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QUARTA-FEIRA – 31/DEZEMBRO/2014

S.SlLVESTRE l(335). O pontificado deste papa, eleito em 314, coincidiu com o reinado do imperador Constantino que, pelo édito de Milão (313), deu liberdade de culto aos cristãos.

1 João 2,18-21 ; Sal 95,1-2.11-13 ; João 1,1-18

AbrahamVanLingeNA NOITE DOS TEMPOS. O inverno chegou melancólico e o ano de 2014, nesta noite, irá soltar o último suspiro. Mais um ano se vai acrescentar à idade do mundo, idade que aliás jamais conheceremos exactamente. Mas será mesmo útil ou necessário que o saibamos? Ora, é à cabeceira do ano que agoniza que lemos o mais solene e santo dos prefácios. Toda a gente nos diz que tudo recomeça sem cessar, que – no fundo – nada muda e que apesar das muitas festas artificiais e febris celebradas no mundo, todos se aborrecem. Bem-aventurados os que renovam os seus corações e renovam o próprio tempo no eterno começo de Deus! Na origem da História que não conhecemos e que – por vezes – nos causa medo, está a Palavra, está a luz. Está Deus – Deus e um Menino – está um Deus feito homem, estão as testemunhas que Ele envia, e n’Êle, a possibilidade de todos os homens se tornarem filhos de Deus: como é bom, em segredo, sabermos isto! É suficiente para que O possamos ver – longe de todos os “reveillons”, sem sentido -, e ver com mais clareza. Ó!, como é de facto tão claro este entardecer na noite dos tempos !

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

TERÇA-FEIRA – 30/DEZEMBRO/2014

1 João 2,12-17 ; Sal 95, 7-10 ; Lucas 2, 36-40

PriofetizaAna_TissotANA, VELHA “IGREJA-MULHER” (Luc.2,36-40). Há tão pouco tempo que Jesus Cristo, a Palavra, veio ao mundo – e nele permanece – e como Ele nos faz já falar tanto de Si! Desde a noite do Seu nascimento, quando os pastores já diziam: “Vamos ver o que se passa!” E, eis que a velha Ana, reclusa há muitos lustros na “sacristia” dO Templo, também ouviu falar d’Ele e não fala senão d’Ele, com a volubilidade deliciosa duma mulher, de idade avançada, que a vida não desiludiu, pois continua bondosa e ingénua. Estranha, esta mulher! Antiga como a “Antiga Aliança”, antiga como essa Lei que hoje passa a uma nova era, Ana, gasta como um longo pergaminho, como a sua Escritura doméstica que desenrolaria com os seus dedos trémulos, e que – graças à sua memória sólida – sabia de cor, de tanto a meditar dia e noite. Tornou-se profetiza à força de ler e reler os profetas, e de esperar. Taciturna por estado, esta enamorada, só fala da Palavra e com que entusiasmo! Parece estar ali a prefigurar a Igreja – tão antiga e, ao mesmo tempo, nova -, Igreja que está sempre a insistir na Palavra, a lê-la e a comentá-la. Porque é “na” e “pela” Igreja que O Menino cresce, que a Palavra cresce e Se propaga. A Igreja, meditativa e missionária, tal como Ana, a mulher estéril que louva Deus no Templo, e como Maria, testemunha do crescimento secreto de Jesus em Nazaré: duas figuras da fecundidade. Uma e outra são testemunhas da obra de Deus; uma e outra aceitam o caminho que se abre para elas. Ana, sem filhos, podia ter-se tornado amarga. Maria, sem compreender, podia ter-se revoltado. Mas elas, pelo contrário, escolhem o caminho da docilidade e da contemplação, aceitando assim a salvação que batia à sua porta e às portas do mundo. Seremos nós capazes, como elas, de ultrapassar as nossas desilusões e acolher O Deus que passa no dia-a-dia das nossas vidas?

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SEGUNDA-FEIRA – 29/DEZEMBRO/2014

S. TOMÁS BECKET (1117-1170). Arcebispo de Cantuária. Com esta nomeação converteu-se radicalmente, pois antes tinha sido fiel longos anos ao rei Henrique II com quem partilhara a vida desregrada. Depois foi um prelado austero. Em conflito com o rei teve que exilar-se durante 6 anos. Foi assassinado na Catedral pouco após regressar do exílio.

1João 2,3-11; Sal 95,1-3. 5b-6; Lucas 2,22-35

ANTIGO / NOVO (1 João 2,3-11). Um mandamento antigo ou um mandamento novo? O texto parece hesitar. O mandamento do amor não é novo, pois já no Livro do Levítico se escrevia : “Tu amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Lev.19,18). A Antiga Aliança não prescreveu, ela só é antiga à vista da novidade de Jesus-Cristo que cumpre a promessa de Deus. E o mandamento do amor, cláusula da Aliança antiga, participa do único desígnio de Deus que renova sem cessar a face da terra. Iluminado por um dia novo, no qual O Filho dá a Sua vida por amor, o mandamento terá ainda que tornar-se novo em cada um, iluminando os dias de trevas da nossa existência.

