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SEXTA-FEIRA – 26/DEZEMBRO/2014

STO. ESTEVÃO (séc. I). Estêvão foi o primeiro mártir da Igreja. Morreu lapidado depois da ressurreição de Cristo

Actos 6, 8-10 ; 7, 54-59 ; Sal 30, 3cd-4. 6. 16bc. 17 ; Mateus 10, 17-22

SantoEstevaoESTÊVÃO, PROTO-MÁRTlR (Mat.10,17-22). A liturgia celebra, no dia a seguir ao Natal, a festa do 1º mártir da Igreja: o diácono Estêvão. Jesus, desde o primeiro instante da Sua vinda ao mundo, introduz-nos no mistério da Sua Páscoa. Sendo discípulos de Cristo não podemos refugiar-nos num casulo piegas, com o pretexto duma religião consoladora. Para seguir a Cristo, não há outro caminho a não ser o de dar a própria vida em todas as circunstâncias. Mas os discípulos não estão abandonados a si mesmos. Na medida em que forem autênticamente disponíveis, O Espírito de Deus falará e agirá neles, e nem a morte O poderá afastar. Abandonemo-nos inteiramente ao que permanece, ultrapassando o reflexo espontâneo que nos faz crer estar mais vivos quando nos agarramos ao que é passageiro, para assim estar Vivos segundo a Eternidade de Deus.

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUINTA-FEIRA – 25/DEZEMBRO/2014 NATAL DO SENHOR

Isaías 52, 7-10 ; Sal 97,1-6 ; Hebreus 1,1-6 ; João 1,1-18

SaoJoaoEmPatmos_Memling“NO PRINCíPiO…” (João 1,1-18). Quantos anos terá João meditado no retiro de Patmos, para escrever estas breves linhas? Desde as primeiras palavras somos submergidos no coração do projecto de Deus. João retoma o vocabulário do livro de Génesis que diz: “No princípio, Deus criou o céu e a terra”. É necessário entender a profundidade da palavra “princípio” no amplo sentido bíblico : não se trata de uma simples datação cronológica. Os dois relatos da Criação propostos nas primeiras páginas da Bíblia não têm pretensão histórica: mais profundamente, apontam-nos o sentido da nossa vida aos olhos de Deus. Para os que viveram com Jesus, tudo se clarificou: “No princípio era O Verbo!”. A mensagem fundamental do Natal está neste prólogo de S.João: “O Verbo fez-se carne e habitou entre nós, e nós vimos a Sua glória”. S. João – o teólogo – afirma claramente a Encarnação dO Senhor. Não é certo que esta realidade da fé esteja perfeitamente integrada na mentalidade dos cristãos de hoje. Falta saber o que entendemos por “Encarnação dO Senhor”. É impossível dar-se uma resposta totalmente desenvolvida da fé, mas nunca devemos colocá-la depressa demais na “prateleira” dos valores tradicionais. Cada época e cultura – e até cada pessoa – tem que re-apropriar-se dos diferentes aspectos do dogma. Ele contém toda a graça da revelação bíblica, mas necessita esclarecimento constante e interpretação em Igreja. Oremos para a expressão da nossa fé ser pertinente, e assim muitos a recebam e guardem.

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

QUARTA-FEIRA – 24/DEZEMBRO/2014

S. CHARBEL MAKHLOUF (1828-1898). Monge eremita libanês. O papa Pio XII assinou o decreto que deu início ao processo de beatificação do Padre Charbel, dizendo expres-samente: “O Padre Charbel já gozava, em vida, sem o querer, da honra de o chamarem santo, pois a sua existência era verdadeiramente santificada por sacrifícios, jejuns e abstinências. Teve uma vida digna de ser chamada cristã e, portanto, santa. Agora, após a sua morte, ocorre este extraordinário sinal deixado por Deus: seu corpo transpira sangue, sempre que se lhe toca, e todos os que, doentes, tocarem com um pedaço de pano as suas vestes constantemente húmidas de sangue, alcançam alívio nas suas doenças e não poucos até se veem curados. Paulo VI canonizou-o em 1977, em Roma, na que foi a 1ª proclamação por um Papa da santidade de um membro de uma Igreja de Rito oriental.

