seu nome santo pomos a nossa confiança. Refrão

EVANGELHO Mt 25, 14-30

«Foste fiel em coisas pequenas: vem tomar parte na alegria do teu Senhor»

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola: «Um homem, ao partir de viagem, chamou os seus servos e confiou-lhes os seus bens. A um entregou cinco talentos, a outro dois e a outro um, conforme a capacidade de cada qual; e depois partiu. O que tinha recebido cinco talentos fê-los render e ganhou outros cinco. Do mesmo modo, o que recebera dois talentos ganhou outros dois. Mas, o que recebera um só talento foi escavar a terra e escondeu o dinheiro do seu senhor. Muito tempo depois, chegou o senhor daqueles servos e foi ajustar contas com eles. O que recebera cinco talentos aproximou-se e apresentou outros cinco, dizendo: ‘Senhor, confiaste-me cinco talentos: aqui estão outros cinco que eu ganhei’. Respondeu-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel. Porque foste fiel em coisas pequenas, confiar-te-ei as grandes. Vem tomar parte na alegria do teu senhor’. Aproximou-se também o que recebera dois talentos e disse: ‘Senhor, confiaste-me dois talentos: aqui estão outros dois que eu ganhei’. Respondeu-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel. Porque foste fiel em coisas pequenas, confiar-te-ei as grandes. Vem tomar parte na alegria do teu senhor’. Aproximou-se também o que recebera um só talento e disse: ‘Senhor, eu sabia que és um homem severo, que colhes onde não semeaste e recolhes onde nada lançaste. Por isso, tive medo e escondi o teu talento na terra. Aqui tens o que te pertence’. O senhor respondeu-lhe: ‘Servo mau e preguiçoso, sabias que ceifo onde não semeei e recolho onde nada lancei; devias, portanto, depositar no banco o meu dinheiro e eu teria, ao voltar, recebido com juro o que era meu. Tirai-lhe então o talento e dai-o àquele que tem dez. Porque, a todo aquele que tem, dar-se-á mais e terá em abundância; mas, àquele que não tem, até o pouco que tem lhe será tirado. Quanto ao servo inútil, lançai-o às trevas exteriores. Aí haverá choro e ranger de dentes’».
Palavra do salvação.

31 ago 2018 «Aí vem o esposo: ide ao seu encontro»

TEMPO COMUM – SEMANA XXI – SEXTA-FEIRA

anos pares

PRIMEIRA LEITURA 1 Cor 1, 17-25

Leitura da primeira Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios

Irmãos: Cristo não me enviou para baptizar, mas para anunciar o Evangelho, não, porém, com a sabedoria da linguagem, a fim de não se desvirtuar a cruz de Cristo. Porque a linguagem da cruz é loucura para aqueles que estão no caminho da perdição, mas é poder de Deus para aqueles que seguem o caminho da salvação, isto é, para nós. Na verdade, assim está escrito: «Hei-de arruinar a sabedoria dos sábios e frustrar a inteligência dos inteligentes». Onde está o sábio? Onde está o homem culto? Onde está o que discute sobre as coisas deste mundo? Porventura Deus não tornou louca a sabedoria do mundo? Uma vez que o mundo, por meio da sua sabedoria, não reconheceu a Deus na sabedoria divina, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da mensagem que pregamos. Os judeus pedem milagres e os gregos procuram a sabedoria. Quanto a nós, pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios. Mas para aqueles que são chamados, tanto judeus como gregos, Cristo é poder de Deus e sabedoria de Deus. A loucura de Deus é mais sábia do que o homem e a fraqueza de Deus é mais forte do que o homem.

Palavra do Senhor.