ApresentacaoDeJesus_rIZIAS IMAGENS DA CONFIANÇA (Lucas 2,22-35). Ao apresentarem Jesus no Templo, Maria e José recebem-nO de uma forma nova. Consagrar O seu Menino aO Senhor, é de algum modo aceitar serem desapossados d’Ele, reconhecerem que Ele “pertence” a Deus e que eles não são os senhores da Sua vida. Eles fazem já disso experiência através das pala-vras de Simeão, que na verdade não compreendem mas acolhem com toda a verdade. Maria e José são assim as imagens por excelência da confiança que irá permitir aO Senhor cumprir neste mundo a obra da salvação. Peçamos hoje a graça de vivermos com esta mesma disponibilidade e este mesmo desprendimento.

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

Domingo dentro da oitava do Natal – 28/DEZEMBRO/2014

SAGRADA FAMíLIA DE JESUS, MARIA E JOSÉ. Sob o olhar de Deus, Maria e José, cumprem a Lei e apresentam Jesus no Templo. A graça de Deus estava com O Menino!

Gén.15,1-16; 21,1-3 ; Sal 104, 1b-6. 8-9 ; Hebr.11, 8.11-12.17-19 ; Luc. 2, 22-40

ApresentacaoDeJesus_OverbeckA AVENTURA FAMILIAR NA FECUNDIDADE DA FÉ (Luc.2,22-40). Aguns dias após o Natal a Igreja celebra já a Sagrada Família a apresentar nO Templo O Menino inocente que mais tarde será também “massacrado” e há-de, na profecia de Simeão, trazer a Maria dores iguais ou maiores às das mães dos santos inocentes. José e Maria fazem aqui uma experiência desconcertante: eles não são os proprietários do seu menino. Os homens não dão a vida, apenas a transmitem. Só O Pai está na origem da vida. Para as crianças, eis um apelo ao crescimento porque a sua vida é desejada por Deus. Para qualquer pai, ela traz uma missão importante: acolher uma criança com todas as ligações que a farão desenvolver na sociedade dos homens. Em família, a esfera previlegiada dos compromissos colectivos, trata-se de combinar intimidade e responsabilidade. Com a cerimónia no Templo, Jesus é integrado na sociedade do Seu tempo. Simeão dá, diante de todos, o testemunho que Ele é O Messias dO Senhor, anunciado em Israel. Ana profetiza que esta “criança-Deus” será a salvação de todos. A festa da Sagrada Família convida-nos a oferecer hoje aO Senhor as nossas famílias. Quaisquer que sejam os seus desafios, a sua missão permanece universal. O dom da vida vem de Deus mas é confiado à responsabilidade de cada um. Para Abraão (ou Abrão) a prova era ter confiança : “Não temas Abrão, Eu sou um escudo para ti”. Para Sara, era acreditar ser Deus capaz do impossivel. Crentes ou não, a aventura familiar continua a ser a mesma. E quer sejamos ou não pais, a experiência da fecundidade da fé da Sagrada Família fixa a nossa atenção especialmente naqueles que contam connosco para crescerem em sabedoria e santidade. Este texto pode ajudar-nos a centrar as nossas celebrações à volta de Cristo, Luz do mundo. Somos cristãos vindos de horizontes diferentes, como os pais de Jesus por um lado, e Ana e Simeão por outro, mas Ele é quem nos une para confessarmos a nossa fé e testemunharmos a nossa experiência de salvação. Porém, para que as celebrações que fazemos tenham alta densidade, é importante que elas sejam simultâneamente preparadas e prolongadas no tempo pela oração pessoal, meditação das Escrituras e re-leitura da vida. Também, para que louvor não seja puramente formal, é necessário cultivar uma expectativa e um olhar de fé sobre os acontecimentos. Peçamos aO Senhor que faça crescer o nosso desejo d’Ele, que nos desperte o olhar para além das aparências, e que nos torne disponíveis ao toque dO Espírito que fará de nós uma “oferenda à Sua glória”.

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

SÁBADO – 27/DEZEMBRO/2014

1 João 1,1-4 ; Sal 96,1-2. 5-6. 11-12 ; João 20, 2-8

SaoJoaoApostoloeEvangelistaO discípulo amado do 4º evangelho está associado ao apóstolo João que tinha grande proximidade com Jesus. Ele está presente em todas as etapas importantes do ministério de Jesus. É ele que recebe Maria depois da morte dO Mestre; e é também ele, que – no momento da Ressurreição -, atesta de maneira decisiva aquilo que viu e naquilo que acredita. Pedro tem o papel da autoridade, conferida por Cristo, mas João é o discípulo que mais se identifica com Ele, que vive uma vo-cação de perfeita ressonância – objectiva e subjectiva – com Jesus. João é por excelência aquele que foi chamado a acreditar duma forma absolutamente pessoal e carismática. Mas Pedro e João não andam um sem o outro e a sua complementaridade é fecunda. Evitemos o perigo de julgar que só há uma maneira para abordar as coisas da fé. Nestes dias de Natal, acolhamos a fé comum da Igreja e procuremos que ela se identifique cada vez mais connosco, para podermos ser testemunhas verídicas, entusiastas e alegres.

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.