Missa do dia: 2 Samuel 7, 1-5. 8b-12.14a.16 ; Sal 88, 2-5. 27. 29 ; Lucas 1, 67-79 

Vigília do Natal: Is. 62,1-5 ; Sal 88, 4-5.16-17. 27. 29; Actos13,16-17. 22-25 ; Mateus 1,18-25

Noite do Natal: Isaías 9, 1-6 ; Sal 95, 1-3. 11-13 ; Tito 2, 11-14; Lucas 2, 1-14

AdoracaoDosPastores_CastroO DESEJO DE CONTEMPLAR O ROSTO DO SENHOR (Luc.1,67-79). O cântico de Zacarias a celebrar o dom de Deus que é a vinda de Cristo, Sol nascente, é uma oração de acção de graças. No Antigo Testamento o tema da luz é com frequência associado ao tema do “rosto” de Deus: “…respandeça sobre nós, Senhor, a luz do Teu rosto” (Salmo 4,7). Em Jesus, Deus tomou rosto de homem: “E O Verbo fez-Se homem (…) e nós vimos a Sua glória” (Jo.1,14). O Senhor recordou-Se dO Seu Povo. Visitou-o ao longo da história, por intermédio dos patriarcas, de David, dos reis e dos profetas. Esta memória santa era acompanhada de promessas concretas. Precisamente agora, o tempo dos promessas deu lugar ao tempo do seu cumprimento. João Baptista abre o caminho da Salvação, da iluminação, da saída das trevas. Anuncia o Sol que vem do alto. Sim, a Salvação é como uma nova luz que ilumina o sentido das nossas vidas, e nos permite levá-las a bom termo, graças ao amor e à ternura do nosso Deus que é O Único que pode guiar-nos no caminho da verdadeira paz.

QUEM GOSTA DO NATAL? (Luc.2,1-14). O Natal é uma festa que acorda sentimentos de solidão e de sofrimento em muitas pessoas, sobretudo nas que vivem isoladas ou em situação de exclusão. Mas hoje esta dificuldade está a alastrar. Talvez por isso, haja cada vez mais famílias a viver um Natal solidário com os mais pobres, e uma festa sob o signo do comércio justo e do respeito pela Criação. As iniciativas para celebrar o Natal “de outra forma” confirmam a necessidade de dar um verdadeiro sentido a esta festa. A experiência plena da alegria do Natal não é tão simples nem tão natural como pode pensar-se. Ela é, sem dúvida, um acto de fé. A Escritura pode esclarecer-nos. No ANTIGO Testamento, Isaías (Is.9,1-6) faz-se eco dum povo que aguarda. Uma expectativa ancestral, transmitida de geração em geração. E o NOVO Testamento confirma que a expectativa se confirmou: Deus veio habitar o nosso mundo. A pergunta é-nos feita directamente: estaremos nós a esperar? Que esperamos nós? Será possível ter alegria se nada esperarmos? Para Maria e para José, isto era bem evidente. Apesar de todos os anjos e “anunciações”, eles guardavam essas coisas no coração. Um acto de fé. Desde sempre, para se sentir a alegria do Natal, há que se saborear primeiro a alegria de Deus a dar-nos O Seu Filho.

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e síntese: Jorge Perloiro.

TERÇA-FEIRA – 23/DEZEMBRO/2014

S. JOÃO CÂNCIO DE KETY (1390-1473).  João Câncio, natural de Kety, estudou e doutorou-se na universidade de Carcóvia, onde ficou professor após ser sacerdote. Grande benfeitor dos pobres, vivia ele próprio como pobre. A sua humildade era acompanhada pela simplicidade de uma criança. Após acabar o ensino, dirigia-se para a igreja onde ficava em oração e contemplação diante de Cristo na Eucaristia. Morreu durante a missa da vigília do Natal. Foi canonizado por Clemente Xlll, em 1767. Padroeiro da Polónia e da Lituânia.

Malaquias 3,1-4. 23-24 ; Sal 24, 4bc-5ab. 8-10.10-14 ; Lucas 1, 57-66

ZacariasEscreveONomeDeJoaoA GRAÇA DE DISCERNIR (Lucas 1,57-66). Isabel convida-nos a também tomarmos em consideração a novidade que Deus instaura nas nossas vidas. Isso implica posicionar-nos de forma inédita, tal como ela o fez relativamente à sua tradição familiar, sem ceder ao peso dos acontecimentos e à rotina. Porque se certamente há uma coerência no desígnio de Deus, com o que ele tem de continuidade, há igualmente pontos de rotura que apenas O Espírito nos pode ajudar a discernir. “Quem virá a ser este menino?” É sob o signo da incerteza que termina hoje o evangelho. Porém, todos sabem que “a mão dO Senhor está sobre ele”. A sua atitude é reveladora da tensão típica da vida cristã: por um lado a incerteza e a expectativa da vinda dO Senhor, e por outro, a confiança e a certeza da presença de Deus. Digamos, com a antífona do Magnificat: “Ó Emanuel, nosso rei e legislador, que todos os povos aguardam como Seu Salvador, vinde salvar-nos, Senhor nosso Deus!”

“Meditações Bíblicas”, tradução dos Irmãos Dominicanos da Abadia de Saint-Martin de Mondaye (Suplemento Panorama, Edição Bayard, Paris). Selecção e Síntese: Jorge Perloiro.