SALMO RESPONSORIAL
Salmo 32 (33), 1-2.4-5.10-11 (R. 5b)

Refrão: A bondade do Senhor encheu a terra. Repete-se

Justos, aclamai o Senhor,
os corações rectos devem louvá-l’O.
Louvai o Senhor com a cítara,
cantai-Lhe salmos ao som da harpa. Refrão

A palavra do Senhor é recta,
da fidelidade nascem as suas obras.
Ele ama a justiça e a rectidão:
a terra está cheia da bondade do Senhor. Refrão

O Senhor frustou os planos dos pagãos,
fez malograr os projectos dos povos.
O plano do Senhor permanece eternamente
e os desígnios do seu coração por todas as gerações. Refrão

EVANGELHO Mt 25, 1-13

«Aí vem o Esposo: ide ao seu encontro»

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola: «O reino dos Céus pode comparar-se a dez virgens, que, tomando as suas lâmpadas, foram ao encontro do esposo. Cinco eram insensatas e cinco eram prudentes. As insensatas, ao tomarem as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo, enquanto as prudentes, com as lâmpadas, levaram azeite nas almotolias. Como o esposo se demorava, começaram todas a dormitar e adormeceram. No meio da noite ouviu-se um brado: ‘Aí vem o esposo; ide ao seu encontro’. Então, as virgens levantaram-se todas e começaram a preparar as lâmpadas. As insensatas disseram às prudentes: ‘Dai-nos do vosso azeite, que as nossas lâmpadas estão a apagar-se’. Mas as prudentes responderam: ‘Talvez não chegue para nós e para vós. Ide antes comprá-lo aos vendedores’. Mas, enquanto foram comprá-lo, chegou o esposo: as que estavam preparadas entraram com ele para o banquete nupcial; e a porta fechou-se. Mais tarde, chegaram também as outras virgens e disseram: ‘Senhor, senhor, abre-nos a porta’. Mas ele respondeu: ‘Em verdade vos digo: Não vos conheço’. Portanto, vigiai, porque não sabeis o dia nem a hora».

Palavra da salvação.

30 ago 2018

TEMPO COMUM – SEMANA XXI – QUINTA-FEIRA

anos pares

PRIMEIRA LEITURA 1 Cor 1, 1-9

Irmãos: Paulo, por vontade de Deus escolhido para Apóstolo de Cristo Jesus e o irmão Sóstenes, à Igreja de Deus que está em Corinto, aos que foram santificados em Cristo Jesus, chamados à santidade, com todos os que invocam, em qualquer lugar, o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso: A graça e a paz de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo estejam convosco. Dou graças a Deus, em todo o tempo, a vosso respeito, pela graça divina que vos foi dada em Cristo Jesus. Porque fostes enriquecidos em tudo: em toda a palavra e em todo o conhecimento; e deste modo, tornou-se firme em vós o testemunho de Cristo. De facto, já não vos falta nenhum dom da graça, a vós que esperais a manifestação de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele vos tornará firmes até ao fim, para que sejais irrepreensíveis no dia de Nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é Deus, por quem fostes chamados à comunhão com seu Filho, Jesus Cristo, Nosso Senhor.

Palavra do Senhor.

SALMO RESPONSORIAL Salmo 144 (145), 2-3.4-5.6-7 (R. cf. 1b)

Refrão: Louvarei para sempre o vosso nome, Senhor. Repete-se

Quero bendizer-Vos, dia após dia,
e louvar o vosso nome para sempre.
O Senhor é grande e digno de louvor,
insondável é a sua grandeza. Refrão

Uma geração anuncia à outra as vossas obras
e todas proclamam o vosso poder.
Falam do poder da vossa majestade
e anunciam as vossas maravilhas. Refrão

Cantam o poder das vossas obras
e proclamam a vossa grandeza.
Celebram a memória da vossa imensa bondade
e aclamam a vossa justiça. Refrão

EVANGELHO Mt 24, 42-51

«Estai preparados»

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Vigiai, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor. Compreendei isto: se o dono da casa soubesse a que horas da noite viria o ladrão, estaria vigilante e não deixaria arrombar a sua casa. Por isso, estai vós também preparados, porque na hora em que menos pensais, virá o Filho do homem. Quem é o servo fiel e prudente, que o senhor pôs à frente da sua casa, para lhe dar o alimento em tempo oportuno? Feliz aquele servo que o senhor, ao chegar, encontrar procedendo assim. Em verdade vos digo que lhe confiará a administração de todos os seus bens. Mas se o servo for mau e disser consigo: ‘O meu senhor demora-se’, e começar a espancar os companheiros e a comer e beber com os ébrios, quando o senhor daquele servo chegar, em dia que ele não espera e à hora que ele não pensa, expulsá-lo-á e lhe dará a sorte dos hipócritas. Aí haverá choro e ranger de dentes».

Palavra da salvação.